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Cobertura: Eleições 2026

Cúpulas evangélicas articulam aliança eleitoral para blindar privilégios

Lideranças da Universal e das Assembleias de Deus unem forças pela bancada conservadora, mirando isenções fiscais e anistia a golpistas.

BEM10 TV
Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • Bispos e pastores de diferentes denominações articulam candidaturas conservadoras ao Legislativo para ampliar a bancada evangélica.
  • Marcelo Crivella promete lutar pela isenção fiscal ampla a templos e pelo impeachment do ministro Alexandre de Moraes se eleito ao Senado.
  • A cúpula da Universal lançou campanha de 52 dias via aplicativo para mobilizar fiéis e multiplicar votos em aliados alinhados à direita.

4 min de leitura

Silas Malafaia em discurso em Brasília
Silas Malafaia em discurso em Brasília — Valter Campanato/ABr. Wikimedia Commons · CC BY

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

Na reta final da campanha eleitoral para o primeiro turno de 2026, cúpulas de grandes denominações religiosas intensificaram uma ofensiva coordenada para converter templos em palanques. O bispo Honorilton Gonçalves, responsável pela Igreja Universal do Reino de Deus no Rio de Janeiro, divulgou vídeo tocando uma trombeta como um suposto alerta sagrado contra o avanço das forças progressistas, convocando fiéis a votarem em massa em nomes da bancada conservadora, segundo reportagem do ICL Notícias.

Ao lado de Gonçalves estavam os candidatos ao Senado pelo estado Marcelo Crivella (Republicanos), bispo licenciado da Universal e sobrinho de Edir Macedo, e o pastor Marcos Dias (Podemos), ligado à catedral das Assembleias de Deus de Santa Cruz. A aliança sela a integração entre correntes neopentecostais e pentecostais em torno de um projeto pragmático de poder que busca se contrapor ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja gestão prioriza a inclusão social e a defesa da soberania nacional.

Interesses corporativos e pauta antidemocrática

Por trás do discurso moralista de “guerra contra o mal”, a articulação revela interesses estritamente materiais e corporativos. Entre os principais objetivos dos líderes religiosos está a aprovação de novos benefícios financeiros e a ampliação do controle orçamentário por meio de emendas parlamentares federais.

O próprio Crivella deixa evidente a motivação econômica de sua campanha ao Senado. Caso eleito, ele promete aprovar a extensão de imunidade fiscal completa a templos, entidades filantrópicas e comunidades terapêuticas, projeto de sua autoria aprovado anteriormente na Câmara dos Deputados. O discurso corporativo se soma à ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal e contra a responsabilização dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

"Pretendo aprovar no Senado, se eleito, a lei que já aprovei na Câmara dos Deputados que dá imunidade completa aos templos religiosos, às entidades filantrópicas e às comunidades terapêuticas." — Marcelo Crivella, candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro, segundo o ICL Notícias.

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Foto do evento evangélico Gideões
Encontro dos Gideões Missionários da Última Hora — Nagawashima. Wikimedia Commons · CC BY-SA

Além de defender privilégios tributários para as instituições que representa, Crivella gravou vídeos ao lado do bispo Gonçalves prometendo votar a favor do impeachment do ministro Alexandre de Moraes e defender anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado contra as instituições democráticas.

Máquina eleitoral e apoio ao bolsonarismo

A ofensiva eleitoral conta com estruturas organizadas de doutrinação diária de fiéis. A Universal lançou em 13 de agosto a mobilização “Desafio de Neemias”, convocando obreiros e voluntários para uma jornada de 52 dias de doutrinação política até a votação do dia 4 de outubro, com distribuição de material eleitoral de bispos e pastores por meio de aplicativo próprio.

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As principais análises políticas e geopolíticas da BEM10.TV, reunidas por e-mail em duas edições por semana.

Paralelamente à ofensiva pelo parlamento, as cúpulas conservadoras se posicionam no cenário presidencial. Enquanto alas das Assembleias de Deus e líderes como Silas Malafaia endossam o bolsonarismo, a mobilização por vagas no Congresso foca em garantir imunidade jurídica e privilégios fiscais. Contra essa instrumentalização da fé, as políticas públicas universais e as medidas sociais sustentadas pelo governo Lula permanecem como a resposta material efetiva para melhorar a vida do trabalhador, sem exigir em troca lealdade partidária nos altares.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. iclnoticias.com.brGuerra religiosa: Igrejas se unem para garantir eleição de evangélicos conservadores
  2. 2. g1.globo.comPor que Maria é tratada de forma diferente por católicos e evangélicos | G1