Médica é afastada em Goiás: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista”
Ginecologista sugeriu negar altas no fim de semana de votação e prometeu notas por apoio político; caso foi levado ao MPF.

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Em resumo
- A médica Marcella Segato de Sousa Melo foi afastada da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, após mensagens contra pacientes.
- A profissional orientou colegas a negarem altas na enfermaria no fim de semana eleitoral alegando que a maioria era petista.
- O caso virou alvo de representação no Ministério Público Federal e de procedimentos na Secretaria Municipal de Saúde e no Cremego.
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A ginecologista e obstetra Marcella Segato de Sousa Melo foi afastada por tempo indeterminado da escala de plantões do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia. A decisão administrativa ocorreu após a divulgação de mensagens em um grupo interno que reunia médicos e estudantes de medicina da unidade, nas quais a profissional orientava a retenção de pacientes internadas durante o fim de semana das eleições sob o pretexto de que seriam eleitoras do Partido dos Trabalhadores (PT).
Nas mensagens que vieram a público, a médica determinou: "Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta pra ninguém, a maioria é petista". Antes do comentário sobre a assistência hospitalar, Marcella havia compartilhado materiais de propaganda e feito menção ao número de urna associado a Flávio Bolsonaro (PL), declarando ainda que concederia nota dez no rodízio acadêmico aos alunos que votassem conforme sua orientação, conforme reportou o Jornal Opção.
Representação ao MPF aponta desvio e abuso de poder
A conduta foi levada formalmente ao Ministério Público Federal por meio de representação apresentada pelo advogado Alan Henrique Marques, segundo registrou o PortalGO. O documento sustenta que a tentativa de subordinar o atendimento público de saúde a interesses partidários pode caracterizar abuso de poder e crime eleitoral ao buscar constranger cidadãos em período de votação.
Em manifestação sobre o caso, Marques afirmou que a justificativa posterior de que tudo não passava de brincadeira não reduz a gravidade do fato, ressaltando que, em um cenário de intensa disputa política, é inaceitável sujeitar cidadãos que buscam atendimento médico a preferências ideológicas de profissionais de saúde.
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Ao ser procurada, Marcella Segato alegou que os comentários integraram uma brincadeira em grupo privado e negou que condicionaria avaliações de estagiários ou procedimentos clínicos a escolhas eleitorais.
Apurações administrativas e processo ético no Cremego
A administração do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara e a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia instauraram procedimentos administrativos para apurar o episódio com garantia de ampla defesa e contraditório. Em nota, a maternidade pediu desculpas formais à população e destacou que critérios de internação e alta são técnicos e clínicos, rejeitando qualquer discriminação, conforme informou o g1 Goiás.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) confirmou a abertura de procedimento disciplinar sigiloso para averiguar a conduta ética da profissional e informou ter solicitado esclarecimentos formais à direção técnica da maternidade.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. g1.globo.comMensagem pedindo para não dar alta a
- 2. jornalopcao.com.brMédica de maternidade de Goiânia é afastada após mensagem sobre pacientes petistas
- 3. portalgo.com.brMaternidade afasta médica após mensagem para não dar alta a pacientes no fim de semana das eleições; “a maioria é petista” | PortalGO
