Marçal entra na campanha de Flávio Bolsonaro para atacar direitos sociais
Inelegível pela Justiça Eleitoral, ex-coach adere à chapa do PL para pregar desmonte do Estado contra o projeto de inclusão de Lula.

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Em resumo
- Barrado pela Justiça Eleitoral, Pablo Marçal anunciou entrada na equipe de campanha de Flávio Bolsonaro para a Presidência.
- Aliança foi selada em São Paulo com discurso de cortar apoio do Estado às famílias, mirando conquistas sociais do governo Lula.
- O PRTB segue formalmente com a candidatura de Leonardo Avalanche, criando racha interno enquanto Marçal se junta ao PL.
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O empresário Pablo Marçal anunciou na terça-feira (29), durante agenda eleitoral em uma academia de jiu-jitsu em São Paulo, sua entrada formal na equipe de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Barrado pela Justiça Eleitoral para disputar o pleito, o ex-coach passa a atuar diretamente na formulação de propostas da chapa bolsonarista, assumindo a retórica anti-Estado e declarando abertamente o objetivo de tentar frear a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Flávio Bolsonaro, a atuação de Marçal será concentrada em formulações voltadas ao empreendedorismo e à chamada mobilidade social. Na prática, o discurso busca legitimar o corte de políticas públicas essenciais, contrapondo-se à rede de proteção social, valorização salarial e geração de empregos lideradas pelo governo federal.
"Pablo Marçal está vindo para nos ajudar nessa parte de empreendedorismo e de mobilidade social. É alguém que é um grande empreendedor, e está unindo forças nessa grande coalizão." — Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL
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Flávio declarou ainda que o aliado ajudará a incentivar o que chamou de "cultura de prosperidade dentro das famílias", sob o argumento de evitar que as pessoas dependam do governo. A retórica tenta esvaziar o papel do Estado na garantia de direitos fundamentais e no combate à desigualdade, eixos centrais dos programas sociais reconstruídos por Lula.
Racha partidário e tentativa de unificação da extrema direita
A adesão de Marçal ocorre em meio a contradições partidárias evidentes. O partido de Marçal, o PRTB, mantém oficialmente candidatura própria ao Palácio do Planalto, agora encabeçada por Leonardo Avalanche. Avalanche assumiu a cabeça de chapa depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou o registro de Marçal em setembro, confirmando decisão que manteve sua inelegibilidade até 2032 em decorrência de irregularidades apuradas na campanha municipal de 2024.
Mesmo com a legenda mantendo chapa própria, Marçal optou por subir no palanque de Flávio Bolsonaro. Ao justificar a aliança, afirmou ter atendido a um convite direto do senador do PL e declarou que seu foco é "aposentar Lula", prometendo ainda novas adesões de concorrentes ao palanque bolsonarista nos próximos dias.
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Ataques distorcidos e a realidade dos fatos
Durante o evento em São Paulo, o palanque de Flávio Bolsonaro também recorreu a acusações descontextualizadas contra o presidente Lula ao abordar o mercado de apostas virtuais. Flávio tentou atribuir ao atual governo a criação dos problemas decorrentes das apostas eletrônicas.
A realidade cronológica e legislativa, no entanto, desmente a versão do candidato do PL. A modalidade de quota fixa foi legalizada ainda em 2018, no governo de Michel Temer. Ao longo dos quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro, o setor funcionou sem regras e sem fiscalização, com o prazo de regulamentação expirando sem qualquer controle do Palácio do Planalto. Foi no governo Lula, em 2023, que o Congresso aprovou uma regulamentação abrangente para enfrentar o vácuo normativo deixado pelo bolsonarismo, contando inclusive com votos favoráveis de deputados e senadores do próprio PL.
A união entre Flávio Bolsonaro e Marçal consolida a estratégia da extrema direita de tentar rivalizar com as conquistas sociais e econômicas do governo Lula por meio de ataques coordenados e da pregação do individualismo econômico.
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