O essencial
Em resumo
Milei reduziu a inflação e obteve superávits fiscais, mas a Argentina atravessou recessão, forte piora social inicial e uma recuperação desigual. Os dados de 2026 mostram avanços e novos sinais de fragilidade. Conheça o projeto, as medidas, os resultados e as controvérsias, com datas e fontes.
Como este Portal se posiciona
Opinião editorial da BEM10 TV. A crítica marxista e progressista da BEM10 TV ao projeto de Milei parte de uma pergunta concreta: quem paga pela estabilização e quem se apropria de seus ganhos? A queda da inflação e os superávits documentados devem ser reconhecidos; não bastam, porém, para justificar compressão de direitos, fragilidade do trabalho ou serviços públicos inacessíveis. Nossa posição antifascista rejeita o uso da força para silenciar reivindicações sociais, e nossa defesa do Sul Global prioriza autonomia econômica e integração regional, não a escolha de uma potência tutora. Somos pró-Lula e antibolsonaristas, mas essa preferência não decide o resultado das estatísticas argentinas nem nos obriga a aprovar toda decisão brasileira. Julgamos políticas por seus efeitos sobre renda, poder, soberania e condições de vida, com fatos que possam contrariar também as nossas expectativas.
A Argentina melhorou com Milei?
A inflação desacelerou muito e as contas públicas registraram superávits. A melhora, porém, não foi contínua nem chegou da mesma forma a todos. O governo Javier Milei atravessou recessão, forte aumento inicial da pobreza, recuperação posterior e novos sinais de perda de fôlego em 2026.
Em setembro de 2026, a inflação mensal foi de 1,9%. No segundo trimestre, o PIB cresceu 2,0% na comparação com um ano antes, mas recuou 0,6% diante do trimestre anterior, com ajuste sazonal. No primeiro semestre, a pobreza atingiu 32,3% das pessoas nos aglomerados urbanos pesquisados: abaixo do começo do mandato, acima dos 28,2% do semestre imediatamente anterior.
Esses resultados não se anulam. Uma economia pode desacelerar a alta de preços e continuar pressionando o orçamento das famílias. Pode exportar mais e investir menos. Para julgar o governo, a pergunta precisa ir além de uma fotografia favorável ou desfavorável: qual indicador, em que período, para quem e com qual custo?

Da televisão à Presidência
Javier Milei nasceu em Buenos Aires em 22 de outubro de 1970 e se formou em Economia na Universidad de Belgrano. Antes de disputar a Presidência, ganhou notoriedade como comentarista econômico e polemista televisivo. Foi eleito deputado em 2021, construindo sua identidade em oposição aos partidos tradicionais.
Na campanha, a motosserra condensou a promessa de cortar despesas e estruturas do Estado. A denúncia da “casta” reuniu insatisfação com a política e defesa de uma ruptura econômica. No segundo turno de 2023, Milei e Victoria Villarruel receberam 14.554.560 votos, equivalentes a 55,65% dos votos afirmativos válidos, contra 44,35% de Sergio Massa. O apoio de Mauricio Macri e Patricia Bullrich ajudou a recompor a direita após o primeiro turno.
Milei assumiu em 10 de dezembro de 2023. Chegou com mandato eleitoral para mudar o rumo do país, mas vitória presidencial e maioria parlamentar são coisas diferentes. A negociação com aliados, províncias e Congresso continuaria determinando o que poderia virar lei.

O projeto: mercado, ajuste e confronto político
Milei se apresenta como anarcocapitalista e defende uma redução radical da intervenção estatal. Em Davos, em janeiro de 2024, expôs sua visão: o capitalismo como motor da prosperidade e o coletivismo como ameaça ao Ocidente. É um discurso político com uma interpretação da história, não uma demonstração de que toda intervenção pública fracassa.
No governo, essa orientação se traduz em busca de equilíbrio fiscal, desregulação e incentivos ao investimento privado. Seus defensores sustentam que contas equilibradas e regras mais previsíveis são condições para sair da inflação crônica. A crítica central é distributiva: quais despesas são comprimidas, quem absorve a transição e que serviços deixam de ser oferecidos adequadamente?
Dolarizou a Argentina? Fechou o Banco Central?
