Irã nega negociações com os EUA e mantém exigências para abrir Ormuz
Teerã desmente declarações de Donald Trump sobre nova rodada de diálogo e reafirma sete condições soberanas para encerrar a guerra deflagrada por Washington e Israel.

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Em resumo
- A agência oficial Irna informou nesta segunda-feira (28) que o Irã não tem negociações previstas com o governo dos Estados Unidos, desmentindo Donald Trump.
- No fim de semana, Trump descartou proposta de paz mediada pelo Catar para reabrir o Estreito de Ormuz e alegou, sem provas, que o país persa estaria enfraquecido.
- O chanceler Abbas Araqchi reafirmou que Teerã mantém sete condições para a paz e denunciou na ONU o cerco imperialista contra a aviação civil iraniana.
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O governo do Irã declarou nesta segunda-feira (28) que não tem nenhuma negociação prevista com os Estados Unidos. A informação, divulgada pela agência estatal de notícias Irna, desmente a versão apresentada na véspera por Donald Trump, que havia sugerido à imprensa norte-americana a iminência de um retorno à mesa de negociações. Teerã destacou que sua delegação enviada a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) retorna ao país nesta terça-feira (29) sem qualquer intenção de manter reuniões com Washington.
A posição firme do país persa ocorre após Trump afirmar ao portal Axios que esperava novas conversas durante a semana, mediadas pelo Catar. No sábado (26), porém, o próprio líder republicano havia rejeitado unilateralmente um plano apresentado pelo Irã para normalizar a navegação no Estreito de Ormuz em sete dias, recorrendo a provocações sem sustentação factual para justificar a recusa aos termos soberanos formulados por Teerã.
Diplomacia soberana contra a retórica de força
Em resposta à postura de confronto da Casa Branca, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ressaltou que o país permanece disposto a uma saída negociada, mas sem abrir mão das suas prerrogativas soberanas. Araqchi apontou que os Estados Unidos sequer apresentaram resposta formal pelos canais diplomáticos apropriados.
Nossas condições são claras, e qualquer medida para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Somente uma solução negociada pode tirar as partes desse impasse. Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas e tomaremos uma decisão com base nelas. — Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã
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A crise militar foi deflagrada em fevereiro com os ataques promovidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano. Em resposta à agressão armada, Washington impôs um bloqueio naval contra os portos iranianos, gerando intensa instabilidade no Estreito de Ormuz, artéria por onde transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no planeta antes do início dos bombardeios.
Ofensiva jurídica contra o cerco e mediação internacional
Diante do cerco econômico, o comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatam, caracterizou a conjuntura como uma fase crítica e decisiva, afirmando categoricamente que Teerã não tolerará ser impedida de comercializar seus produtos enquanto outras potências continuam operando rotas marítimas na região.
Além da mobilização militar defensiva, o Irã abriu frentes de denúncia institucional contra o estrangulamento promovido pela Casa Branca. Após sanções impostas em setembro atingirem companhias aéreas iranianas e forçarem cancelamentos de voos civis, o diretor da aviação civil do Irã, Abuzar Shirudi, informou que o país formalizou reclamações junto à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, contra as violações do direito internacional.
O impasse também repercute entre as grandes potências do Sul Global. Principal compradora da energia iraniana, a China reforçou o apelo pelo fim imediato da escalada bélica. O presidente chinês, Xi Jinping, reiterou a Trump a urgência de Washington cessar as agressões e restabelecer o diálogo formal, evidenciando que a tentativa imperialista de ditar os rumos do comércio e da soberania no Oriente Médio enfrenta a resistência diplomática de Teerã e a defesa do multilateralismo.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasildefato.com.brIrã nega negociações previstas com os EUA após Trump dizer que espera retomar conversas
- 2. estadao.com.brIrã nega retomada das negociações com os Estados Unidos
- 3. folhape.com.brIrã nega retomada das negociações com os Estados Unidos
- 4. metro1.com.brIrã nega negociações com EUA e mantém exigências para encerrar guerra - Metro 1
