Dona do Claude promete PIB mágico de +R$ 230 Trilhões nos EUA se IA promover demissões em massa
A Anthropic desenhou um cenário em que a IA faz a economia americana disparar até 2030, mas confessa que a riqueza vai direta para o bolso do capital.

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Em resumo
- No cenário extremo da Anthropic, o PIB dos EUA subiria 32,4% até 2030, mas o desemprego geral alcançaria 12% e até 18% entre profissionais de conhecimento.
- A própria dona do Claude admite que a fatia da renda nacional voltada aos trabalhadores encolheria de 60% para 45%, turbinando os donos do capital.
- Economistas independentes rebatem a fantasia de crescimento anual de 15% e alertam para os gargalos físicos, energéticos e sociais ignorados pela empresa.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Quem vende a tecnologia costuma ter o dom da profecia mais conveniente do mercado. A Anthropic, empresa criadora do assistente virtual Claude, resolveu divulgar projeções sobre o impacto da inteligência artificial na economia dos Estados Unidos até 2030. No cenário mais esticado pela imaginação de seus pesquisadores, batizado de "extremo", a economia norte-americana saltaria nada menos que 32,4% acima de uma trajetória sem a tecnologia, empurrando o Produto Interno Bruto para US$ 44,4 trilhões.
A mágica seria sustentada por um crescimento de 15% ao ano, capaz de dobrar o PIB do país a cada quatro anos e meio. No papel da propaganda, parece o paraíso da produtividade. Mas basta virar a página do relatório elaborado pela equipe liderada pelo economista Anton Korinek para constatar a fatura cobrada por esse suposto salto: demissões massivas, achatamento salarial de trabalhadores qualificados e transferência direta de renda para os proprietários de servidores, dados e chips.
A conta do milagre: demissão em massa e fábula da requalificação
Nas letras miúdas do modelo desenhado pela própria Anthropic, o cenário que entrega 15% de crescimento anual vem acompanhado de um salto desastroso no desemprego geral para a casa dos 12%, superando períodos de recessão profunda. Entre os trabalhadores do setor cognitivo — programadores, analistas e atendentes —, o desemprego bateria quase 18%, com queda superior a 10% nas remunerações da categoria.
A saída oferecida pelos teóricos do Vale do Silício beira o escárnio: sugerem que programadores e operadores de teleatendimento dispensados pela máquina migrem suavemente para profissões que demandam trabalho físico, como eletricistas ou enfermagem. Como se a reconversão profissional de milhões de pessoas fosse um passe de mágica sem custos, tempo ou traumas sociais, os idealizadores do estudo apenas anotam que o processo de transição pode ser "lento" e prolongado.
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Economistas cobram os pés no chão da realidade material
A peça publicitária travestida de exercício prospectivo não convenceu especialistas que olham para o mundo fora dos escritórios da Califórnia. Economistas como Ben Moll, da London School of Economics, e Alex Imas, da Universidade de Chicago, contestaram com veemência a ideia de que a IA possa gerar taxas anuais de crescimento de dois dígitos, classificando tal hipótese nos próximos 10 a 15 anos como extremamente improvável.
Moll e Imas chegaram a firmar uma aposta pública de que o crescimento per capita real dos Estados Unidos permanecerá abaixo de 15% em todos os anos até 2033. A razão é simples: a maior parte da economia mundial continua dependente do trabalho manual, da infraestrutura física e de cadeias materiais complexas. Além disso, data centers exigem redes elétricas robustas, usinas dedicadas e anos de obras pesadas, limites físicos que planilhas entusiasmadas costumam ignorar solenemente.
O que sobra da profecia da Anthropic é o velho receituário da concentração: pregar um futuro abundante em números abstratos para justificar, no presente, a captação bilionária de investimentos e o ataque direto aos direitos e salários da classe trabalhadora.
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Fontes desta notícia
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