Jurista denuncia guerra híbrida dos EUA e defende ação do Brasil
Jurista aponta cerco contra instituições brasileiras e sustenta que diplomacia deve recorrer à ONU e à Haia para barrar interferência externa.

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Em resumo
- Jurista Durval Noronha adverte que o Brasil enfrenta ofensiva de guerra híbrida coordenada por Washington para afetar o processo político nacional.
- Estratégia imperialista inclui desinformação em redes, vulnerabilidade de dados sigilosos e coerção por meio de aliados internos contra o interesse coletivo.
- Especialista defende que o governo brasileiro recorra à Corte Internacional de Justiça e ao Conselho de Segurança da ONU para resguardar a soberania do país.
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O jurista Durval Noronha alertou nesta terça-feira (20) que o Brasil enfrenta uma agressão continuada por meio de guerra híbrida movida pelos Estados Unidos. A ofensiva visa desestabilizar as instituições do Estado, intervir nas decisões soberanas e tentar tutelar o processo político brasileiro sem os custos de uma invasão militar convencional.
Com a autoridade de quem atuou nas negociações internacionais que criaram a Organização Mundial do Comércio (OMC), Noronha explicou em entrevista ao programa Boa Noite 247 que essa modalidade de agressão substitui as tropas territoriais por um arsenal de pressões diplomáticas, ciberataques, cerco militar regional e instrumentalização de setores econômicos, religiosos e do Judiciário submissos aos interesses estrangeiros.
"Não se iludam. O Brasil está sendo atacado. O Brasil corre um altíssimo risco. Não se iludam. Nós precisamos defender o nosso país", advertiu o jurista durante a transmissão.
As engrenagens da desestabilização e o controle digital
Segundo Noronha, a tática imperialista utiliza ferramentas de desinformação combinadas à moderação opaca de grandes plataformas digitais, operando para silenciar pautas ligadas à autodeterminação e favorecer pautas alinhadas a Washington. O controle sobre os fluxos digitais e os ataques às infraestruturas de dados sensíveis do país ameaçam diretamente a segurança de órgãos fundamentais, como o Poder Judiciário.
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Essa dinâmica busca produzir no Brasil um estado de dependência que comprometa conquistas essenciais, como investimentos em saúde, educação e transporte público. Para Noronha, a ingerência tem o objetivo de instalar governos tutelados incapazes de atender às necessidades da população trabalhadora.
Resposta na Justiça Internacional e mobilização popular
Para barrar as investidas contra o país, Noronha defende uma ação diplomática enérgica respaldada pelas normas multilaterais. Em análise publicada pela Fundação Maurício Grabois, o especialista pontuou que o Brasil deve ingressar perante a Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, requerendo medidas cautelares contra as violações à soberania, além de provocar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas com base nos artigos que determinam a resolução pacífica de disputas e a repressão a ameaças de agressão.
O jurista ressaltou que a atuação diplomática deve caminhar lado a lado com a resistência nas ruas e a mobilização de estudantes e trabalhadores, repetindo a tradição de lutas históricas do povo brasileiro em defesa da democracia, do futuro nacional e do projeto soberano do país.
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