Fachin suspende liminares concorrentes e mantém Andrei Rodrigues na PF
Presidente do STF suspende decisões concorrentes, preserva o comando da Polícia Federal e leva ao plenário pedido contra Alexandre de Moraes.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Fachin suspendeu duas decisões concorrentes e manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal.
- A liminar que afastou a direção da PF foi concedida por André Mendonça a pedido do partido Novo e provocou reação de 11 diretores da corporação.
- O presidente do STF assumiu a relatoria do Inquérito das Fake News, anteriormente conduzido por Alexandre de Moraes.
5 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, interveio na quarta-feira (9) no confronto de decisões que atingiu o comando da Polícia Federal. Ele suspendeu tanto a liminar de André Mendonça que afastava o diretor-geral Andrei Rodrigues quanto a ordem de Flávio Dino que o reconduzia. O efeito prático foi a permanência de Rodrigues no cargo, com prazo de 48 horas para prestar esclarecimentos.
A medida contém uma disputa que avançava sobre a direção da PF em plena campanha presidencial. O conflito ocorre a menos de um mês da eleição, na qual o presidente Lula chega competitivo ao trecho decisivo, segundo o cenário eleitoral citado pela CartaCapital.
Liminar pedida pelo Novo abriu disputa sobre o comando da PF
A escalada começou quando Mendonça, atendendo a um pedido do partido Novo, afastou Rodrigues e o diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada. O ministro os acusou de produzir relatórios ilícitos a pedido de Alexandre de Moraes e de vazar informações sigilosas. As acusações não aparecem no material como conclusões já julgadas pelo plenário.
Nunes Marques e Luiz Fux referendaram o afastamento na Segunda Turma. Gilmar Mendes pediu vista, mas os votos já formavam maioria, enquanto Dias Toffoli se declarou impedido. A decisão provocou reação dentro da própria Polícia Federal: 11 diretores colocaram seus cargos à disposição em defesa de Rodrigues e Almada.
Flávio Dino determinou a reintegração ao considerar que Mendonça não teria competência para afastar o diretor-geral da PF e que os trâmites processuais haviam sido violados. Horas depois, Fachin suspendeu as duas ordens, centralizando a resposta institucional e mantendo os dirigentes em suas funções.
O encadeamento evidencia a contradição da ofensiva iniciada a pedido do Novo: em vez de estabilizar a apuração, a tentativa de remover a direção da PF abriu um choque de competências no Supremo e mobilizou a cúpula da corporação.
Fachin assume inquérito e leva caso Moraes ao plenário
A intervenção não se limitou ao comando da PF. Fachin revogou a designação de Alexandre de Moraes como relator do Inquérito das Fake News e assumiu a condução do processo. As decisões anteriores permanecem válidas, mas os novos atos passam à responsabilidade do presidente da Corte.
Fachin também convocou para terça-feira, 15 de setembro, o julgamento da petição apresentada por Mendonça para investigar Moraes no caso das supostas mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A sessão deverá analisar a abertura da investigação, sem que a acusação seja tratada antecipadamente como fato comprovado.
Antes de centralizar os processos, Fachin havia aberto um procedimento para apurar possíveis irregularidades e concedido cinco dias para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues prestassem esclarecimentos.
“No tempo devido e sem precipitação”, Fachin afirmou que anunciaria as medidas cabíveis e necessárias.
— Edson Fachin, presidente do STF, segundo a linha do tempo do Aos Fatos
A Procuradoria-Geral da República já havia defendido a nulidade do relatório da PF divulgado por Mendonça. Segundo o órgão, uma investigação envolvendo ministro do Supremo dependeria de provocação prévia da autoridade policial ou do Ministério Público e de autorização do plenário da Corte.
Crise institucional atravessa a campanha presidencial
A crise acumulou pelo menos 30 atos em dez dias, entre decisões judiciais, acusações entre ministros, vazamentos de mensagens e mudanças no comando de inquéritos. Em discurso ao lado de Lula, Fachin relacionou o episódio à necessidade de encerrar o Inquérito das Fake News e de adotar um Código de Ética no Supremo.
O confronto ocorre enquanto pesquisas mencionadas pela CartaCapital apontam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em uma eventual disputa de segundo turno. Nesse ambiente, a manutenção de Andrei Rodrigues evita uma ruptura abrupta na direção da Polícia Federal e reduz o risco de que disputas internas do Judiciário desorganizem uma instituição estratégica durante o processo eleitoral.
Ao assumir a relatoria, preservar a direção da PF e submeter o caso Moraes ao colegiado, Fachin desloca decisões individuais para uma resposta institucional do Supremo. A iniciativa oferece maior previsibilidade no momento em que Lula chega com força à etapa decisiva da eleição e o país precisa de instituições funcionando sem interferências provocadas por uma guerra de liminares.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
