Na ONU, Lula vai defender soberania e rechaçar ingerência externa
APURAÇÃO DCM | Presidente discursará na abertura da 81ª sessão reafirmando a autodeterminação nacional, a defesa das instituições e a cooperação internacional.

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Atualizado em 18 de setembro de 2026
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Em resumo
- Lula abrirá o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU na próxima terça-feira (22), marcando sua décima participação histórica como orador de abertura.
- O discurso reforçará a soberania brasileira, a integridade das instituições democráticas e a rejeição a tentativas de interferência externa na eleição de 2026.
- A manifestação pautará princípios gerais da diplomacia para enviar recados a potências como os Estados Unidos e a governos alinhados, sem necessariamente citá-los de forma nominal.
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara para a próxima terça-feira (22) seu discurso de abertura na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Na tribuna internacional, o mandatário brasileiro fará uma defesa categórica da soberania nacional, da higidez das instituições democráticas e da autodeterminação do povo brasileiro, marcando posição contra tentativas externas de interferência no processo eleitoral de 2026.
A viagem da comitiva presidencial aos Estados Unidos está programada para domingo (20). Esta será a décima vez que Lula profere o pronunciamento de abertura do Debate Geral da ONU, prerrogativa mantida pela diplomacia brasileira desde 1955. Em um momento de forte pressão geopolítica e de avanço da extrema direita internacional, o presidente levará ao plenário a reafirmação de que o Brasil é senhor de suas decisões soberanas.
Defesa da soberania e repúdio a pressões externas
A orientação construída pelo governo prevê tratar a soberania, a democracia e o respeito institucional a partir de princípios universais da política externa brasileira. A abordagem permite enviar recados transparentes e firmes sobre a inviolabilidade do pleito de 2026, rechaçando pressões externas sem a necessidade de citar diretamente o governo dos Estados Unidos ou o presidente Donald Trump.
Interlocutores do Palácio do Planalto apontam que o recado se destina tanto a Washington — de onde partem ameaças associadas ao domínio geopolítico e ao poder das plataformas digitais de grandes empresas de tecnologia — quanto a outros governos que ensaiam interferências políticas no Brasil, como a Argentina e Israel. O posicionamento do governo ocorre em um cenário bilateral tencionado por medidas tarifárias impostas pelos Estados Unidos contra exportações brasileiras e por declarações de Trump em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro após sua condenação.
Essa postura dá continuidade à linha adotada em setembro de 2025, quando Lula sublinhou na ONU que as instituições do país resistiram a investidas golpistas e frisou expressamente que o Brasil não aceita nenhum tipo de tutela externa. Embora Lula e Trump possam se cruzar nos intervalos protocolares da sessão, não há reunião bilateral agendada entre os dois líderes.
Cooperação contra o crime organizado e reforma multilateral
Além de blindar a soberania nacional contra a ingerência estrangeira, o pronunciamento de Lula ampliará o foco sobre a crise estrutural dos organismos internacionais. De acordo com a avaliação da diplomacia brasileira, o multilateralismo contemporâneo precisa ser recuperado para enfrentar com eficácia os conflitos armados e as desigualdades entre os povos.
"A democracia e o multilateralismo estão sob ataque." — Avaliação da diplomacia brasileira sobre o cenário global
Entre as novidades do texto em elaboração está o destaque ao combate internacional ao crime organizado. O governo brasileiro avalia que o avanço das organizações criminosas transnacionais não pode ser tratado como mero problema de segurança interna nem servir de pretexto para intervenções militares unilaterais na América Latina. Diante disso, Lula defenderá a cooperação regional e global coordenada, ressaltando as estruturas de segurança compartilhada já existentes e a busca por respostas negociadas e conjuntas.
Clima, governança global e o compromisso soberano
A agenda de desenvolvimento sustentável, o combate à emergência climática e a cobrança por reformas na governança das Nações Unidas completam o eixo da fala presidencial. O debate oficial da 81ª Assembleia tem como lema a adaptação da entidade às transformações do século XXI e o resgate da confiança entre as nações.
Ao ocupar a tribuna internacional, Lula consolida mais uma vez o papel do Brasil como articulador de pontes diplomáticas, demonstrando ao mundo que a soberania brasileira, os direitos da população e o respeito às urnas não se submetem a chantagens econômicas ou políticas de potências hegemônicas.
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