Pular para o conteúdo
Cobertura: Geopolítica

Ed Sheeran perde atrações de turnê após expulsar rapper pró-Gaza

Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda Beoga cancelaram suas participações na turnê após Macklemore ser retirado por defender o povo palestino.

BEM10 TV
Redação BEM10 TV

Núcleo editorial

Leitura rápida

Em resumo

  • Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a banda Beoga cancelaram suas participações na turnê de Ed Sheeran nesta terça-feira (15).
  • A debandada ocorreu após a expulsão do rapper Macklemore, retirado dos shows por se manifestar contra o massacre em Gaza.
  • Com a saída conjunta, Sheeran perdeu todos os artistas de apoio de sua turnê internacional, que vai até 11 de dezembro.

4 min de leitura

Ed Sheeran
Ed Sheeran — Eva Rinaldi from Sydney, Australia. Wikimedia Commons · CC BY-SA

Ouça esta leitura

Duração disponível ao iniciar

Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

A tentativa da indústria do entretenimento corporativo de calar vozes dissidentes sobre o massacre em Gaza gerou uma crise generalizada na turnê mundial de Ed Sheeran. Nesta terça-feira (15), os cantores Finneas, Aaron Rowe e Lukas Graham, além do grupo irlandês Beoga, anunciaram o cancelamento de todas as suas participações nos espetáculos do britânico. A decisão coletiva ocorre exatamente um dia após a expulsão do rapper Macklemore, cortado da série de shows após manifestar solidariedade ao povo palestino.

Com as quatro desistências simultâneas, Sheeran perdeu integralmente todos os artistas convidados para abrir suas apresentações, cuja programação segue até o dia 11 de dezembro. Entre as datas afetadas estão os shows previstos para São Paulo, nos dias 5 e 6 de dezembro, onde Finneas seria o responsável pela abertura. Já a banda Beoga, além do show inicial, participava ativamente do repertório principal do anfitrião em blocos dedicados à música tradicional irlandesa.

Censura e pressão do lobby pró-Israel

A crise foi deflagrada na segunda-feira (14), quando a expulsão de Macklemore foi consumada pela promotora Messina Touring Group após pressões de administradores de arenas nos Estados Unidos. O motivo foi uma intervenção realizada pelo artista em 4 de setembro, ocasião em que proferiu as palavras “Free Palestine” (Palestina Livre) no palco e ressaltou que as populações sob bombardeio em Gaza e na Cisjordânia ocupada não seriam esquecidas.

A declaração foi alvo de uma investida coordenada pelo Conselho Israelense-Americano (Israeli American Council), que organizou uma petição para afastar o rapper dos palcos. Pressionada pelo lobby, a produção da turnê optou por rescindir a participação de Macklemore. Diante da medida, o artista declarou publicamente que o foco das atenções não deveria recair sobre a sua carreira, mas sobre a tragédia humana imposta ao território palestino:

Antes de começar, quero dizer algo que deveria ser óbvio. Neste momento, acho que isso importa. Eu não sou uma vítima. As vítimas são o povo palestino. — Macklemore, em publicação no Instagram

Sheeran buscou se esquivar do episódio alegando que a decisão não partiu dele, mas sim da promotora Messina Touring Group, e declarou possuir posições pessoais que prefere não expor em público. A justificativa, no entanto, não conteve a indignação dos demais integrantes da equipe artística.

Solidariedade anticolonial e denúncia de crimes de guerra

Ao oficializarem a saída, os quatro artistas divulgaram mensagens de apoio irrestrito aos direitos da população palestina e de repúdio à perseguição política. Finneas destacou em suas redes sociais que criadores culturais não podem sofrer retaliações por combater violações de direitos humanos. No mesmo sentido, Lukas Graham enfatizou a urgência de denunciar assassinatos de civis e de crianças, independentemente de fronteiras.

A reação mais contundente veio dos artistas irlandeses, que articularam sua solidariedade a partir da própria memória de luta contra a opressão colonial britânica. Aaron Rowe ressaltou que os irlandeses conhecem de perto a história de fome imposta, genocídio e ocupação armada. Em comunicado oficial, a banda Beoga — fundadora do coletivo Artistas Irlandeses pela Palestina — reafirmou sua posição anticolonialista e seu compromisso permanente com a justiça histórica.

Leitura que volta até você

Carta do Bemvindo

As principais análises políticas e geopolíticas da BEM10.TV, reunidas por e-mail em duas edições por semana.

O protesto unificado dos músicos ecoa as conclusões técnicas da comunidade internacional sobre o massacre em curso no enclave. Em junho, um comitê de investigação independente das Nações Unidas constatou que as forças armadas de Israel alvejaram crianças deliberadamente, acumulando evidências de genocídio, crimes de guerra e extermínio sistemático contra civis. O documento oficial registrou que ao menos 20 mil crianças constavam entre os cerca de 73 mil mortos computados até o levantamento, expondo a gravidade das denúncias que a indústria do entretenimento tentou, sem sucesso, varrer do palco.

Comentários

Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.

Espaço dos membros

Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.

A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.

Quero ser membro

Carregando comentários…

Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. iclnoticias.com.brArtistas desistem de abrir shows de Ed Sheeran após expulsão de rapper pró-Palestina - ICL Notícias
  2. 2. g1.globo.comEd Sheeran: artistas deixam turnê após expulsão de Macklemore | G1