Espanha tem protestos em 50 cidades contra crise habitacional
Atos reuniram milhares de pessoas após partidos de direita barrarem no Congresso pacote de Pedro Sánchez que suspendia despejos até 2030.

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Em resumo
- Milhares de pessoas saíram às ruas em cerca de 50 cidades da Espanha neste sábado (3) contra a alta dos aluguéis e a especulação imobiliária.
- Protestos ganharam força após os partidos de direita PP, Vox e Junts barrarem o pacote do governo que suspendia despejos até 2030.
- Em Madri, a União dos Inquilinos anunciou articulação com sindicatos para convocar uma greve geral em defesa da moradia digna.
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Milhares de pessoas foram às ruas neste sábado (3) em cerca de 50 cidades da Espanha para protestar contra a crise habitacional e a especulação imobiliária. A grande mobilização popular ocorreu no dia seguinte à rejeição, pelo Congresso espanhol, de um pacote de medidas apresentado pelo presidente de governo Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que visava conter despejos e frear a disparada no preço dos aluguéis.
O plano articulado pelo Executivo previa a suspensão dos despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, a renovação automática e prorrogação de contratos de locação residencial, além de restrições expressas à proliferação de imóveis para exploração turística. A proposta, no entanto, foi derrubada com os votos do conservador Partido Popular (PP) e de legendas de extrema direita, como o Vox e o Junts, que se uniram para blindar os interesses do mercado financeiro e do setor imobiliário.
Mobilização em Madri e articulação de greve geral
Na capital, Madri, a manifestação tomou proporções históricas. O governo espanhol calculou a presença em cerca de 70 mil pessoas, enquanto as organizações sociais que lideram os protestos afirmaram que o ato reuniu até 500 mil participantes. Ativistas já mantêm há uma semana um acampamento na central Praça do Sol, levantando faixas com o lema “Rumo à greve geral”.
Valeria Racu, porta-voz da União dos Inquilinos, afirmou a jornalistas em Madri que uma greve geral será convocada após negociações formais com os sindicatos de trabalhadores. A revolta popular também expressou indignação com o distanciamento da maioria parlamentar em relação às urgências populares.
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"É uma vergonha. Isso só prova que somos nós, o povo, que temos de nos adaptar aos partidos políticos, e não os políticos ao que o povo quer. E isso não pode continuar assim." Nando de Anguulo, 26 anos, manifestante em Madri, ao g1
Pressão política e o estopim de Maricarmen Abascal
Nas demais regiões do país, os protestos ocorreram de forma pacífica, à exceção de Valência, onde policiais dispersaram manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha depois que cerca de 30 pessoas ocuparam o complexo cultural da Cidade das Artes e das Ciências. Em Barcelona e na vizinha L'Hospitalet de Llobregat, os atos previstos foram adiados em razão de fortes chuvas.
A revolta coletiva foi impulsionada pelo caso emblemático de Maricarmen Abascal, aposentada de 87 anos despejada do imóvel em que morava havia sete décadas em Madri. O prédio foi adquirido por um fundo que tentou impor um aumento abusivo de 275% no aluguel, elevando a cobrança de cerca de 500 euros para 2.650 euros por mês — valor bem superior à aposentadoria da idosa. A mobilização nas ruas forçou a empresa a recuar e aceitar o retorno de Abascal por um valor próximo ao original, consolidando a idosa como símbolo da luta contra a financeirização da moradia.
A derrota das medidas progressistas no Congresso e a força das manifestações aumentaram a pressão sobre Pedro Sánchez. O chefe de governo avalia a possibilidade de antecipar eleições gerais para novembro, acompanhando o termômetro das ruas para enfrentar o bloqueio das forças conservadoras contra os direitos sociais da população trabalhadora.
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