Ex-marqueteiro que enviou R$ 1 milhão à produtora de Dark Horse segue como conselheiro de Flávio Bolsonaro
Publicitário diz que aporte à produtora de “Dark Horse” foi investimento privado; contrato foi assinado meses depois das transferências.

Núcleo editorial
Atualizado em 12 de setembro de 2026
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Em resumo
- Marcello Lopes permanece no círculo de conselheiros de Flávio Bolsonaro e diz manter contato diário com o senador.
- O ex-marqueteiro enviou R$ 1 milhão à Go Up Entertainment durante o período analisado pelo Coaf no fim de 2025.
- A produtora de “Dark Horse” movimentou R$ 19,03 milhões em 51 dias, segundo relatório usado pela Polícia Federal.
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Marcello de Oliveira Lopes, conhecido como Marcellão, continua no círculo de conselheiros de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e mantém contato diário com o candidato do partido à Presidência. A proximidade permanece mesmo após a Polícia Federal identificar uma transferência de R$ 1 milhão do publicitário para a Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Lopes deixou formalmente o comando do marketing da campanha em maio de 2026, mas o afastamento não representou um rompimento político. Segundo o publicitário, ele e Flávio continuam conversando normalmente. A permanência do ex-marqueteiro no núcleo do senador torna ainda mais relevante a apuração sobre o circuito financeiro montado em torno da produção bolsonarista.
Transferência ocorreu durante a produção do filme
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras usado pela PF registra que Lopes enviou R$ 1 milhão à Go Up no período entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Parte desse intervalo coincidiu com as gravações de “Dark Horse”, realizadas em São Paulo entre 20 de outubro e 7 de dezembro daquele ano.
Nos 51 dias analisados, a produtora movimentou R$ 19,03 milhões: foram R$ 8,95 milhões em créditos e R$ 10,07 milhões em débitos. Além de Lopes, aparecem entre os principais remetentes a Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões; a NTT Brasil, com R$ 750 mil; e o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do filme, com R$ 645,4 mil.
A movimentação integra a investigação que levou à Operação Make Up, deflagrada em 10 de setembro de 2026 com autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A Go Up e sua proprietária, Karina Gama, estão entre os alvos da apuração. Segundo o material da investigação, são apuradas suspeitas relacionadas ao financiamento do longa e ao possível direcionamento e desvio de recursos de emendas parlamentares.
Lopes chama operação de investimento privado
O publicitário afirma que o dinheiro saiu de seu patrimônio e que a transferência teve natureza empresarial. Ele também declarou que a oportunidade foi apresentada pelo deputado Mario Frias e negou qualquer ligação entre o investimento, a campanha de Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.
“Minha participação foi exclusivamente como investidor privado, com recursos próprios e de forma regular.”
— Marcello de Oliveira Lopes
Lopes disse ainda que não precisava prestar explicações ao candidato sobre a transferência. Segundo ele, Flávio soube do investimento posteriormente. A versão procura separar a operação financeira da atividade política, embora o próprio publicitário continue integrado ao círculo de confiança do senador.
Contrato foi assinado meses depois do envio do dinheiro
O contrato apresentado como formalização da participação de Lopes na produção foi assinado em 4 de junho de 2026, meses depois das transferências realizadas no fim de 2025 e após a revelação do caso envolvendo o financiamento atribuído a Daniel Vorcaro.
O nome do publicitário também apareceu no chamado “Projeto DV”, plano de comunicação nas redes sociais em defesa do Banco Master e de Vorcaro. Lopes negou participação em uma campanha contra o Banco Central e afirmou que os valores recebidos se referiam a serviços anteriores.
Esse episódio foi apontado por integrantes da campanha como um dos fatores para sua saída do comando do marketing. Lopes, por sua vez, atribuiu o desligamento a uma disputa interna com o então coordenador de imprensa Rodrigo Saccone.
A revelação mais recente mostra, porém, que o afastamento formal não reduziu o acesso de Marcellão ao candidato do PL. Enquanto a PF rastreia os milhões movimentados pela produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, o responsável por uma transferência de R$ 1 milhão continua conversando diariamente com Flávio e atuando em seu círculo de aconselhamento.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. diariodocentrodomundo.com.brEx-marqueteiro que repassou R$ 1 milhão a “Dark Horse” segue como conselheiro de Flávio
- 2. iclnoticias.com.brEx-marqueteiro de Flávio aparece entre financiadores da produtora de Dark Horse
- 3. brasildefato.com.brEx-marqueteiro e amigo de Flávio Bolsonaro é o terceiro maior doador do filme Dark Horse, aponta PF
- 4. g1.globo.comDark Horse: PF aponta repasse milionário de ex-marqueteiro de Flávio | G1
