Milton Leite se entrega após operação sobre infiltração do PCC em SP
Ex-presidente da Câmara e articulador de Nunes e Tarcísio é preso sob acusação de comandar empresa ligada à facção no transporte público paulistano.

Núcleo editorial
Atualizado em 21 de setembro de 2026
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Em resumo
- Milton Leite (União Brasil) se entregou à Polícia Civil em Mogi das Cruzes nesta sexta-feira (18), após ter a prisão temporária decretada na Operação Vectura Corrupta.
- A investigação do MPSP e da Polícia Civil aponta o ex-vereador como 'dono de fato' da concessionária Transwolff e elo político do esquema do PCC no transporte coletivo.
- A operação também prendeu Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Morgado, candidato a deputado estadual pelo PL de Jair Bolsonaro.
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O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18), na Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, após ter a prisão temporária decretada pela Justiça. Alvo central da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil, Leite passou mais de 24 horas na condição de foragido e agora está detido em meio a apurações que revelam a penetração do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas concessões públicas de ônibus da capital.
A decisão judicial que determinou a detenção aponta Milton Leite como o “dono de fato” da concessionária Transwolff, empresa já investigada anteriormente por esquemas de lavagem de dinheiro para o crime organizado. Interceptações telefônicas, áudios e depoimentos de policiais militares reunidos pelos investigadores indicam que decisões estratégicas de empresas de transporte sob suspeita passavam pela chancela e articulação direta do ex-parlamentar.
Esquema atinge cúpula dos transportes e aliados bolsonaristas
A Operação Vectura Corrupta identificou que ao menos 12 das 22 empresas concessionárias de transporte coletivo da capital paulista estariam sob controle direto ou indireto de intermediários e operadores da facção criminosa. O esquema abrange crimes de corrupção, lavagem de recursos e o financiamento ilícito de campanhas eleitorais.
Além de Milton Leite, a operação resultou na prisão de Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), investigado por manter contatos frequentes com operadores do PCC para atender a interesses do grupo no setor. Também foi detido Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL e ex-candidato à prefeitura de Praia Grande, apontado pelo MPSP como destinatário de recursos ilícitos da organização para sua campanha.
Em cumprimento a mandados de busca e apreensão em Sorocaba, em endereço ligado a um ex-assessor do ex-vereador, a Polícia Civil localizou e apreendeu cerca de R$ 738 mil em espécie, distribuídos em R$ 280 mil e 89 mil dólares, cuja procedência não foi explicada pelo ocupante do imóvel.
Articulação direta com as gestões de Nunes e Tarcísio
A ofensiva atinge em cheio a espinha dorsal política da direita paulista. Milton Leite exerceu sete mandatos na Câmara Municipal entre 1997 e 2024 e comandou a Casa em seis ocasiões, consolidando-se como o principal fiador da sustentação parlamentar do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em 2024, na condição de dirigente do União Brasil, Leite foi o arquiteto decisivo do apoio da legenda à reeleição de Nunes.
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As relações de Leite também se estendem ao Palácio dos Bandeirantes. O ex-vereador manteve estreita aliança com o governador Tarcísio de Freitas durante as negociações da privatização da Sabesp e recebeu o apoio público do governador paulista em atos de campanha de seus filhos. A exposição da rede que atrela concessões de serviços básicos ao crime organizado escancara a fragilidade dos discursos punitivistas da extrema direita diante de apurações concretas sobre o patrimônio e as concessões municipais.
Manifestações e andamento do processo
Em declarações antes de sua apresentação às autoridades, Milton Leite alegou inocência diante dos mandados judiciais expedidos pelo Tribunal de Justiça de São Paulo:
"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações." — Milton Leite, ex-presidente da Câmara de São Paulo
A defesa do ex-vereador e a empresa Transwolff negam qualquer participação societária de Leite na concessionária ou vinculação com o PCC. Já a Prefeitura de São Paulo declarou em nota que adotou intervenções administrativas na Transwolff e na concessionária UPBus ainda em 2024 para resguardar o sistema de mobilidade, afirmando que colabora integralmente com o MPSP e que analisa os contratos da A2 Transportes. A campanha de Danilo Morgado classificou a prisão como de teor político, enquanto a defesa de Levi dos Santos Oliveira afirmou que recorrerá assim que tiver acesso integral aos fundamentos do decreto prisional.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comPreso, Milton Leite pode expor infiltração do PCC na prefeitura e no governo de São Paulo
- 2. cartacapital.com.brEx-vereador Milton Leite é alvo de operação que investiga infiltração do PCC no transporte de SP
- 3. iclnoticias.com.brMilton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte público - ICL Notícias
- 4. brasildefato.com.brEx-vereador Milton Leite segue foragido após operação que investiga infiltração do PCC no transporte de SP
