Itamaraty e TSE ampliam estrutura nos EUA e protegem eleitores do ICE
Com eleitorado recorde de 265 mil pessoas nos EUA, consulados abrem novos locais e abrigam filas em Nova York para resguardar comunidade do cerco migratório.

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Em resumo
- O número de eleitores brasileiros aptos a votar nos Estados Unidos saltou cerca de 45% para 2026, atingindo a marca de 265 mil cadastrados.
- Para garantir a votação, o TSE liberou R$ 13,2 milhões e o Itamaraty estruturou 66 novos postos pelo mundo, sendo 14 deles em solo norte-americano.
- Em Nova York, a mudança da seção eleitoral para o Queens busca proteger eleitores em filas internas contra operações do ICE em meio ao cerco migratório de Donald Trump.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A menos de um mês das eleições presidenciais, os Estados Unidos se preparam para receber o maior contingente de votantes brasileiros já registrado fora do país. O contingente apto a participar do pleito em território norte-americano saltou cerca de 45% em relação a 2022, alcançando aproximadamente 265 mil eleitores. Para acolher esse crescimento expressivo e assegurar o pleno exercício da cidadania, o governo brasileiro e a Justiça Eleitoral montaram uma operação coordenada de expansão de postos e reforço da segurança dos cidadãos, enfrentando o ambiente de intimidação provocado pelo endurecimento migratório nos Estados Unidos.
Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o eleitorado brasileiro no exterior chegou a 918,9 mil cidadãos aptos em 2026, avanço de 31,8% frente aos 697,1 mil registrados em 2022. Os Estados Unidos abrigam a maior fatia desse contingente, com três cidades liderando as listas: Boston reúne 53,4 mil eleitores, Miami conta com 40.109 e Nova York alcançou 39.026 pessoas aptas — ante 28 mil no pleito anterior.
Reforço na infraestrutura consular garante o direito ao voto
Diante do avanço expressivo da comunidade brasileira no exterior, o Estado brasileiro agiu para viabilizar o sufrágio democrático além-fronteiras. Em abril, o TSE aprovou a transferência de R$ 13,2 milhões destinada à locação de imóveis no exterior. Com esse aporte, o Itamaraty passou a trabalhar com 66 endereços adicionais em todo o mundo para a realização do pleito, dos quais 14 estão localizados nos Estados Unidos.
O esforço conjunto do Itamaraty e da Justiça Eleitoral atende a um contingente de cidadãos que quadriplicou no exterior desde 2010, quando somava cerca de 200 mil pessoas, e busca aproximar o Estado da realidade dos cerca de 2 milhões de brasileiros que vivem nos EUA.
Proteção contra a repressão migratória do governo Trump
A organização da votação em Nova York precisou responder a um cenário político adverso em solo americano: o aumento das investidas do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), impulsionadas pela política linha-dura contra imigrantes promovida por Donald Trump. Para salvaguardar a integridade dos eleitores, o Consulado-Geral do Brasil decidiu transferir a votação, que em 2022 ocorreu em Manhattan, para uma instituição de ensino no distrito do Queens.
A definição da nova sede contou com o mapeamento e suporte da Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e da polícia local, buscando instalações seguras para a comunidade. A mesma estrutura já havia sido utilizada com sucesso pelo Consulado-Geral do Peru nas eleições de abril.
Deslocamento e o desafio da participação popular
Apesar das salvaguardas de proteção contra a perseguição migratória, a transferência do local gerou debates entre a comunidade. O novo polo educacional fica a cerca de 16 quilômetros da sede consular em Manhattan e não possui ligação direta com estações de metrô, o que aumenta o tempo de percurso para quem depende do transporte público ou vem de outros estados abrangidos pela jurisdição, como Pensilvânia e Nova Jersey.
É a situação enfrentada pela profissional de marketing Amanda Lourenço, residente na Pensilvânia há sete anos, que já dirigia uma hora e meia para votar e agora enfrentará meia hora a mais de estrada:
"Deu uma desanimada de pensar que é mais longe ainda." Amanda Lourenço, eleitora brasileira residente nos Estados Unidos
Historicamente, a abstenção nas urnas no exterior é um obstáculo estrutural. Em 2022, o não comparecimento entre eleitores fora do país atingiu 63,36% no primeiro turno e 61,44% no segundo turno. Naquela eleição, marcada por filas extensas em Manhattan e tensão nas ruas com apoiadores de Jair Bolsonaro — que obteve 65% dos votos válidos nos Estados Unidos —, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva venceu em três dos dez postos consulares no país, alcançando 60,1% em São Francisco.
Ao estruturar 14 novos pontos de votação nos EUA e priorizar locais que resguardem os brasileiros do cerco migratório, a atuação diplomática brasileira reforça o compromisso do governo federal com a proteção da soberania e dos direitos da comunidade que vive fora do país.
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