Euforia do mercado com a direita desaba na América Latina
Fundos internacionais reduzem posições na região após governos conservadores acumularem crises fiscais, perda de apoio popular e choques econômicos.

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Em resumo
- Gestoras globais como Frontier Road e Fidelity cortam aplicações diante da paralisia e das crises de governos de direita no continente.
- Colômbia, Chile, Peru, Equador e Argentina sofrem com piora fiscal acelerada, alta no custo de vida e queda vertiginosa de aprovação.
- O colapso da receita neoliberal nos vizinhos desmonta promessas de campanha e reforça o valor do projeto social e soberano do Brasil sob Lula.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A maré de entusiasmo que o mercado financeiro construiu em torno da ascensão de governos de direita na América Latina começou a ruir com velocidade. Depois de inflar cotações em bolsas de valores, moedas locais e papéis da dívida soberana pelo continente, fundos e gestores internacionais passaram a desarmar suas posições diante da incapacidade prática dessas administrações de entregar equilíbrio fiscal e de sustentar qualquer apoio popular duradouro.
Grandes gestoras como o fundo londrino Frontier Road e a Fidelity International já reduziram de forma drástica sua exposição a ativos latino-americanos. A mudança no fluxo de capitais atinge administrações de direita recém-empossadas ou em curso na Colômbia, no Chile, no Peru, no Equador e na Argentina, desmontando a narrativa especulativa de que pacotes de austeridade e desregulamentação trariam prosperidade automática.
A conta da austeridade chega aos governos vizinhos
O caso da Colômbia ilustra com clareza a rapidez desse declínio. A vitória de Abelardo de la Espriella no primeiro turno de maio provocou uma arrancada imediata nos ativos locais, com ações subindo mais de 20% e valorização cambial. Contudo, passados apenas dois meses de sua chegada à presidência, a equipe do governante já lida com o que seus próprios assessores classificaram como a mais grave crise fiscal do país desde o século 19, desfazendo o fôlego inicial dos investidores.
No Chile, o presidente de ultradireita José Antonio Kast, eleito há 11 meses, viu a valorização recorde do mercado acionário se esvair diante da paralisia política e do aumento das tensões sociais. Cenário semelhante atinge o Equador de Daniel Noboa: após tentar emplacar reformas de corte de gastos, o presidente enfrentou uma queda aguda de popularidade e foi forçado a restabelecer subsídios aos combustíveis para conter a insatisfação social provocada pelo choque nos preços de energia decorrente da guerra no Irã. Em resposta, os papéis da dívida em dólar do Equador e do Peru tombaram mais de 3% no último trimestre.
Essa tese, em grande parte, já se concretizou. Martin Bercetche, gestor de crédito da Frontier Road, ao explicar à Folha de S.Paulo por que liquidou praticamente todas as posições do fundo na América Latina após meses de otimismo exagerado.
No Peru, a presidente Keiko Fujimori também amarga derretimento de popularidade nos primeiros meses de mandato, cercada por reclamações gerais da população sobre criminalidade e estagnação econômica. Na Argentina, Javier Milei vê seu plano de choque cobrar um preço severo da população: o crescimento econômico desigual, o desmonte das redes de proteção e a fragilidade do emprego devolveram os rendimentos dos títulos argentinos à arriscada faixa de dois dígitos.
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O alerta ao mercado financeiro e a estabilidade com Lula
A desilusão externa com as fórmulas neoliberais ecoa diretamente no cenário eleitoral brasileiro. Setores da Faria Lima chegaram a impulsionar os ativos nacionais em mais de 20% desde meados de agosto, movidos pela especulação em torno da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) e pelas promessas de cortes profundos de despesas, como o projeto revelado por sua coordenação de retirar famílias do Bolsa Família em dois anos.
Analistas do exterior começam a reconhecer que o apoio eleitoral à direita não se traduz em adesão popular a políticas de arrocho. Matthew Graves, da PPM America, ressaltou que esses pleitos foram impulsionados por rejeições conjunturais, e não pelo desejo popular por asfixia fiscal. Da mesma forma, Eamon Aghdasi, analista da gestora Grantham Mayo Van Otterloo, ponderou que os investidores buscam solidez e previsibilidade, mas ainda não encontram evidências de sustentabilidade política nesses regimes.
Enquanto a direita vizinha patina em promessas vazias e gera desgaste rápido, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avança com uma estratégia focada no desenvolvimento com inclusão, preservação de direitos e fortalecimento da renda das famílias trabalhadoras. A experiência concreta da América do Sul deixa evidente que a soberania nacional e a estabilidade econômica dependem da valorização do povo e da proteção social, e não de aventuras neoliberais condenadas ao fracasso.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. iclnoticias.com.brEuforia com governos de direita perde força na América Latina e preocupa investidores - ICL Notícias
- 2. bloomberglinea.com.brRalis de mercado impulsionados por eleições na América Latina começ...
- 3. www1.folha.uol.com.brGovernos de direita da América do Sul enfrentam realidade após vitórias eleitorais, e investidores reduzem exposição