Não. O peso continua existindo, assim como o Banco Central da República Argentina. A política cambial efetivamente adotada usa bandas. Confundir a promessa de campanha com o regime em funcionamento impede avaliar o próprio percurso do governo.
Como governa — e onde encontra limites
A fotografia oficial da Câmara em 1º de março de 2026 mostra 95 deputados da La Libertad Avanza, de um total de 257. Esse retrato datado não é uma contagem instantânea de outubro, mas revela a necessidade de alianças. Negociar votos por matéria continua sendo diferente de controlar sozinho o Congresso.
A chefia de Gabinete também mudou. O Decreto 548/2026 nomeou Diego Santilli, substituindo Manuel Adorni. Em julho, o Decreto 571 suprimiu o Ministério do Interior e transferiu suas atribuições à Chefia de Gabinete. Esses atos mostram que a reorganização estatal vai além de um slogan: altera a distribuição de funções dentro do Executivo.
A EFE noticiou a renúncia de Adorni em meio a questionamentos patrimoniais e investigação. A existência da controvérsia deve ser relatada, mas a suspeita relativa a um assessor não é automaticamente culpa criminal do presidente.
O Congresso pode alterar ou rejeitar propostas; tribunais examinam sua legalidade; sindicatos, universidades e governos provinciais pressionam por mudanças. A intensidade do conflito não dispensa olhar o resultado de cada disputa. Um veto, uma derrota legislativa ou uma decisão provisória não encerram necessariamente o assunto.
DNU, Lei Bases e RIGI: a mudança nas regras
O Decreto de Necessidade e Urgência 70/2023 abriu uma agenda abrangente de desregulação logo no início da gestão. Decreto não significa validação judicial definitiva de cada dispositivo: seu alcance precisa ser lido junto das modificações e contestações posteriores.
A Lei 27.742, conhecida como Lei Bases, foi aprovada em junho de 2024. Entre seus instrumentos está o RIGI, Regime de Incentivo para Grandes Investimentos. Ele oferece benefícios tributários, aduaneiros e cambiais e estabilidade para empreendimentos que se enquadrem nas regras.
O argumento favorável é que projetos de longa duração precisam de previsibilidade para mobilizar capital. A questão crítica é o preço dessa garantia: quanto o Estado abre mão de arrecadar, como os benefícios são distribuídos e que encadeamento os investimentos criam na economia local. A resposta exige acompanhar projetos concretos.
Anúncio, aprovação e investimento realizado não são sinônimos. Um valor anunciado pode sinalizar intenção; não demonstra que a obra foi executada, os recursos ingressaram ou os empregos prometidos já existem.
Inflação menor não significa preços menores
A desaceleração da inflação é um dos resultados mais claros da gestão. Dezembro de 2023 registrou 25,5% de alta mensal; dezembro de 2024, 2,7%; dezembro de 2025, 2,8%. Em setembro de 2026, a taxa mensal foi de 1,9%, depois de 1,7% em agosto.
| Período | Inflação mensal | Inflação em 12 meses |
|---|---|---|
| Dezembro de 2023 | 25,5% | 211,4% |
| Dezembro de 2024 | 2,7% | 117,8% |
| Dezembro de 2025 | 2,8% | 31,5% |
| Setembro de 2026 | 1,9% | 33,4% |
Milei assumiu em 10/12/2023. A inflação acumulada durante todo aquele ano não pode ser atribuída integralmente a um governo que começou em dezembro. Já o salto do mês da posse faz parte da transição que precisa ser considerada, sem apagar nem a herança nem as decisões do novo governo.
Em janeiro–setembro de 2026, o IPC acumulou 23,6%. Esse número não é uma taxa anual fechada. A taxa de 33,4% compara setembro com setembro do ano anterior; a de 1,9%, setembro com agosto.
Por que o supermercado continua caro?
Porque desinflação é redução do ritmo de aumento. Com inflação positiva, o nível médio dos preços continua subindo. Para saber se uma família passou a comprar mais, é preciso comparar sua renda com os preços no mesmo intervalo, inclusive a composição de seu consumo.
