Erika Hilton tem quase 1,6 milhão de votos e bate recorde na Câmara
Com votação recorde, deputada do PSOL supera marca histórica feminina, mobiliza campanha pela reeleição de Lula e celebra vitória coletiva contra o ódio.

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Em resumo
- Erika Hilton foi reeleita deputada federal por São Paulo com quase 1,6 milhão de votos, tornando-se a mulher mais votada da história para a Câmara.
- A parlamentar superou o antigo recorde de Joice Hasselmann e multiplicou por mais de seis o desempenho obtido em sua primeira eleição federal em 2022.
- Em discurso após a vitória, Hilton convocou a militância para a campanha do segundo turno pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) alcançou uma marca histórica neste domingo (4) ao ser reeleita com quase 1,6 milhão de votos, consolidando-se como a mulher mais votada de toda a história para a Câmara dos Deputados. Com a apuração concluída pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a parlamentar registrou 1.596.383 votos (atingindo 1.596.472 no fechamento de 100% das seções), alcançando a segunda maior votação do estado de São Paulo e de todo o país.
O desempenho de Hilton superou com folga o recorde anterior pertencente a Joice Hasselmann, que em 2018 havia obtido 1.078.666 votos. O resultado também representa um salto exponencial em relação à estreia de Erika no Congresso Nacional: em 2022, quando foi eleita a primeira mulher negra e trans para a Câmara ao lado de Duda Salabert (PDT-MG), ela havia recebido 256.903 votos. Na disputa feminina nacional deste ano, o campo progressista manteve forte presença, com Sâmia Bomfim (PSOL-SP) registrando 583.048 votos, à frente da deputada de extrema-direita Julia Zanatta (PL-SC), que somou 560.223.
Mobilização total pela reeleição de Lula no segundo turno
Logo após a confirmação do resultado das urnas, Erika discursou para apoiadores em transmissão divulgada em suas redes sociais e fez questão de direcionar a energia da militância para a continuidade da batalha eleitoral no segundo turno presidencial, disputado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Hilton enfatizou que a conquista legislativa só ganhará pleno sentido com a continuidade do projeto popular liderado por Lula.
A nossa vitória só será completa com a reeleição do presidente Lula. A gente vai ter que continuar em campanha. Eu queria dar essa notícia triste para vocês: a campanha não acabou. — Erika Hilton, deputada federal reeleita por São Paulo
Ao contrastar os projetos em disputa, a parlamentar criticou as ligações nebulosas do adversário bolsonarista com o sistema financeiro, citando o escândalo envolvendo o Banco Master. A deputada também comemorou a expansão de mandatos representativos nos parlamentos estaduais, destacando a eleição de Sofia Favero (PSOL) para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), com 407.749 votos. "Nós não tivemos padrinhos, mas eu tenho muito orgulho de ter me tornado uma madrinha política", frisou.
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Trabalho, direitos e enfrentamento à violência política
A ascensão eleitoral de Erika Hilton reflete sua atuação firme na defesa dos trabalhadores e das populações historicamente marginalizadas durante o primeiro mandato. À frente do debate nacional pela redução da jornada de trabalho, ela protocolou em fevereiro de 2025 uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a extinção da desgastante escala 6x1, estipulando quatro dias de trabalho por semana, três de descanso e teto de 36 horas semanais. Em março de 2026, tornou-se também a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, priorizando a proteção integral à saúde e o combate à violência política de gênero.
A resistência contra a intolerância marcou o próprio dia da votação. Pela manhã, a parlamentar precisou registrar um boletim de ocorrência após receber mensagens com ameaças de morte e ofensas transfóbicas enviadas por meio de serviço com criptografia anônima, atrasando sua ida à seção eleitoral até o reforço da segurança pessoal. No discurso de comemoração, Erika dedicou o feito à luta coletiva de mulheres trans e travestis no país: "O Brasil, de maneira muito triste, ainda segue sendo o primeiro país do mundo que mais mata mulheres como nós. Essa vitória não é minha, é coletiva".
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