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Cobertura: STF

Celso de Mello e juristas alertam contra ofensiva de Flávio à Constituição

Ex-ministro do STF e juristas apontam limites constitucionais contra plano de Flávio Bolsonaro de usar bancada para desfigurar a Constituição de 1988.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • Celso de Mello criticou proposta de Flávio Bolsonaro de mudar a Carta e frisou que eleição não dá cheque em branco contra a democracia.
  • Jurista Lenio Streck destacou que cláusulas pétreas e autonomia institucional impedem desmonte de direitos e do Judiciário por emendas.
  • Bancada do PL terá 121 deputados e 28 senadores em 2027, exigindo composição ampla com o Centrão para tentar atingir quóruns de emenda.

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Retrato do ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal — Fernando2jr. Wikimedia Commons · domínio público

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

A declaração do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sobre usar a futura bancada de direita no Congresso Nacional para mudar a Constituição provocou reações contundentes do meio jurídico nesta quarta-feira (7). Em ato político em Goiânia no qual recebeu o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), Flávio defendeu alterar o texto constitucional sob o pretexto de “redemocratizar esse país”. A ofensiva foi classificada pelo ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello como “grave e inquietante”.

Em manifestação à coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, segundo registrou o Diário do Centro do Mundo, Celso de Mello contestou a tentativa de transformar o resultado das urnas em um salvo-conduto autoritário.

A Constituição da República não pode ser objeto de um ‘cheque em branco eleitoral’.
— Celso de Mello, ex-presidente do STF

O ex-ministro destacou que o país vive sob plena normalidade democrática, com pluralismo e disputas eleitorais livres, rechaçando pretensões autocráticas que busquem enfraquecer a proteção a minorias e a populações vulneráveis.

Limites constitucionais barram retrocessos

O alcance do projeto bolsonarista também esbarra em barreiras jurídicas materiais. Em entrevista a CartaCapital, o jurista Lenio Streck esclareceu que o Congresso exerce apenas poder constituinte derivado, sendo obrigado a respeitar as cláusulas pétreas. Streck explicou que a estrutura constitucional protege tanto direitos fundamentais quanto a independência e autonomia financeira do Ministério Público e do Judiciário, impedindo desmontes como a redução da maioridade penal ou o ataque a garantias sociais.

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Além das travas materiais, a matemática legislativa impõe restrições ao avanço do extremismo. Para aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), são necessários 308 votos na Câmara dos Deputados e 49 no Senado, em dois turnos de votação. Embora o PL tenha conquistado 121 cadeiras na Câmara e 28 no Senado para 2027, o grupo necessitaria negociar com blocos do Centrão para viabilizar qualquer proposta, o que contrasta com a retórica de imposição unilateral.

Eleição não autoriza ruptura institucional

O risco democrático de tentar subordinar os poderes da República também foi apontado pelo constitucionalista Diego Werneck Arguelhes, diretor da Faculdade de Direito do Insper. Em análise concedida ao ICL Notícias, Arguelhes frisou que os eleitores foram às urnas escolher representantes sob as regras da Constituição vigente, e não para autorizar a substituição da Carta Magna.

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Enquanto a extrema direita tenta reeditar práticas de intimidação institucional e desgaste das garantias republicanas, a preservação do pacto social de 1988 consolida-se como o escudo indispensável para salvaguardar os direitos do povo e a soberania do país.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. diariodocentrodomundo.com.brO alerta de ex-ministro do STF sobre Flávio e "reforma da Constituição"
  2. 2. cartacapital.com.brHá obstáculos ao plano de Flávio Bolsonaro para mudar a Constituição, explica Lenio Streck
  3. 3. iclnoticias.com.brEspecialista vê risco em plano de Flávio: 'Pessoas não foram às urnas para mudar de Constituição' - ICL Notícias