PIB: recuperação e perda de fôlego podem coexistir
O INDEC revisou o crescimento real de 2025 para 4,5%, no boletim de setembro de 2026. No primeiro semestre de 2026, o PIB ficou 2,2% acima do mesmo semestre de 2025. O segundo trimestre cresceu 2,0% na comparação interanual e caiu 0,6% frente ao primeiro, descontados efeitos sazonais.
Os setores seguiram direções distintas. No segundo trimestre de 2026, exportações reais cresceram 13,7%, mineração e pedreiras 16,4% e agropecuária 6,9%, todos sobre um ano antes. A indústria manufatureira recuou 2,1% e o investimento fixo, 11,1%. O consumo privado avançou só 0,4% interanual e caiu 2,4% na comparação trimestral dessazonalizada.
Na energia, o Ministério da Economia informou saldo comercial de US$ 9,427 bilhões entre janeiro e setembro de 2026, com exportações de US$ 12,452 bilhões. É um resultado setorial: não deve ser apresentado como saldo comercial de toda a economia nem como superávit do orçamento público.
A fotografia é de recuperação desigual. O crescimento de setores exportadores não garante expansão equivalente de empregos urbanos, consumo e investimento doméstico. O PIB agregado também não é uma medida direta da renda disponível de cada pessoa.
A pobreza caiu ou subiu? Depende do ponto de comparação
A série completa mostra três movimentos: piora forte no começo do governo, queda posterior e reversão parcial no primeiro semestre de 2026. Selecionar apenas dois pontos pode esconder justamente essa trajetória.
| Semestre | Pessoas abaixo da linha de pobreza |
|---|---|
| Segundo de 2023 | 41,7% |
| Primeiro de 2024 | 52,9% |
| Segundo de 2024 | 38,1% |
| Primeiro de 2025 | 31,6% |
| Segundo de 2025 | 28,2% |
| Primeiro de 2026 | 32,3% |
Do segundo semestre de 2025 para o primeiro de 2026, houve aumento de 4,1 pontos percentuais. O último nível continuou abaixo dos 41,7% do segundo semestre de 2023 e dos 52,9% do pico de 2024. Portanto, não houve nem piora ininterrupta nem melhora contínua.
Quem entra nessa conta?
A Pesquisa Permanente de Domicílios, a EPH, cobre 31 aglomerados urbanos. A taxa compara renda com linhas monetárias vinculadas às cestas de consumo. Não é um censo de toda a Argentina, não descreve automaticamente a população rural e não mede sozinha acesso à moradia, saúde, educação ou patrimônio.
No primeiro semestre de 2026, a indigência atingiu 7,5% das pessoas, dentro do total de pobres. Entre domicílios, as taxas foram 24,4% de pobreza e 5,6% de indigência. Pessoas e domicílios têm denominadores distintos; suas porcentagens não devem ser trocadas.
O boletim de setembro registra 44,5% de pobreza entre pessoas de 0 a 14 anos. Também informa que não se observam mudanças estatisticamente significativas em relação ao mesmo semestre de 2025. O aumento de 4,1 pontos destacado acima compara semestres consecutivos, e não dois primeiros semestres.
As datas também importam: o segundo semestre de 2023 abrange majoritariamente o governo anterior. A comparação ajuda a localizar a mudança, mas a série sozinha não identifica quanto cada política, choque de preços ou alteração de renda explica.
Emprego e salários: o que os números dizem
No segundo trimestre de 2026, a taxa de desemprego foi de 7,9% da população economicamente ativa coberta pela EPH. A taxa de atividade foi de 48,9% e a de emprego, 45,0% da população coberta. Desemprego aberto conta quem está sem trabalho, disponível e procurando; não inclui automaticamente toda pessoa adulta sem emprego.
O índice de salários de julho de 2026 avançou 2,8% no mês, 36,2% sobre julho de 2025 e 21,8% desde dezembro. São variações nominais. Não significam que o poder de compra tenha aumentado nessas mesmas proporções.
O agregado também esconde diferenças: naquele mês, o setor privado registrado teve alta de 2,3%, o público de 3,0% e o privado não registrado de 3,9%. Para medir ganho real, seria necessário descontar o IPC do intervalo correspondente e examinar os segmentos separadamente. Comparar salários de julho com inflação acumulada até setembro produziria uma conclusão enganosa.
