Datafolha: 76% veem poder excessivo no STF, mas 71% defendem a Corte
Levantamento mostra que a crítica à atuação individual dos magistrados convive com o reconhecimento popular do Supremo como garantia democrática.

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Em resumo
- Pesquisa Datafolha aponta que 76% dos entrevistados consideram excessivo o poder exercido pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.
- Mesmo com as críticas, 71% dos brasileiros afirmam expressamente que o STF é essencial para a proteção da democracia no país.
- Entre os eleitores do presidente Lula, a defesa do tribunal sobe para 81%, evidenciando a consciência democrática da base progressista.
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Levantamento do Datafolha divulgado neste sábado (12) aponta que 76% dos brasileiros avaliam que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) concentram poder excessivo. Ao mesmo tempo em que aponta esse descontentamento com as condutas individuais e a dinâmica interna da Corte, o levantamento demonstra a força da institucionalidade: 71% dos entrevistados afirmam de forma taxativa que o tribunal é essencial para a proteção do regime democrático no Brasil.
Realizada entre terça-feira (8) e quinta-feira (10) com 2.002 eleitores em 125 municípios, a sondagem encomendada pelo jornal Folha de S.Paulo e pela TV Globo registrou que 77% concordam que a população acredita menos no STF atualmente do que em períodos anteriores. Esse diagnóstico de desgaste repete patamares verificados em abril, o que indica estabilidade na avaliação pública estrutural antes do desfecho das disputas recentes.
Consciência democrática e recorte eleitoral
A desagregação das respostas segundo a preferência de voto explicita o contraste entre a postura republicana dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ofensiva movida por setores ligados à extrema direita. Enquanto 81% dos eleitores de Lula destacam o Supremo como salvaguarda da ordem democrática — e 67% apontam excesso de poder —, no campo que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) o índice dos que apontam poderes excessivos chega a 85%, com menor adesão à importância do órgão (63%).
A clareza da população sobre os pilares constitucionais se reflete também na impermeabilidade do processo político às disputas palacianas. Segundo o Datafolha, 85% dos entrevistados declararam que as acusações e polêmicas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes não alteraram sua escolha eleitoral. Proporção semelhante, de 86%, afirmou o mesmo a respeito dos questionamentos que atingem o ministro André Mendonça.
Disputas regimentais e o caso Banco Master
A divulgação da sondagem coincide com tensões regimentais internas decorrentes dos desdobramentos de investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O impasse se intensificou em 1º de setembro, quando André Mendonça, relator do processo, tornou público relatório da PF contendo mensagens unilaterais dirigidas a Moraes antes da prisão do empresário em novembro de 2025, sem registros de resposta do ministro.
"as pessoas acreditam menos no STF agora do que no passado" Datafolha, em pergunta avaliativa sobre a confiança pública na instituição
Em resposta à atuação de Mendonça, Moraes sustentou perante o tribunal a existência de indícios de favorecimento político e abuso de autoridade na condução dos procedimentos, levando a uma série de despachos conflitantes que envolveram a chefia da corporação policial. No último dia 8, Mendonça ordenou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, medida anulada no dia seguinte por determinação do ministro Flávio Dino.
Reação institucional e o compromisso republicano
Para restabelecer a normalidade processual e barrar a escalada de decisões monocráticas, o presidente do Supremo, Edson Fachin, suspendeu tanto a ordem de afastamento quanto a de recondução, mantendo a direção da PF em suas funções regulares. Fachin também convocou uma sessão extraordinária do plenário para a próxima terça-feira (15), com o objetivo de analisar colegiadamente os relatórios sobre as mensagens e fixar as diretrizes do caso, além de retirar apurações cruzadas das mãos dos ministros envolvidos.
O quadro atesta que, longe de enfraquecer o compromisso com os direitos sociais e a ordem jurídica construída após a posse do governo Lula, a sociedade brasileira distingue a necessidade de aperfeiçoamento da prática jurídica da preservação intransigente das instituições republicanas frente aos interesses corporativos e às investidas de grupos antidemocráticos.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comDatafolha: 76% veem poder excessivo em ministros do STF
- 2. diariodocentrodomundo.com.brDatafolha: 76% dizem que ministros do STF têm poder excessivo
- 3. g1.globo.comDatafolha: 76% dizem que ministros do STF têm poder demais | G1
- 4. brasil247.com76% consideram que ministros do STF têm poder excessivo, aponta Datafolha
