Governo Lula e EUA criam grupo para negociar acordo e rever tarifas
Após iniciativa diplomática de Lula, ministros brasileiros e representante de Washington abrem mesa bilateral para enfrentar barreiras e defender o setor produtivo.

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Em resumo
- Brasil e EUA acertaram a criação de um grupo de trabalho para negociar barreiras tarifárias e um possível acordo comercial bilateral.
- A reunião em Milwaukee reuniu os ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa com o chefe do comércio norte-americano, Jamieson Greer.
- Abertura da mesa de diálogo foi viabilizada após telefonema direto do presidente Lula com Donald Trump em 21 de agosto.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A diplomacia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou um passo decisivo para resguardar a produção brasileira diante do protecionismo de Washington. Nesta quarta-feira (30), o Brasil e os Estados Unidos acertaram a criação de um grupo de trabalho conjunto voltado a debater um possível acordo bilateral e enfrentar entraves econômicos, com foco na superação de barreiras tarifárias e não tarifárias.
A decisão foi oficializada após reunião presencial de cerca de 40 minutos em Milwaukee, no estado norte-americano de Wisconsin, realizada à margem do encontro de ministros do Comércio do G20. O governo brasileiro foi representado pelo chanceler Mauro Vieira e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, que se reuniram com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
Diálogo aberto com altivez diplomática
A criação do novo canal consolida o avanço das tratativas retomadas após um telefonema direto entre Lula e o presidente norte-americano, Donald Trump, realizado em 21 de agosto. Desde a conversa entre os chefes de Estado, os dois governos vinham mantendo contatos para transferir o debate político para uma mesa técnica de negociação de alto nível.
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Nas próximas semanas, a Casa Branca deve apresentar um documento formal que estabelecerá o escopo detalhado das tratativas, definindo quais tarifas e exigências regulatórias serão incluídas nos trabalhos do grupo bilateral. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Itamaraty ressaltaram que o objetivo de Brasília é construir saídas pragmáticas e céleres que priorizem os interesses soberanos do país e ampliem as oportunidades da economia brasileira.
Enfrentamento às medidas protecionistas de Washington
A instalação da mesa ocorre após os Estados Unidos anunciarem, em julho, duas medidas tributárias que, somadas, chegam a 37,5% sobre determinados produtos nacionais. Parte dessa taxação resultou de uma investigação unilateral aberta por Washington em julho de 2025, baseada na chamada Seção 301, que questionava temas como comércio digital, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
Diferente de tratativas anteriores voltadas apenas a responder às exigências norte-americanas, a gestão Lula estabeleceu que o novo grupo terá uma dinâmica própria, voltada para um entendimento amplo que proteja a indústria nacional de ofensivas unilaterais. Ao colocar a defesa do desenvolvimento produtivo no centro da mesa, o governo brasileiro reafirma sua postura de diálogo soberano com as grandes potências, buscando a eliminação de entraves sem abrir mão das prioridades estratégicas do país.
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