A qualidade do trabalho exige outras perguntas: estabilidade, jornada, informalidade e proteção. Uma taxa de desemprego, isoladamente, não resolve esse balanço.
Superávit não significa ausência de dívida
O Setor Público Nacional registrou em 2024 superávit primário de 1,8% do PIB e financeiro de 0,3%, segundo o Ministério da Economia. De janeiro a setembro de 2026, os saldos acumulados foram de aproximadamente 1,2% e 0,3% do PIB, respectivamente, na metodologia de caixa divulgada pelo governo.
Primário é o resultado antes dos juros; financeiro, depois dos juros computados nessa metodologia. Caixa registra pagamentos e recebimentos realizados. Um saldo positivo é relevante, mas não informa sozinho a qualidade dos serviços, o investimento que deixou de ocorrer ou a distribuição do esforço fiscal.
A dívida pública bruta em 30/09/2026 era equivalente a US$ 486,628 bilhões. O estoque havia crescido US$ 31,551 bilhões desde dezembro de 2025. O boletim identifica efeito de ajustes de valorização e do saldo inicial de US$ 43,050 bilhões, ao mesmo tempo em que operações líquidas de financiamento menos amortizações foram negativas em US$ 11,338 bilhões.
Isso explica por que aumento do estoque convertido em dólares não é sinônimo de igual volume de novos empréstimos. Câmbio, indexação e critérios de valorização também importam. Dívida bruta, dívida líquida e dívida externa são conceitos diferentes.
O argumento do governo é que o equilíbrio fiscal reduz a dependência do financiamento inflacionário. A avaliação pública deve examinar tanto a consistência das contas quanto a composição de receitas e despesas. O superávit comprova um resultado contábil na cobertura informada; não encerra o debate sobre quem pagou a conta.
Peso, dólar, reservas e apoio externo
O regime de bandas cambiais começou em 11 de abril de 2025 com limites de 1.000 e 1.400 pesos por dólar. Desde 1º de janeiro de 2026, os limites são ajustados pelo último IPC disponível com defasagem de dois meses. Essa é a política descrita pelo Banco Central, que segue funcionando.
A leitura das reservas exige cautela. O painel recuperado para a pesquisa mostrava US$ 50,474 bilhões de reservas brutas em 11/09/2026. Esse dado não é o saldo de 20 de outubro. Reservas brutas não equivalem a recursos próprios livremente disponíveis, e não devem ser chamadas de reservas líquidas.
Em janeiro de 2026, o BCRA informou ter quitado em dezembro as operações realizadas no quarto trimestre de 2025 sob o acordo de estabilização com o Tesouro dos Estados Unidos. O teto anunciado do acordo era de US$ 20 bilhões; teto disponível não é prova de saque integral.
As escolhas cambiais afetam preços, competitividade e financiamento. Avaliá-las exige olhar o regime em vigor e seus resultados, sem declarar o fim de todas as restrições cambiais a partir de uma mudança que pode valer apenas para certas operações.
O que mudou na legislação trabalhista em 2026?
A modernização trabalhista já é a Lei 27.802, sancionada em 27/02/2026 e publicada em 6/03. Entre os instrumentos estão mecanismos de assistência laboral e incentivo à formalização. O regime de incentivo, RIFL, foi regulamentado pelo Decreto 315/2026.
O texto atualizado registra o início do Fundo de Assistência Laboral em 1º de novembro de 2026. No corte deste dossiê, 20/10, essa data ainda era futura. Não cabe atribuir ao funcionamento de um fundo efeitos observados antes de sua entrada em operação.
O governo defende que reduzir custos e incertezas pode estimular contratação formal. A crítica examina se a mudança transfere riscos ao trabalhador e enfraquece proteções. O teste desse confronto está em emprego, salários, jornadas e relações de trabalho efetivamente observados.
A reforma enfrentou questionamentos judiciais. Sem reconstituir todas as decisões e recursos, não é correto anunciar que a lei inteira está suspensa ou integralmente liberada. Tampouco a proximidade entre aprovação e queda de empregos demonstra, sozinha, que a reforma foi a causa exclusiva.
Universidades: a disputa continua depois do veto
O financiamento universitário tornou visível um conflito sobre o alcance do ajuste. O Decreto 647/2025 registra o veto à Lei 27.795 com argumentos fiscais. A história não termina ali: houve negociação e continuidade da cobrança por recomposição de recursos.
