Folha reedita o Estadão de 2018 e prega 'escolha difícil' em 2026
Às vésperas da votação, jornal coloca em simetria os investimentos sociais do governo Lula e os escândalos que cercam a candidatura de Flávio Bolsonaro.

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Atualizado em 01 de outubro de 2026
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Em resumo
- A Folha de S.Paulo publicou editorial afirmando expressamente que o país se encontra diante de uma 'escolha difícil' entre Lula e Flávio Bolsonaro.
- O jornal atacou a recusa de Lula em adotar cortes impopulares em programas sociais e a ausência do presidente no último debate televisivo.
- A postura reedita a operação editorial do Estadão de 2018, que equiparou o projeto democrático de Fernando Haddad ao extremismo de Jair Bolsonaro.
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Às vésperas do primeiro turno da eleição presidencial, a grande imprensa comercial voltou a acionar sua conhecida tática de criar uma falsa simetria entre projetos políticos opostos. Em editorial intitulado “País pagará o preço do debate eleitoral indigente”, a Folha de S.Paulo afirmou textualmente que o eleitorado está diante de uma “escolha difícil” ao comparar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
A construção retoma o mesmo método utilizado pelo jornal O Estado de S. Paulo em outubro de 2018, quando o periódico publicou a infame tese da “escolha muito difícil” entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro. Naquela ocasião, o campo popular foi nivelado à extrema direita para justificar o alinhamento do mercado a uma agenda econômica predatória.
Falsa simetria a serviço da Faria Lima
Para sustentar a alegação de paridade entre os candidatos, a publicação paulista recorre a pesos e medidas discrepantes. Contra o presidente Lula, a acusação central consiste em priorizar o atendimento às demandas da população em vez de submeter o orçamento federal ao arrocho fiscal exigido pelo mercado financeiro.
Do outro lado da comparação, o próprio editorial reconhece as “desculpas esfarrapadas” apresentadas por Flávio Bolsonaro para justificar suas ligações de afeto com Daniel Vorcaro, além de promessas de campanha vazias sobre a economia. Contudo, em vez de apontar a gravidade dessas contradições, o texto prefere diluir o abismo ético e político sob o rótulo genérico de “polarização” e “indigência” eleitoral.
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Ao defender a cartilha neoliberal, o editorial sustenta que “qualquer pessoa minimamente bem informada” deveria apoiar cortes rigorosos nos gastos públicos, tratando a agenda de arrocho da Faria Lima como consenso técnico indiscutível, e não como uma escolha política que atinge a saúde, a educação e o aumento real do salário mínimo.
Ataques ao debate e revisão do golpe
A investida contra o governo federal também mirou a decisão soberana de Lula de não comparecer ao último debate televisivo antes do primeiro turno, optando por conceder entrevista ao Flow Podcast. O movimento ocorreu após a emissora anfitriã barrar outros participantes e diante do histórico corporativo de coberturas desfavoráveis ao campo progressista em retas finais de campanha.
O texto da Folha ainda distorceu a história ao ressuscitar acusações de suposto “estelionato eleitoral” contra Dilma Rousseff em 2014, atribuindo à política econômica o fator decisivo para a interrupção de seu mandato. A narrativa corporativa apaga a ofensiva conduzida por Eduardo Cunha, o papel de Michel Temer e a articulação política e parlamentar que resultou no golpe de 2016 contra uma presidenta legitimamente eleita.
Ao final, o veículo tratou como “ridículo alarido” a instrumentalização religiosa promovida pelo adversário em torno de Nossa Senhora Aparecida, minimizando controvérsias que chegaram ao Supremo Tribunal Federal. Oito anos após a cartilha do Estadão abrir caminho para o desmonte do país, a reedição da “escolha difícil” explicita a resistência dos setores financeiros diante de um governo que coloca os direitos do povo no centro do orçamento nacional.
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