EUA exigem redes sociais abertas para conceder visto a jornalistas
Medida do Departamento de Estado entra em vigor em 1º de outubro e atinge correspondentes internacionais sob o pretexto de segurança nacional.

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Em resumo
- A partir de 1º de outubro, profissionais de imprensa que solicitarem o visto I para trabalhar nos EUA terão de manter perfis abertos.
- A norma atinge também vistos de trabalho temporário e dependentes vinculados ao tratado comercial com México e Canadá.
- O governo norte-americano justificou o filtro digital alegando segurança nacional e classificando o visto como privilégio, não direito.
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O governo dos Estados Unidos anunciou que passará a exigir que jornalistas estrangeiros mantenham todos os seus perfis em redes sociais abertos ou públicos ao solicitar autorização de trabalho no país. A nova determinação, informada nesta quarta-feira (30 de setembro de 2026) pelo Departamento de Estado e divulgada no Brasil pela embaixada norte-americana na rede social X, entra em vigor já na quinta-feira, 1º de outubro.
A determinação enquadra os pedidos do visto I — categoria específica reservada a correspondentes e equipes da imprensa estrangeira. Além da mídia, a obrigação de retirar qualquer barreira de privacidade digital alcança os solicitantes dos vistos TN e TD, voltados a profissionais temporários de México e Canadá pelo acordo USMCA e seus respectivos familiares dependentes.
Devassa digital contra a imprensa internacional
Segundo o comunicado oficial de Washington, a liberação total das contas tem como objetivo oficial facilitar a checagem de identidade e identificar eventuais solicitantes rotulados como "inadmissíveis" por representar suposta ameaça à segurança nacional ou à segurança pública. Na justificativa remetida pela representação diplomática, o país relativizou o livre exercício da atividade jornalística:
"A concessão de um visto dos Estados Unidos continua sendo um privilégio concedido a critério do governo, e não um direito", declarou a embaixada norte-americana.
A prática de vasculhar dados e postagens públicas não é inédita na máquina burocrática dos Estados Unidos, mas sua extensão sistemática à imprensa estrangeira consolida um mecanismo de escrutínio que ameaça a liberdade de expressão e a preservação de fontes.
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Histórico de restrições e cerco judicial
A ofensiva sobre os profissionais da comunicação dá sequência a uma série de medidas restritivas tentadas recentemente pelo aparato norte-americano. Em julho, uma norma formulada pelo Departamento de Segurança Interna pretendeu cortar a validade da permanência dos portadores de visto I a 240 dias — reduzindo-a a apenas 90 dias no caso de profissionais com passaporte da China continental —, em substituição ao modelo tradicional que garantia estadia durante todo o vínculo do trabalho.
Aquela limitação, com vigência prevista para 15 de setembro, acabou bloqueada na véspera por uma decisão de um juiz federal e segue sob contestação judicial. Ao insistir agora na devassa obrigatória de perfis em plataformas digitais, a burocracia dos Estados Unidos restabelece o controle político sobre correspondentes, sujeitando a emissão de vistos ao crivo discricionário dos órgãos de inteligência da potência imperial.
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