AfD lidera em mais um estado alemão e Merz chama revés de desastre
Projeção em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental coloca sigla extremista com 37% dos votos e afunda a CDU do premiê no pior resultado desde 1949.

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Atualizado em 21 de setembro de 2026
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Em resumo
- A Alternativa para a Alemanha (AfD) lidera a eleição estadual em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental com 37% dos votos, segundo projeção da emissora pública ARD.
- O chanceler conservador Friedrich Merz chamou a votação de 'desastre' após a CDU obter apenas 5,5%, seu pior índice em disputas estaduais desde 1949.
- O Partido Social-Democrata (SPD) ficou em segundo lugar com 35,5%, e legendas tradicionais rejeitam compor governo de coalizão com a extrema direita.
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A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema direita, alcançou a liderança da eleição estadual em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, realizada neste domingo (20). Segundo a projeção divulgada pela emissora pública alemã ARD, a sigla registrou 37% dos votos válidos, consolidando mais uma vitória expressiva no plano regional e aprofundando a instabilidade sobre o governo federal.
O resultado provocou forte abalo na base do chanceler Friedrich Merz. A conservadora União Democrata Cristã (CDU), legenda do primeiro-ministro, atingiu apenas 5,5% da preferência dos eleitores, superando por margem mínima a cláusula de barreira necessária para ingressar no Parlamento estadual. Trata-se do pior desempenho da agremiação governista em uma eleição regional desde 1949.
Derrocada conservadora e crise de liderança de Merz
Diante da apuração desfavorável, Merz veio a público classificar o revés como "um desastre". O chanceler assumiu a responsabilidade pelo resultado de sua legenda, mas afirmou a intenção de permanecer no comando do Executivo e manter a sua agenda de reformas. Merz declarou ainda que o país necessita de "mudanças, determinação, firmeza e paciência" para enfrentar o crescimento da extrema direita.
"A Alemanha precisa de mudanças, determinação, firmeza e paciência." — Friedrich Merz, chanceler da Alemanha
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A apuração em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental revelou um quadro polarizado: o Partido Social-Democrata (SPD) alcançou 35,5% dos votos, terminando a disputa a uma diferença de 1,5 ponto percentual da AfD. Mais atrás, o Die Linke registrou 9%, os Verdes obtiveram 5% e a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW) somou 4%, enquanto outras legendas somaram 3%.
Bloqueio institucional e o contraponto na capital
Apesar do primeiro lugar conquistado nas urnas, a AfD encontra barreiras para formar maioria e comandar o Executivo estadual. As legendas tradicionais alemãs mantêm uma postura de recusa conjunta a composições ou pactos de governabilidade com o extremismo de direita, isolando a legenda na assembleia legislativa regional.
Em Berlim, que também foi às urnas no mesmo dia, o cenário partidário apresentou dinâmica diferente. A sigla de esquerda Die Linke venceu a disputa na capital alemã ao atingir 24,5% dos votos, seguida pela CDU com 20%. A AfD ocupou a terceira posição em Berlim, com 16%, registrando expansão de sua fatia em relação ao pleito anterior.
O duplo resultado deste domingo expõe o desgaste direto da política de austeridade e das reformas promovidas pelo governo de Friedrich Merz, cuja incapacidade de frear a perda de apoio popular e a queda de confiança nas instituições públicas alimenta a radicalização política no país europeu.
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