ONU acusa Estados Unidos de crimes de guerra em ataques no Irã
Relatório independente aponta ataques indiscriminados contra escola e área residencial com ao menos 178 civis mortos, em meio à omissão do Pentágono.

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Em resumo
- Missão da ONU concluiu haver motivos razoáveis para apontar crimes de guerra cometidos pelas forças dos EUA em bombardeios no sul do Irã.
- Ataques de 28 de fevereiro atingiram uma escola infantil em Minab e um complexo esportivo com área residencial em Lamerd, matando ao menos 178 civis.
- Peritos destacam que os alvos civis eram claramente identificáveis e que militares norte-americanos agiram com imprudência baseados em dados desatualizados.
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Uma missão internacional de investigação das Nações Unidas concluiu haver motivos razoáveis para apontar que os Estados Unidos cometeram crimes de guerra durante ofensivas militares contra o Irã. O relatório, divulgado nesta quinta-feira (17) e elaborado pela equipe designada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, responsabiliza as forças armadas norte-americanas por ataques aéreos indiscriminados que atingiram alvos civis no sul iraniano logo no início do conflito, em 28 de fevereiro.
As investigações detalham que as ofensivas deixaram ao menos 178 civis mortos, em sua esmagadora maioria mulheres e crianças. O documento será apresentado formalmente na segunda-feira (21) aos 47 países-membros do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra.
Ataques contra alvos civis identificáveis
O primeiro dos episódios analisados pela ONU ocorreu na cidade de Minab, na província de Hormozgan, onde um míssil de cruzeiro Tomahawk disparado pelas forças dos Estados Unidos atingiu a escola infantil Shajareh Tayyebeh. O bombardeio matou dezenas de estudantes e professores — balanços documentados no relatório apontam mais de 150 mortos, sendo cerca de 120 crianças.
De acordo com a equipe de peritos, o prédio escolar era uma estrutura civil claramente identificável e não há qualquer indício de que o espaço estivesse sendo utilizado para operações militares. A investigação revelou que as forças armadas dos EUA operaram a partir de dados de inteligência defasados sobre a suposta presença de um oficial iraniano na região, sem realizar verificações prévias para confirmar a informação antes do disparo.
Após os ataques dos Estados Unidos e de Israel em 28 de fevereiro, a missão encontrou motivos razoáveis para acreditar que os Estados Unidos cometeram o crime de guerra de lançar ataques indiscriminados que resultaram em perda de vidas ou ferimentos a civis ou danos a bens civis. Missão internacional de investigação da ONU sobre o Irã
No mesmo dia, um segundo bombardeio norte-americano atingiu um centro esportivo e uma área residencial na cidade de Lamerd. Para essa operação, as forças militares empregaram mísseis equipados com submunições que dispersaram milhares de esferas de tungstênio sobre as habitações e uma escola vizinha, matando 22 civis. Os peritos classificaram a ação como desproporcional e indiscriminada.
Impunidade e negação de responsabilidade
Sete meses após o massacre na escola de Minab, a administração de Donald Trump segue sem reconhecer a responsabilidade pelas mortes e não tornou públicas as apurações internas conduzidas pelo Pentágono. Em pronunciamento feito em junho, o próprio presidente norte-americano chegou a alegar genericamente que ninguém havia mirado uma escola de forma deliberada.
Em relação ao bombardeio em Lamerd, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) negou formalmente ter realizado operações aéreas na localidade naquela data, posição frontalmente contraditada pelas análises técnicas, imagens de satélite e dados de fragmentação de tungstênio reunidos pelos especialistas internacionais.
Violações documentadas e cobrança de reparação
Além de expor os crimes cometidos pela ofensiva de Washington, o relatório da comissão independente — chefiada pela jurista Sara Hossain — denunciou que o governo do Irã cometeu crimes contra a humanidade ao reprimir protestos internos com assassinatos ilegais, tortura e o uso abusivo da pena de morte.
A missão internacional pontuou que as populações civis permaneceram expostas tanto à repressão interna quanto à destruição provocada pela intervenção militar estrangeira. Diante das conclusões, o relatório exige a interrupção imediata das hostilidades e defende que as vítimas de ambas as partes recebam reparação integral, reforçando que as evidências colhidas podem embasar futuros processos de responsabilização penal internacional.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. operamundi.uol.com.brONU aponta ‘crime de guerra’ em ataques norte-americanos no Irã
- 2. g1.globo.comComissão da ONU diz que EUA cometeram crimes de guerra no Irã | G1
- 3. veja.abril.com.brONU denuncia crimes de guerra cometidos pelos EUA durante guerra no Irã
- 4. exame.comInvestigadores da ONU apontam possíveis crimes de guerra dos EUA no Irã
