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Cobertura: Política brasileira

Amorim defende multipolaridade e BRICS contra hegemonias

Assessor especial de Lula adverte contra a divisão do planeta em áreas de influência e detalha estratégia de integração regional e tecnologia própria.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • Celso Amorim afirmou que o fim da unipolaridade liderada pelos EUA corre o risco de dar lugar a uma fragmentação do planeta em áreas de influência subordinadas a grandes potências.
  • O diplomata defendeu o fortalecimento dos BRICS e a integração física e de infraestrutura da América do Sul para assegurar margem de manobra e autonomia ao Brasil.
  • Na relação com a China e na cooperação com a Índia, Amorim destacou a exigência de transferência tecnológica, produção local de baterias e domínio de inteligência artificial de código aberto.

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Celso Amorim, então ministro das Relações Exteriores do Brasil, durante visita ao Senado polonês
Celso Amorim durante visita ao Senado da Polônia — Katarzyna Czerwińska. Wikimedia Commons · CC BY-SA

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, alertou que a superação da ordem global dominada pelos Estados Unidos enfrenta o risco de ser capturada por uma lógica de divisão do planeta em zonas subordinadas às grandes potências. Em entrevista ao programa Nocaute, da TV 247, o diplomata enfatizou que o Brasil precisa aprofundar sua inserção nos BRICS, consolidar a integração regional sul-americana e diversificar parcerias industriais e tecnológicas para garantir a soberania nacional.

Segundo Amorim, a derrocada da unipolaridade estadunidense posterior ao fim da União Soviética não gerou automaticamente uma governança equilibrada e multilateral. Diante do esvaziamento de organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC), nos quais o Brasil outrora contestou medidas unilaterais como no contencioso do algodão contra Washington, potências tradicionais têm apelado para tarifas arbitrárias e pressões de alinhamento.

Eles, de alguma maneira, mudaram um pouco a ideia do conceito de multipolaridade para olhar a ideia de áreas de influência. E aí realmente eu acho que é o maior desafio que nós temos hoje. — Celso Amorim, assessor especial da Presidência da República

BRICS e integração sul-americana contra o isolamento

Para blindar o desenvolvimento nacional desse cenário de coação imperialista, a política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva coloca a articulação com o Sul Global no centro do projeto soberano. Amorim avaliou que, mesmo com a ampliação dos BRICS tornando as negociações internas mais complexas e plurais, o bloco segue vital para fornecer alternativas diplomáticas, comerciais e monetárias que reduzam a dependência em relação a centros hegemônicos.

Na América do Sul, a meta é erguer conexões logísticas e energéticas capazes de resistir a oscilações partidárias na região. Ao sustentar que obras estruturantes não devem ser reféns de disputas ideológicas, Amorim enfatizou que o isolamento regional tornaria as nações vizinhas presas fáceis das investidas das superpotências.

Desenvolvimento industrial, minerais críticos e domínio tecnológico

A diretriz do governo federal para as parcerias estratégicas também rompe com o modelo de mero fornecedor primário. Embora a China seja o principal parceiro comercial brasileiro, Amorim ressaltou a determinação em fazer com que os investimentos asiáticos resultem em produção e valor agregado local, avançando do fornecimento agropecuário para o controle das cadeias de baterias elétricas, semicondutores e transição energética.

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Essa exigência se repete na cooperação com a Índia, onde se ampliam as conversas na área de defesa e na inserção internacional de aeronaves militares como o cargueiro KC-390, da Embraer. Ao abordar setores como inteligência artificial, o ex-chanceler frisou a prioridade em soluções de código aberto sob regulação democrática pública, evitando sistemas fechados sujeitos ao controle estrangeiro e resgatando a altivez da política externa brasileira frente às turbulências mundiais.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comCelso Amorim: “Brasil precisa fortalecer a multipolaridade para não sucumbir às áreas de influência”
  2. 2. Bluesky — Brasil 247 (@brasil247.bsky.social)Brasil 247 (@brasil247.bsky.social)
  3. 3. interessenacional.com.brO Brasil no mundo, segundo Celso Amorim - Interesse Nacional
  4. 4. opeb.orgEdição Especial: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”: Celso Amorim recebe título de Dr. Honoris Causa na UFABC