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Cobertura: STF

Mendonça blinda Flávio e manda redes apagarem posts sobre Padroeira

Ministro amplia decisão em favor do senador do PL e impõe censura prévia de publicações nas plataformas com multa de R$ 50 mil.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • André Mendonça ampliou ordem para redes sociais removerem preventivamente posts que ligam Flávio Bolsonaro a ataque a Nossa Senhora Aparecida.
  • Decisão atendeu a representação da campanha de Flávio após viralização de críticas e mobilizou plataformas sob pena de multa diária de R$ 50 mil.
  • Declaração de Flávio sobre 'decretar o Brasil para Jesus' reacendeu alerta de religiosos contra a manipulação da fé na corrida eleitoral.

4 min de leitura

Visão geral do Plenário do Senado Federal durante sessão solene com parlamentares e convidados reunidos
Plenário do Senado durante sessão solene em homenagem à Assembleia de Deus no Amazonas e à Rede Boas Novas — Agência Senado from Brasilia, Brazil. Wikimedia Commons · CC BY

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

Em uma decisão com contornos de censura preventiva para proteger a candidatura da extrema direita, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, ampliou nesta sexta-feira (25) a ordem para que as principais plataformas digitais excluam sumariamente conteúdos que associem o senador Flávio Bolsonaro (PL) a planos de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

A determinação alcança as redes X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube. O ministro, alçado ao Supremo Tribunal Federal (STF) por Jair Bolsonaro sob a promessa de uma cadeira para um indicado “terrivelmente evangélico”, obrigou as empresas a deletarem imediatamente publicações apontadas pela defesa do parlamentar e a monitorarem ativamente novos conteúdos semelhantes, dispensando novas ordens judiciais específicas.

Blindagem à extrema direita e alcance das redes

A ofensiva jurídica de Flávio Bolsonaro teve início contra uma postagem do humorista e comunicador Antonio Tabet. Em seguida, a defesa do candidato bolsonarista ampliou o pedido ao alegar que um levantamento interno localizou 2.086 publicações em 1.674 contas, acumulando mais de 21 milhões de visualizações e 1,49 milhão de curtidas.

Ao classificar a narrativa como “notoriamente inverídica”, o ministro não apenas determinou a derrubada de 1.170 links apresentados nas petições, como impôs que as ferramentas de busca e correspondência de imagem das plataformas identifiquem variações em texto, imagem, áudio, vídeo ou meme. A defesa de Antonio Tabet criticou duramente a medida liminar, apontando a fragilidade jurídica de presumir destinatário certo em uma crítica genérica que sequer citava nominalmente o senador bolsonarista.

A postagem limitou-se a afirmar, acompanhada de uma imagem da padroeira, que ‘A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!’. O fato de o representante ter se reconhecido de forma tão imediata nessa exata descrição é revelador, mas vestir a própria carapuça não deveria fornecer o alicerce jurídico para a decretação de censura. — Defesa de Antonio Tabet

A canetada de Mendonça também atingiu manifestações de parlamentares progressistas, como a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o deputado Rogério Correia (PT-MG), além de reflexões publicadas pelo teólogo Leonardo Boff sobre os riscos do fundamentalismo religioso.

Fundamentalismo e reação da Igreja Católica

O debate em torno do feriado de 12 de outubro e do papel de Nossa Senhora Aparecida ganhou as redes sociais após a repercussão da própria postura de Flávio Bolsonaro. Em agosto, ao justificar sua ausência em um debate na televisão, o senador declarou abertamente que, caso fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.

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A postura intolerante da extrema direita reavivou na memória pública a existência do Projeto de Lei 2.623/2007, de autoria do ex-deputado Professor Victório Galli, que pretendia rebaixar a Padroeira do Brasil a padroeira restrita aos católicos. Embora a proposta tenha sido rejeitada e arquivada em 2008, o histórico autoritário dos aliados do clã Bolsonaro mantém o alerta aceso entre fiéis e defensores da laicidade do Estado.

Diante da constante instrumentalização da fé pelo bolsonarismo, bispos da Igreja Católica vieram a público para defender a soberania do voto e o respeito à pluralidade do povo brasileiro. Bispos da Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) alertaram expressamente contra a manipulação da religião como curral eleitoral.

Enquanto a extrema direita tenta conter nas barras dos tribunais os danos de sua própria retórica excludente, o campo progressista reafirma o compromisso histórico com a soberania nacional, o bem comum e a tolerância religiosa. O vice-presidente Geraldo Alckmin assegurou publicamente a preservação e a proteção integral de todas as tradições religiosas do país.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comUchôa cobra Flávio Bolsonaro após declaração sobre “Brasil de Jesus Cristo” (vídeo)
  2. 2. diariodocentrodomundo.com.brEm tempo recorde, Mendonça censura mais de 1,6 mil posts sobre Nossa Senhora Aparecida
  3. 3. metropoles.comMendonça manda derrubar posts sobre polêmica com Nossa Senhora e Flávio
  4. 4. iclnoticias.com.brMendonça manda Tabet apagar post sobre Nossa Senhora Aparecida