Fim da escala 6x1 é aprovado no Senado e imprensa mundial vê vitória de Lula
Com 75 votos a favor e apenas um contra, Senado aprova redução da jornada de 44 para 40 horas sem corte salarial, beneficiando mais de 37 milhões de trabalhadores.

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Em resumo
- Senado aprovou por 75 votos a 1 a PEC que extingue a escala 6x1 e reduz o limite semanal de trabalho para 40 horas sem redução salarial.
- Medida beneficia diretamente mais de 37 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país após promulgação pelo Congresso.
- Veículos internacionais destacaram a aprovação como marco histórico e vitória do governo Lula, expondo o recuo eleitoral da oposição.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A aprovação definitiva da proposta que extingue a escala 6x1 pelo Senado, na noite de quarta-feira (14/10), repercutiu amplamente nos principais veículos da imprensa internacional como uma vitória expressiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e das forças progressistas. O texto foi chancelado em dois turnos por ampla maioria — 75 votos favoráveis e apenas um contrário — e segue diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional, por manter o mesmo teor aprovado pela Câmara dos Deputados em maio.
Segundo estimativas do governo federal, a medida vai beneficiar mais de 37 milhões de trabalhadores com carteira assinada em todo o país, garantindo ao menos dois dias de descanso semanal e estabelecendo a transição gradual da carga máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem qualquer redução nos salários.
Vitória histórica e repercussão internacional
A imprensa estrangeira tratou a decisão como a maior transformação das leis trabalhistas brasileiras em décadas. A agência Reuters definiu o resultado como uma entrega legislativa decisiva para o governo Lula às vésperas do segundo turno da disputa presidencial.
Na França, o jornal Le Monde, em cobertura com a agência AFP, pontuou em manchete que o Parlamento aprovou a redução do tempo de trabalho prometida por Lula. Já o britânico The Guardian e a alemã Deutsche Welle assinalaram que a consagração da pauta popular confere forte impulso ao presidente na reta final da disputa eleitoral, aproximando o padrão de trabalho brasileiro de patamares internacionais mais avançados de bem-estar social.
O recuo da bancada bolsonarista diante da força popular
A massiva votação no Senado também expôs as contradições dos setores conservadores. Parlamentares ligados ao bolsonarismo e o próprio senador Flávio Bolsonaro (PL) — adversário de Lula no segundo turno —, que historicamente se posicionavam contra a redução da jornada, votaram a favor da matéria.
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Conforme reportado pela agência Associated Press (AP), analistas apontaram que os aliados da oposição abandonaram a tentativa de barrar o texto para conter o desgaste eleitoral provocado pela imensa adesão popular à proposta. Setores empresariais e parlamentares alinhados aos interesses patronais chegaram a articular uma transição prolongada de até dez anos para adiar a implementação, mas a pressão social e a articulação política em defesa dos trabalhadores prevaleceram no plenário.
Da mobilização de base à consagração no Congresso
A conquista legislativa coroa um processo que começou na base da sociedade. A mobilização contra a jornada exaustiva ganhou as redes e as ruas no final de 2023, a partir do desabafo público do balconista de farmácia Rick Azevedo, eleito vereador no Rio de Janeiro pelo PSOL em 2024 e recentemente eleito deputado federal. O clamor transformou-se em iniciativa parlamentar apresentada em fevereiro de 2025 pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), sendo apensada a uma proposta pioneira de 2019 de autoria do deputado petista Reginaldo Lopes.
Ao manter integralmente o texto aprovado pela Câmara, o Senado permitiu a conclusão do rito legislativo sem necessidade de nova votação pelos deputados. A consagração da jornada semanal de 40 horas materializa o compromisso do campo progressista com a recuperação de direitos e com a valorização de quem vive do trabalho, assegurando tempo para descanso, convívio familiar e dignidade humana.
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