Defesa de Flávio tentou 4 vezes tirar Dark Horse de Dino
Advogados buscaram levar a André Mendonça a apuração sobre emendas ligadas à produtora do filme; operação da PF foi autorizada por Flávio Dino.

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Em resumo
- A defesa de Flávio Bolsonaro apresentou quatro pedidos para transferir de Flávio Dino para André Mendonça a apuração sobre emendas ligadas à produtora de “Dark Horse”.
- Os requerimentos foram protocolados entre 13 e 29 de julho de 2026 e dirigidos ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao próprio Dino.
- A estratégia não impediu a operação da Polícia Federal de 10 de setembro, autorizada por Dino, com 49 mandados de busca e apreensão.
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A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou quatro pedidos ao Supremo Tribunal Federal (STF), entre 13 e 29 de julho de 2026, para retirar do ministro Flávio Dino a investigação sobre emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produtora de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os advogados queriam transferir o caso para André Mendonça, indicado à Corte pelo próprio ex-presidente.
A movimentação ganhou relevância após a Polícia Federal cumprir 49 mandados de busca e apreensão, em 10 de setembro, na apuração autorizada por Dino — justamente a frente que a defesa tentou deslocar. Segundo o Brasil 247, a operação investiga um possível esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares.
Quatro pedidos para mudar a relatoria
As duas primeiras manifestações da defesa foram encaminhadas ao presidente do STF, Edson Fachin. Outras duas foram dirigidas diretamente a Dino. O objetivo era transferir a Petição 16.070 para Mendonça, que já conduzia outros procedimentos relacionados ao filme.
Os advogados acusaram os responsáveis por levar o caso à ADPF 854 de tentar criar uma competência artificial para Dino. A defesa sustentou que a investigação deveria ter sido distribuída de forma autônoma e encaminhada a Mendonça por prevenção.
A disputa pela relatoria possui um dado político objetivo: André Mendonça foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro, personagem central da cinebiografia, enquanto Flávio Dino foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O vínculo, por si só, não define a competência judicial, mas evidencia que a equipe de Flávio tentou levar a apuração para um ministro escolhido por seu próprio pai.
Emendas levaram a investigação a Dino
A frente mantida com Dino trata especificamente do possível uso indevido de emendas parlamentares, matéria relacionada às decisões do ministro sobre transparência e rastreabilidade desses recursos. O caso chegou ao Supremo por iniciativa da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) e do deputado Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), que apontaram possível desvio de finalidade e descumprimento das regras estabelecidas pela Corte.
Na operação, foram alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor-executivo de “Dark Horse”, e Karina Gama, proprietária da Go Up Entertainment, produtora da obra. A PF informou ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas relacionadas ao esquema investigado. As suspeitas envolvem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
O fluxo descrito pela investigação inclui R$ 2 milhões em emendas de Frias destinados ao Instituto Conhecer Brasil. Segundo o Poder360, a apuração identificou ainda pagamentos de R$ 700 mil do instituto a duas empresas, uma transferência de R$ 750 mil de uma companhia do mesmo grupo empresarial para a Go Up e outros R$ 645,4 mil enviados pelo próprio deputado à produtora.
Recursos privados e dinheiro público sob apuração
Outras frentes relacionadas a “Dark Horse” investigam repasses de R$ 62,8 milhões realizados por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro, além da eventual destinação de parte desses recursos para manter Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
O senador tem declarado publicamente que houve “zero dinheiro público” no financiamento da cinebiografia. A afirmação contrasta com o objeto da apuração mantida por Dino: o possível caminho de emendas parlamentares até entidades e empresas relacionadas à produtora do filme.
Ao permanecer responsável pela frente ligada às emendas, Dino, indicado ao STF por Lula, autorizou o avanço das diligências voltadas ao rastreamento do dinheiro público. As quatro tentativas da defesa de Flávio expõem uma contradição do bolsonarismo: enquanto seus integrantes negam recursos públicos na obra destinada a promover Jair Bolsonaro, buscaram afastar do caso o ministro responsável justamente por fiscalizar a transparência e a destinação dessas verbas.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comDefesa de Flávio Bolsonaro tentou tirar caso Dark Horse de Dino e transferir inquérito para Mendonça
- 2. diariodocentrodomundo.com.brDefesa de Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes tirar caso “Dark Horse” de Dino
- 3. g1.globo.comDefesa de Flávio Bolsonaro tentou quatro vezes redirecionar de Dino para Mendonça investigação sobre
- 4. poder360.com.brDefesa de Flávio pediu 4 vezes para Mendonça relatar caso “Dark Horse”
