Em Curitiba, Lula cobra padrão ético no STF, transparência no caso Master e critica "vazamentos seletivos"
Presidente defende investigação integral, critica vazamentos seletivos e cobra conduta acima da média de integrantes do STF.

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Em resumo
- Lula afirmou que o cargo de ministro do STF exige dedicação pública e não pode ser caminho para enriquecimento.
- O presidente pediu a retirada integral dos sigilos e criticou a divulgação seletiva de documentos do caso Master.
- Procedimentos tornados públicos alcançam relações de Vorcaro no Judiciário e uma investigação envolvendo Flávio e Eduardo Bolsonaro.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu neste sábado, 12 de setembro, em Curitiba (PR), o aprofundamento das investigações sobre as relações entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro no centro do caso Master. Lula cobrou transparência integral e afirmou que a autoridade de um ministro da Suprema Corte exige dedicação ao interesse público, não enriquecimento.
“Ninguém pode ser ministro da Suprema Corte para ficar rico. Aquilo é um sacerdócio.” — Luiz Inácio Lula da Silva, durante comício em Curitiba
Ao associar o cargo a um “padrão de comportamento acima da média da sociedade”, Lula ressaltou a responsabilidade de quem ocupa a instância máxima do Judiciário. A posição preserva a importância institucional do STF, mas rejeita privilégios, vazamentos seletivos e qualquer tentativa de usar o poder público como proteção para interesses privados.
Lula defende abertura integral das investigações
O presidente afirmou ter conversado com o presidente do STF, Edson Fachin, e pedido a retirada de todos os sigilos relacionados ao caso Master. Também criticou a divulgação de peças isoladas dos inquéritos, selecionadas sem a apresentação do conjunto dos autos.
“Não é possível o cidadão, que é o juiz relator, ficar soltando matérias pinçadas, somente daquilo que interessava a ele”, declarou Lula, segundo o Poder360.
A defesa da transparência integral encontra respaldo na atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que pediu a abertura dos procedimentos e alertou que uma divulgação parcial poderia produzir uma percepção distorcida de transparência. Fachin determinou o envio da íntegra dos autos à Presidência do STF e aos gabinetes dos ministros, enquanto André Mendonça retirou o sigilo de dezenas de procedimentos.
Caso Master alcança o Judiciário e o bolsonarismo
A crise envolve relatórios da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, além de registros relativos a um contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. Outros documentos apontaram suspeitas sobre a condução, por André Mendonça, das operações Sem Desconto e Compliance Zero. As informações provocaram acusações recíprocas e pedidos de abertura completa dos autos no STF, conforme relatado pelo g1.
Entre os procedimentos retirados do sigilo está a investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a Polícia Federal, conforme reportagem do Poder360, Flávio Bolsonaro teria atuado como elo com Vorcaro na captação de recursos para a obra, e o dinheiro teria sido posteriormente administrado por Eduardo Bolsonaro.
Lula vinculou a ascensão de Vorcaro ao governo Jair Bolsonaro e afirmou que a família do ex-presidente não escapará das investigações. “A quadrilha foi montada no governo Bolsonaro. Criaram um banqueiro e nós prendemos esse banqueiro”, disse o presidente, segundo o Brasil 247.
A declaração aponta para a dimensão política do caso: além das relações no sistema financeiro e no Judiciário, os documentos já tornados públicos alcançam integrantes do núcleo familiar de Bolsonaro e ajudam a identificar quem se beneficiou da expansão do Banco Master e de sua influência sobre diferentes centros de poder.
Responsabilidade sem blindagem familiar
Lula também estendeu o princípio da responsabilização ao próprio campo familiar. Ao mencionar Fábio Luís Lula da Silva, investigado em três inquéritos no Supremo, o presidente afirmou que a regra vale para ele, para o filho e para qualquer ministro da Corte. Lula declarou acreditar na inocência de Fábio Luís, mas deixou claro que não haverá proteção caso alguma irregularidade seja comprovada.
A postura contrasta com a lógica de blindagem familiar consolidada durante o governo Bolsonaro, agora novamente confrontado por investigações que alcançam Flávio e Eduardo Bolsonaro. Ao cobrar a publicidade integral dos documentos e defender o mesmo padrão para familiares, banqueiros, magistrados e agentes políticos, Lula reafirma um compromisso republicano: o poder público não pode servir ao enriquecimento privado nem à construção de zonas de impunidade.
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