Pular para o conteúdo
Cobertura: Geopolítica

Irã nega negociações com os EUA e mantém exigências para abrir Ormuz

Teerã desmente declarações de Donald Trump sobre nova rodada de diálogo e reafirma sete condições soberanas para encerrar a guerra deflagrada por Washington e Israel.

BEM10 TV
Redação BEM10 TV

Núcleo editorial

Leitura rápida

Em resumo

  • A agência oficial Irna informou nesta segunda-feira (28) que o Irã não tem negociações previstas com o governo dos Estados Unidos, desmentindo Donald Trump.
  • No fim de semana, Trump descartou proposta de paz mediada pelo Catar para reabrir o Estreito de Ormuz e alegou, sem provas, que o país persa estaria enfraquecido.
  • O chanceler Abbas Araqchi reafirmou que Teerã mantém sete condições para a paz e denunciou na ONU o cerco imperialista contra a aviação civil iraniana.

4 min de leitura

Bandeira do Irã com faixas horizontais verde, branca e vermelha, trazendo o emblema nacional vermelho ao centro da faixa branca
Bandeira nacional da República Islâmica do Irã — Mostafameraji. Wikimedia Commons · CC0

Ouça esta leitura

Duração disponível ao iniciar

Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

O governo do Irã declarou nesta segunda-feira (28) que não tem nenhuma negociação prevista com os Estados Unidos. A informação, divulgada pela agência estatal de notícias Irna, desmente a versão apresentada na véspera por Donald Trump, que havia sugerido à imprensa norte-americana a iminência de um retorno à mesa de negociações. Teerã destacou que sua delegação enviada a Nova York para a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) retorna ao país nesta terça-feira (29) sem qualquer intenção de manter reuniões com Washington.

A posição firme do país persa ocorre após Trump afirmar ao portal Axios que esperava novas conversas durante a semana, mediadas pelo Catar. No sábado (26), porém, o próprio líder republicano havia rejeitado unilateralmente um plano apresentado pelo Irã para normalizar a navegação no Estreito de Ormuz em sete dias, recorrendo a provocações sem sustentação factual para justificar a recusa aos termos soberanos formulados por Teerã.

Diplomacia soberana contra a retórica de força

Em resposta à postura de confronto da Casa Branca, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ressaltou que o país permanece disposto a uma saída negociada, mas sem abrir mão das suas prerrogativas soberanas. Araqchi apontou que os Estados Unidos sequer apresentaram resposta formal pelos canais diplomáticos apropriados.

Nossas condições são claras, e qualquer medida para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Somente uma solução negociada pode tirar as partes desse impasse. Estamos aguardando que os mediadores nos transmitam as posições definitivas e tomaremos uma decisão com base nelas. — Abbas Araqchi, ministro das Relações Exteriores do Irã

Carregando enquete…

A crise militar foi deflagrada em fevereiro com os ataques promovidos pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano. Em resposta à agressão armada, Washington impôs um bloqueio naval contra os portos iranianos, gerando intensa instabilidade no Estreito de Ormuz, artéria por onde transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no planeta antes do início dos bombardeios.

Ofensiva jurídica contra o cerco e mediação internacional

Diante do cerco econômico, o comandante-chefe do Exército iraniano, Amir Hatam, caracterizou a conjuntura como uma fase crítica e decisiva, afirmando categoricamente que Teerã não tolerará ser impedida de comercializar seus produtos enquanto outras potências continuam operando rotas marítimas na região.

Além da mobilização militar defensiva, o Irã abriu frentes de denúncia institucional contra o estrangulamento promovido pela Casa Branca. Após sanções impostas em setembro atingirem companhias aéreas iranianas e forçarem cancelamentos de voos civis, o diretor da aviação civil do Irã, Abuzar Shirudi, informou que o país formalizou reclamações junto à Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) e à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, contra as violações do direito internacional.

Leitura que volta até você

Carta do Bemvindo

As principais análises políticas e geopolíticas da BEM10.TV, reunidas por e-mail em duas edições por semana.

O impasse também repercute entre as grandes potências do Sul Global. Principal compradora da energia iraniana, a China reforçou o apelo pelo fim imediato da escalada bélica. O presidente chinês, Xi Jinping, reiterou a Trump a urgência de Washington cessar as agressões e restabelecer o diálogo formal, evidenciando que a tentativa imperialista de ditar os rumos do comércio e da soberania no Oriente Médio enfrenta a resistência diplomática de Teerã e a defesa do multilateralismo.

Comentários

Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.

Espaço dos membros

Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.

A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.

Quero ser membro

Carregando comentários…

Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasildefato.com.brIrã nega negociações previstas com os EUA após Trump dizer que espera retomar conversas
  2. 2. estadao.com.brIrã nega retomada das negociações com os Estados Unidos
  3. 3. folhape.com.brIrã nega retomada das negociações com os Estados Unidos
  4. 4. metro1.com.brIrã nega negociações com EUA e mantém exigências para encerrar guerra - Metro 1