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Cobertura: STF

Celular de Vorcaro cita pagamentos a filho de Nunes Marques e ministro recua no STF

Diálogos apreendidos pela PF mostram diretor do Banco Master citando R$ 500 mil mensais associados a Kevin Marques após julgamento bilionário de precatórios.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • Mensagens do celular de Daniel Vorcaro revelam menções a pagamentos mensais de R$ 500 mil associados a Kevin Marques, advogado e filho do ministro Kassio Nunes Marques.
  • O contato de Kevin foi compartilhado pelo diretor jurídico do Banco Master logo após o STF decidir caso bilionário de precatórios sucroalcooleiros favorável a interesses do banco.
  • Nunes Marques declarou-se impedido para julgar o pedido de investigação contra Alexandre de Moraes, alegando a presidência do TSE e o impacto eleitoral.

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A revelação de diálogos extraídos do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pela Polícia Federal expôs uma intrincada teia de contatos e valores que atingem diretamente o gabinete do ministro Kassio Nunes Marques, indicado ao Supremo Tribunal Federal por Jair Bolsonaro. Diante da entrega do material aos integrantes da Corte, Nunes Marques abriu a sessão plenária de terça-feira (15) anunciando seu impedimento para participar do julgamento que discute a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, alegando preocupações com a proximidade das eleições presidenciais e sua função como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As conversas recuperadas pelos investigadores mostram tratativas entre Vorcaro, então controlador do Banco Master, e o ex-diretor jurídico da instituição, Luiz Rennó. O material registra menções expressas a repasses que chegariam a R$ 500 mil mensais relacionados ao advogado Kevin Marques, filho do magistrado.

Precatórios bilionários e a mensagem sobre controle

O primeiro registro documentado nos arquivos da PF data de 1º de outubro de 2024, quando o plenário do STF julgou favoravelmente a empresas do setor sucroalcooleiro uma disputa histórica contra a União referente a perdas de décadas passadas. O julgamento envolvia a destilaria Alcídia, da qual dependia a valorização de uma carteira de precatórios estimada em cerca de R$ 10 bilhões mantida no balanço do Master.

Na ocasião, a tese venceu por 3 a 2, com os votos de Edson Fachin, Dias Toffoli e do próprio Nunes Marques — que havia revisto uma declaração anterior de impedimento no caso. Logo após a proclamação do resultado, Rennó comemorou o desfecho junto a Vorcaro e, em seguida, encaminhou uma captura de tela com o contato telefônico do filho do ministro, acompanhada de uma frase direta: "Dominado aqui".

Os diálogos avançaram nos meses seguintes com menções a cifras contínuas. Em 4 de julho de 2025, Rennó reencaminhou o contato de Kevin Marques para Vorcaro com uma pergunta explícita sobre a continuidade dos repasses:

"Esse aqui – 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era, né?" — Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Banco Master, em mensagem a Daniel Vorcaro

Vorcaro respondeu apenas com risos. Semanas depois, em 8 de agosto, o executivo voltou ao tema ao elencar pendências financeiras prioritárias da instituição, apontando que entre os compromissos essenciais pendentes estava a empresa Consult Inteligência Tributária: "Aqui. Esse aí. Único 'meu' que faltou". A referida consultoria, apontam os autos, recebeu R$ 6,6 milhões do Master e compartilha endereço de e-mail com instituto ligado a Kevin.

Recuo no plenário e a tentativa de isolar o desgaste

No plenário do Supremo, Nunes Marques procurou afastar ilações sobre sua conduta e a de seu familiar antes de confirmar a saída do julgamento. O magistrado sustentou não possuir vínculos com o banqueiro e afirmou que as contas de Kevin já passaram pelo crivo das apurações.

"Em relação a mensagens que circulam, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Isso é fato. O sigilo bancário já foi quebrado. Não adianta especular. Contra fatos não há argumentos." — Kassio Nunes Marques, ministro do STF

Apesar da negativa formal de irregularidades, Nunes Marques admitiu o desconforto institucional provocado pelo caso e justificou a retirada da pauta afirmando que sua prioridade é o comando da Justiça Eleitoral a poucas semanas da votação de 2026. "Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável e afirmo meu impedimento", declarou o ministro ao deixar o plenário.

Em nota oficial, a defesa de Kevin Marques sustentou que o jovem advogado, de 25 anos, jamais prestou serviços para a instituição financeira ou recebeu recursos diretamente de Vorcaro. A assessoria confirmou, contudo, o recebimento de R$ 281,6 mil pagos pela Consult Inteligência Tributária a título de honorários por serviços jurídicos em matéria tributária administrativa, declarando que esses trabalhos não guardam relação com causas em tramitação no STF.

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Enquanto setores da oposição e figuras do bolsonarismo articulam manobras para instrumentalizar vazamentos e tentar desestabilizar os pilares do Judiciário e o calendário democrático, a revelação concreta dessas mensagens põe a nu como a especulação financeira operada por banqueiros utilizou conexões políticas estreitas com indicados da extrema direita para resguardar interesses privados bilionários em detrimento dos cofres públicos.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comNunes Marques se declara impedido para julgar pedido de investigação de Alexandre de Moraes
  2. 2. diariodocentrodomundo.com.brMensagens de Vorcaro indicam mesada de R$ 500 mil a filho de Nunes Marques
  3. 3. cartacapital.com.brNunes Marques se declara impedido de julgar Moraes e cita ‘impacto’ na eleição
  4. 4. metropoles.comCelular de Vorcaro cita R$ 500 mil para filho de Nunes Marques; veja prints