Fed sobe juros a 4% contra Trump e expõe custo da política externa belicista
Em decisão unânime, banco central dos EUA promove primeira alta desde julho de 2023 para conter inflação gerada por choque energético e tarifas comerciais.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- O Federal Reserve elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, fixando o intervalo entre 3,75% e 4,00% após votação unânime de 12 a 0.
- Trata-se da primeira elevação dos juros norte-americanos desde julho de 2023, contrariando a pressão explícita de Donald Trump por cortes nas taxas.
- A pressão sobre os preços decorre do choque energético agravado pela guerra contra o Irã, tarifas alfandegárias gerais e gastos com inteligência artificial.
3 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, aumentou a taxa básica de juros nesta quarta-feira (16) em 0,25 ponto percentual, fixando o intervalo oficial entre 3,75% e 4,00%. A medida foi aprovada de forma unânime por 12 votos a 0 sob a liderança de Kevin Warsh. A decisão marca a primeira elevação dos juros da economia norte-americana desde julho de 2023 e contraria diretamente as pressões públicas de Donald Trump por afrouxamento monetário.
O aperto ocorre a menos de dois meses das eleições de meio de mandato, em um contexto no qual as promessas de Trump de baratear o custo de vida esbarram nas consequências concretas de suas próprias medidas. A escalada do conflito militar entre Estados Unidos, Israel e Irã provocou um choque no setor de energia, com o barril de petróleo Brent atingindo US$ 106,83, encarecendo os combustíveis e impulsionando a inflação.
Tarifas, energia e a escalada de preços nos EUA
Além da instabilidade bélica internacional no Oriente Médio, as tarifas protecionistas sobre importações globais e os fortes aportes de capital no segmento de inteligência artificial mantiveram a aceleração dos índices econômicos. As novas projeções do comitê de política monetária elevaram a estimativa para o Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal a 3,7%, adiando o retorno à meta de 2% para 2029.
A medida de política monetária de hoje apoiará um retorno mais rápido à meta de 2% do Comitê. — Declaração oficial do Federal Reserve
Em agosto, o Índice de Preços ao Consumidor nos EUA já havia acumulado variação de 3,4%, com a gasolina respondendo por um terço do salto de 0,4% apurado no mês. Em paralelo, a média das hipotecas imobiliárias de 30 anos com taxa fixa aproxima-se de 7%, elevando o custo de moradia para os trabalhadores norte-americanos.
Pressão de Trump e descompasso internacional
Antes da reunião do Fed, Trump criticou abertamente a autoridade monetária ao exigir corte nas taxas em publicações e declarações públicas, alegando que nenhum país deveria operar com juros inferiores aos dos Estados Unidos. Contudo, o colegiado do Fed sinalizou a manutenção de um ciclo restritivo, com 16 de seus 18 membros projetando ao menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual até o fim deste ano, elevando o teto da taxa para 4,25%.
A escalada do conflito internacional e o protecionismo comercial patrocinados por Trump demonstram como decisões geopolíticas de confronto geram efeitos econômicos imediatos, transferindo o custo da carestia energética e do crédito caro para as famílias trabalhadoras.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
