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Cobertura: Política brasileira

Fim da 6x1 avança no Senado e expõe cerco a Flávio Bolsonaro

Articulação de aliados do bolsonarismo para travar a PEC 221/2019 no plenário coloca em evidência a contradição de quem nega folga digna à classe trabalhadora.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • O Senado deve iniciar nesta semana a votação da PEC 221/2019, que encerra a escala 6x1 e diminui a jornada semanal para 40 horas sem perda de remuneração.
  • A liderança do governo Lula no Senado recolhe assinaturas para aprovar um calendário especial e acelerar a tramitação em dois turnos.
  • Aliados e a coordenação de campanha de Flávio Bolsonaro tentam adiar a análise temendo o custo eleitoral diante dos trabalhadores no segundo turno.

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Plenário do Senado Federal do Brasil
Plenário do Senado Federal do Brasil — Wilson Dias/ABr. Wikimedia Commons · CC BY

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 e define a redução gradual da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, deve ser levada a votação em primeiro turno no plenário do Senado nesta semana. A tramitação avança sob a articulação direta da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que senadores ligados à campanha de Flávio Bolsonaro tentam manobras regimentais para adiar a deliberação.

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A pauta foi confirmada para inclusão na pauta pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, após a conclusão de três sessões de discussão prévias e a aprovação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Para assegurar a resposta célere demandada pela classe trabalhadora, a líder do governo Lula na Casa, senadora Teresa Leitão (PT-PE), começou a recolher assinaturas em torno de um requerimento de calendário especial, instrumento regimental capaz de abreviar prazos e viabilizar os dois turnos de votação em plenário.

Diante da iminência da votação, a coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro passou a operar nos bastidores para tentar barrar ou esvaziar a análise da matéria. O líder da oposição e coordenador de campanha do senador, Rogério Marinho (PL-RN), classificou a tramitação de "oportunista" e argumentou formalmente a favor do cumprimento estrito de todas as sessões regimentais antes de qualquer decisão.

Em declarações à imprensa após reunião de parlamentares conservadores, Marinho recorreu à tese de "jornada flexível" negociada diretamente entre patrões e empregados, modelo que historicamente desidrata garantias legais mínimas:

"Nós não somos contra nem a favor do fim da escala 6×1. Nós somos a favor de que haja uma jornada flexível." — Rogério Marinho, senador e coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro

No entanto, ao detalhar sua posição, Marinho acabou indicando voto contrário ao projeto nos moldes constitucionais em debate, expondo o compromisso do grupo com as demandas empresariais em detrimento da ampliação dos dias de descanso da população.

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A contradição colocada à prova no plenário

Conforme destacou análise do jornalista Leonardo Sakamoto no UOL, a tentativa de empurrar a PEC com a barriga expõe um dilema incontornável para a extrema direita. Rejeitar a proposta ou fugir da votação desmascara a retórica recente de quem busca suavizar a imagem pública às vésperas da eleição:

"A mensagem nas entrelinhas será: quem nega descanso ao trabalhador, negará também o básico." — Leonardo Sakamoto, jornalista

A PEC 221/2019 fixa uma transição planejada para a jornada semanal, caindo primeiro para 42 horas e subsequentemente para 40 horas, com a garantia explícita de dois dias de repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Para ser aprovada, a emenda constitucional necessita do apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em duas votações.

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Enquanto a articulação progressista impulsionada pelo governo federal atua para consolidar esse avanço civilizatório e resgatar o direito fundamental a mais tempo de convívio familiar, a bancada bolsonarista segue encurralada entre a lealdade aos grandes grupos econômicos e o risco político de formalizar o voto contra os direitos do povo.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. diariodocentrodomundo.com.brSakamoto: Voto de Flávio e aliados contra o fim da 6x1 será um presente a Lula
  2. 2. apublica.orgFim da escala 6x1 pode ir a votação no Senado, mas aliados de Flávio tentam barrar