Erika Hilton defende pautas materiais contra ofensiva de big techs e extrema direita
Reeleita como a mulher mais votada da história da Câmara, deputada aponta fim da escala 6x1 e defesa do povo trabalhador como caminho contra o ódio conservador.

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Em resumo
- Erika Hilton conquistou 1.596.472 votos em São Paulo e se tornou a mulher mais votada da história para a Câmara dos Deputados.
- A parlamentar alertou sobre a ofensiva global de big techs e dos EUA para culpar mulheres e minorias pela precarização do capitalismo.
- Hilton defendeu a mobilização popular e destacou a redução da jornada sem perda salarial apoiada pelo governo Lula rumo ao segundo turno.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) celebrou o avanço das mulheres de esquerda no Parlamento e avaliou que a disputa contra o crescimento da extrema direita passa pela defesa firme das condições de vida do povo trabalhador. Reeleita no último domingo com 1.596.472 votos, Hilton tornou-se a mulher mais votada em toda a história da Câmara dos Deputados, combinando a representatividade com a defesa intransigente de direitos sociais e trabalhistas, segundo destacou em entrevista ao Brasil de Fato.
A vitória histórica de Hilton ocorre em um cenário no qual a presença feminina na Câmara dos Deputados aumentou para 109 cadeiras a partir de 2027 — ocupando 21,2% do Legislativo, acima das 91 eleitas em 2022. Desse total de eleitas, 47 pertencem a legendas de esquerda e 62 a agremiações de direita. No cômputo geral da Casa, a direita obteve 303 deputados federais, enquanto os partidos do campo progressista elegeram 124 representantes.
Interesses econômicos e a engrenagem do ódio digital
Ao avaliar o crescimento de discursos reacionários e a eleição de parlamentares com agendas abertamente contrárias aos direitos femininos, Hilton denunciou a existência de uma articulação internacional financiada por corporações de tecnologia.
"Existe um movimento global de ataque aos direitos das mulheres que está sendo impulsionado abertamente pelo governo dos EUA e pelos bilionários das big techs. No caso das big techs, há até a monetização do discurso red pill e incel", afirmou Erika Hilton ao Brasil de Fato.
Segundo a deputada, essa engrenagem ideológica serve aos interesses das elites econômicas para encobrir as contradições do próprio sistema. A deputada explicou que a extrema direita trabalha para convencer o eleitorado de que a precariedade de vida seria causada pela ampliação de direitos de populações vulnerabilizadas, canalizando a revolta popular para atacar justamente quem mais sofre a exploração social.
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Essa máquina de ataques se manifestou de imediato no processo eleitoral. Na madrugada de segunda-feira (5), a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL) atacou Erika Hilton no X com declarações transfóbicas, chamando-a de "homem biológico", reportou a Revista Fórum. A agressão — sujeita à punição da Lei 7.716/1989, que equipara transfobia a racismo — ocorreu após a própria Hilton ter sofrido ameaça de morte por e-mail na véspera do pleito, situação que exigiu registro de boletim de ocorrência e reforço de segurança para que pudesse votar.
Mobilização popular e o compromisso do governo Lula
A parlamentar enfatizou que a atual legislatura já provou que a pressão social organizada é capaz de barrar retrocessos e aprovar matérias de interesse popular. Entre os exemplos estão o recuo forçado contra o PL 1.904/2024 — projeto que pretendia punir vítimas de estupro com penas de homicídio — e os avanços na criminalização da misoginia.
Projetando a disputa de segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, Erika Hilton pontuou que o caminho decisivo para a vitória do campo popular é confrontar os projetos concretos para o cotidiano. A deputada apontou a proposta pelo fim da escala 6×1 de trabalho — já vitoriosa na Câmara e em debate no Senado — como uma conquista essencial apoiada pelo governo federal, que defende a redução da jornada sem corte salarial, contra a flexibilização precarizante defendida pelo clã bolsonarista.
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