Em junho de 2026, o Conselho Interuniversitário Nacional reconheceu avanços salariais e orçamentários, mas considerou que não bastavam para cumprir integralmente a lei. Em 15 de outubro, voltou a defender mobilização por sua implementação.
Esses pronunciamentos são a posição oficial dos reitores, uma parte identificada do conflito. Não são sentenças judiciais. Revelam, porém, por que a discussão não cabe nas fórmulas de que o governo teria acabado com todas as universidades ou de que a disputa seria apenas resistência a auditorias.
A pergunta concreta é como preservar capacidade de ensino, pesquisa e permanência estudantil diante da restrição fiscal. O montante nominal destinado à universidade precisa ser lido junto dos custos e das obrigações que deve financiar.
Protestos e direitos: limites ao uso da força
Em 19 de março de 2025, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos manifestou preocupação com a violência nos protestos de aposentados na Argentina. Cobrou proteção à reunião pacífica, à liberdade de expressão e à integridade pessoal.
A cobrança tem objeto e data definidos. Não descreve automaticamente todos os protestos realizados sob Milei, mas traz um parâmetro essencial para avaliar a resposta estatal: manter a ordem não elimina o dever de proteger direitos.
Defensores do governo podem sustentar a necessidade de circulação e segurança. O exame da atuação policial precisa verificar necessidade, proporcionalidade e responsabilização por abusos. Protestar contra uma política e cometer um crime não são a mesma coisa; a avaliação deve distinguir condutas e preservar o direito à manifestação pacífica.
O caso $LIBRA: promoção, defesa e investigação
Em fevereiro de 2025, a divulgação presidencial do projeto ligado à criptomoeda $LIBRA, seguida de sua rápida crise, provocou questionamentos sobre a atuação de Milei. O caso envolve uma questão pública clara: o efeito do prestígio presidencial sobre um empreendimento privado e os vínculos de seus participantes.
O que diz a defesa presidencial?
Em comunicado de 15/02/2025, a Presidência reconheceu reuniões com pessoas ligadas à iniciativa. Afirmou que Milei divulgara um projeto privado, retirara a postagem ao conhecer a controvérsia e determinara apuração. Essa é a versão oficial de defesa, que deve ser confrontada com documentos e perícias.
O Decreto 114/2025 criou uma unidade de investigação no Executivo. Essa providência não substitui uma apuração judicial independente. Em 20/03/2026, a promotoria federal responsável informou o processamento de perícias em dispositivos e a incorporação de relatórios técnicos ao processo.
O Congresso comprovou um crime?
O registro da última reunião da comissão investigadora, em novembro de 2025, mostra que o relatório defendido pela oposição não reuniu votos suficientes para encaminhamento como conclusão da comissão ao plenário. Não se deve atribuir ao Congresso, como conclusão institucional, aquilo que foi sustentado por uma parte de seus integrantes.
E a ação encerrada nos Estados Unidos?
A cobertura de outubro de 2026 relata o encerramento de uma ação civil americana contra envolvidos no projeto. O registro de Hurlock v. Kelsier Labs consultado na pesquisa não lista Milei como réu. O alcance dessa decisão é o daquela ação; não significa uma absolvição universal de todas as condutas nem o encerramento da investigação argentina.
Não foi localizada nesta apuração condenação criminal definitiva de Milei pelo caso. Isso não dispensa investigação, assim como a existência de investigação não autoriza tratá-lo como condenado. A distinção preserva tanto a cobrança de responsabilidade quanto o significado das decisões judiciais.
Estados Unidos, Israel, Mercosul e Brasil
Milei aprofundou a aproximação com Estados Unidos e Israel. Em fevereiro de 2026, a Presidência anunciou a assinatura de um acordo comercial com os EUA. Em abril, durante visita a Israel, reiterou a aproximação com Benjamin Netanyahu e a intenção de transferir a embaixada argentina para Jerusalém.
Assinar um acordo não demonstra a implementação de todas as suas medidas; anunciar transferência de embaixada não comprova que a mudança física já ocorreu. A avaliação diplomática precisa acompanhar as etapas posteriores, compromissos assumidos e resultados concretos.
