Bancada LGBT+ bate recorde com 35 parlamentares eleitas em 2026
Levantamento do Instituto Plena Cidadania registra mais de 10,7 milhões de votos e consolidação de mandatos progressistas no Congresso e nos estados.

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Em resumo
- Candidaturas LGBT+ eleitas quase dobraram de 18 para 35 nas eleições gerais de 2026, somando mais de 10,7 milhões de votos.
- Erika Hilton obteve mais de 1,5 milhão de votos em SP e se consolidou como a mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados.
- Todas as 35 parlamentares LGBT+ eleitas pertencem a legendas do campo da esquerda, com destaque para PT e PSOL.
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As urnas de 2026 consagraram uma conquista histórica para a representação popular no Brasil: 35 candidaturas LGBT+ foram eleitas para mandatos no Legislativo, recebendo juntas mais de 10,7 milhões de votos em todo o território nacional. Os dados foram consolidados no relatório "A esperança que insiste: um retrato LGBT+ nas Eleições de 2026", elaborado pelo Instituto Plena Cidadania por meio da iniciativa VoteLGBT.
O número quase dobra a marca alcançada em 2022, quando 18 lideranças haviam conquistado mandatos. A presença parlamentar dessa bancada se espalhará a partir de 2027 pelo Senado Federal, pela Câmara dos Deputados, por assembleias legislativas estaduais e pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Bancada federal triplica e Erika Hilton estabelece marca histórica
No Congresso Nacional, a representação na Câmara dos Deputados mais que triplicou, saltando de quatro parlamentares em 2022 para 13 nesta disputa. Além disso, o Senado Federal manteve uma representante no colegiado.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) consagrou-se como a mulher mais votada em uma eleição na história da Câmara dos Deputados, alcançando mais de 1,5 milhão de votos. Titular de discussões decisivas na defesa da classe trabalhadora, como a comissão pelo fim da escala 6x1, Hilton renovou o mandato com ampla consagração popular.
Ao lado dela, a deputada reeleita Duda Salabert somou mais de 229 mil votos, tornando-se a terceira parlamentar mais votada de Minas Gerais. O estado do Rio Grande do Norte também elegeu Thabatta Pimenta (PV-RN), que teve mais de 90 mil votos e se tornará a terceira mulher trans a integrar a Câmara dos Deputados.
Concentração partidária no campo progressista
Todas as 35 pessoas LGBT+ eleitas conquistaram seus mandatos em partidos de esquerda, confirmando o compromisso histórico do campo progressista com a igualdade de direitos e a cidadania plena. O levantamento do Instituto Plena Cidadania detalha que PT e PSOL reúnem 31 das 35 cadeiras conquistadas (17 e 14 mandatos, respectivamente), com bancadas complementadas por PCdoB (três eleitas) e PV (uma eleita).
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Essa composição evidencia a estrutura material de sustentação política. De acordo com o instituto, enquanto menos da metade das candidaturas LGBT+ de partidos de centro e direita obteve repasses financeiros partidários em levantamentos anteriores, mais de 80% das candidatas em agremiações de esquerda contaram com recursos para suas campanhas.
As pautas prioritárias indicadas por 87,9% das lideranças eleitas envolvem a luta antirracista, defesa dos direitos das mulheres, educação, meio ambiente, moradia digna, combate à fome e ampliação dos direitos trabalhistas.
Resistência contra a violência política de gênero e raça
O avanço expressivo ocorreu em meio a um quadro persistente de hostilidade promovido por setores reacionários. Entre as candidaturas acompanhadas pelo relatório do IPC, 94% relataram ter enfrentado episódios de violência política durante o processo eleitoral, sendo 81,8% ocorrências de natureza grave, como campanhas de difamação digital, ofensas lgbtfóbicas e ameaças.
"Os resultados dessas eleições mostram que a violência não foi capaz de impedir o avanço da representação LGBT+ na política brasileira. Pelo contrário: temos mais pessoas LGBT+ eleitas, mais diversidade nos espaços de poder e milhões de brasileiros e brasileiras dizendo, pelo voto, que querem essa presença na democracia", destacou Gui Mohallem, da direção executiva do Instituto Plena Cidadania.
Com a posse marcada para 2027, as parlamentares eleitas fortalecem a base democrática voltada para a transformação social e a preservação de conquistas históricas, projetando uma atuação legislativa alinhada à justiça distributiva e aos direitos de toda a população brasileira.
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