A Presidência também registrou em janeiro de 2026 a cerimônia de assinatura do acordo Mercosul–União Europeia e a necessidade de passos seguintes. A participação nesse processo mostra por que a política externa não pode ser resumida a afinidades pessoais: envolve blocos, regras de comércio e interesses econômicos.
E a relação com Lula?
O confronto político com o presidente brasileiro deve ser distinguido dos vínculos entre os países. Divergências entre governos não demonstram, por si, rompimento diplomático, fim do comércio ou encerramento da cooperação. O balanço bilateral exige atos e fluxos verificados; não há aqui uma série atual de comércio que sustente essas conclusões.
A Argentina já saiu da OMS?
O governo anunciou e notificou intenção de retirada. O documento B158(12), de fevereiro de 2026, é uma recomendação do Conselho Executivo à Assembleia Mundial da Saúde. Sem a decisão final primária da Assembleia, não é suficiente para cravar neste dossiê o status jurídico definitivo da saída.
Linha do tempo: da eleição aos dados de 2026
| Data | Marco |
|---|---|
| 2021 | Milei ingressa na Câmara dos Deputados. |
| Novembro de 2023 | Vitória presidencial da chapa Milei–Villarruel no segundo turno. |
| 10/12/2023 | Posse de Milei. |
| Dezembro de 2023 | DNU 70 abre a agenda de desregulação. |
| Junho de 2024 | Aprovação da Lei Bases e do RIGI. |
| Primeiro semestre de 2024 | Pobreza chega a 52,9% das pessoas nos aglomerados urbanos pesquisados. |
| Fevereiro de 2025 | Controvérsia $LIBRA e anúncio de apuração. |
| 11/04/2025 | Início das bandas cambiais. |
| Segundo semestre de 2025 | Pobreza medida pela EPH cai a 28,2%. |
| Março de 2026 | Publicação da Lei 27.802 de modernização trabalhista. |
| Junho–julho de 2026 | Santilli assume a Chefia de Gabinete; reorganização do Ministério do Interior. |
| Primeiro semestre de 2026 | Pobreza sobe a 32,3%; PIB cresce 2,2% sobre um ano antes. |
| Setembro de 2026 | Inflação de 1,9% no mês e 33,4% em 12 meses. |
Os indicadores semestrais e mensais indicam o período medido, não o dia de publicação. A cronologia distingue atos de governo dos resultados estatísticos que se tornaram conhecidos depois.
O que os resultados permitem cobrar do governo
A desinflação e os superávits em caixa são resultados documentados. A piora social inicial, a reversão parcial da pobreza em 2026 e a fraqueza de investimento e indústria também precisam entrar no balanço. Escolher apenas um desses grupos de dados transforma análise em torcida.
Para avaliar sustentabilidade, as perguntas seguem concretas: a atividade cresce com investimento e produtividade? A renda acompanha os preços? O emprego oferece proteção? O equilíbrio fiscal preserva serviços e capacidade futura? As regras são previsíveis e respeitam direitos?
Comparar períodos ajuda a responder, mas não basta para atribuir todo resultado a Milei. Condições herdadas, conjuntura internacional, decisões monetárias, comportamento dos agentes e diferenças setoriais também precisam ser analisados. Correlação temporal não identifica contribuição causal exclusiva.
As projeções do FMI são úteis para discutir cenários, mas não devem ser misturadas a resultados fechados do INDEC. O balanço anual de 2026 ainda não existia em 20 de outubro. A medida mais exigente para o projeto de Milei será transformar estabilização em ganhos duradouros e distribuídos, com instituições capazes de fiscalizar seus custos.
Para ir à fonte
Fontes e referências
Sobre este guia e a conferência de fontes
Texto preparado e fontes conferidas com assistência de inteligência artificial. Publicação aprovada editorialmente em 20/10/2026. Seção de opinião institucional aprovada em 20/10/2026, separada da exposição factual.
- Javier Milei: biografia política, novembro de 2023 (abre em outra aba)
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- Proclamação da chapa Milei–Villarruel, 2023 (abre em outra aba)
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- Renúncia de Manuel Adorni, 28/06/2026 (abre em outra aba)
EFE
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