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Cobertura: Política brasileira

PCC controla 12 das 22 empresas de ônibus em São Paulo, aponta Ministério Público

Operação da Polícia Civil e do Ministério Público mira infiltração criminosa em contratos municipais e tem como alvos Milton Leite e o ex-chefe da SPTrans.

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Redação BEM10 TV

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Em resumo

  • Investigação do Ministério Público e da Polícia Civil aponta que 12 das 22 viações da capital paulista estão sob controle do PCC.
  • A Operação Vectura Corrupta expediu mandados de prisão contra o ex-presidente da Câmara Milton Leite e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira.
  • Interceptações indicam movimentação de propinas, compra e venda de frotas e financiamento de campanhas eleitorais em 2024.

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Ônibus elétrico a bateria em circulação na cidade de São Paulo
Ônibus a bateria em operação na linha 6030-10 Unisa Campus I/Terminal Santo Amaro em São Paulo — Pedro Nardi. Wikimedia Commons · CC0

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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.

Uma operação conjunta deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil nesta quinta-feira (17) revelou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) controla, em tese, ao menos 12 das 22 empresas concessionárias que operam o sistema de transporte coletivo de passageiros na capital paulista. A terceira fase da apuração, batizada de Operação Vectura Corrupta, cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão contra empresários, operadores financeiros e figuras centrais do tabuleiro político de São Paulo, entre eles o ex-presidente da Câmara Municipal Milton Leite (União Brasil) e o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira.

As apurações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes sustentam que a facção criminosa ultrapassou o tráfico de entorpecentes convencional para erguer uma sólida engrenagem de lavagem de capitais ancorada em contratos públicos, fraudes licitatórias e infiltração institucional. As empresas sob suspeita compõem o subsistema local da cidade — responsável por atender as regiões periféricas da metrópole —, mobilizando 6.029 dos 13.690 ônibus da frota paulistana.

Mandados miram cúpula política e ex-gestão da SPTrans

Entre as ordens expedidas pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo estão 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em municípios como São Paulo, Santana de Parnaíba, Diadema, Santos e Praia Grande. O ex-vereador Milton Leite não foi encontrado pelos agentes em sua residência durante a manhã e passou a ser tratado pela polícia como foragido. No despacho judicial, Leite é descrito como responsável direto por decisões em companhias investigadas e apontado por testemunhos de policiais militares colhidos na Justiça Militar como suposto "dono de fato" da concessionária Transwolff.

Também foi detido Levi dos Santos Oliveira, que esteve à frente da São Paulo Transporte (SPTrans), estatal que gerencia e fiscaliza as linhas de ônibus da capital. As investigações relatam que Oliveira mantinha reuniões regulares com José Daniel Satilite, o "Alemão", apontado como intermediário estratégico da facção para negociar interesses do setor de mobilidade. A operação prendeu ainda Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL e postulante à prefeitura de Praia Grande em 2024.

"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações." — Milton Leite, ex-presidente da Câmara de São Paulo

A defesa corporativa da Transwolff alegou em nota que Milton Leite nunca integrou seus quadros societários nem exerceu gestão interna sobre as operações. Já os advogados de Levi dos Santos Oliveira ressaltaram que o ex-dirigente não tem antecedentes e que consolidou trajetória de referência técnica nos anos de atuação no serviço público paulistano.

Conexão entre contratos municipais e financiamento eleitoral

O avanço da Operação Vectura Corrupta é desdobramento direto de investigações anteriores, como a Operação Decurio, de agosto de 2024, e a Operação Contaminatio, realizada no início de 2026. A partir da quebra de sigilo telemático e da apreensão de aparelhos celulares de operadores do esquema, promotores identificaram que o PCC possuía capacidade de direcionar recursos ilícitos para irrigar campanhas eleitorais municipais em 2024, além de manter um núcleo jurídico especializado denominado "Sintonia dos Gravatas".

As conversas interceptadas revelaram ainda esquemas de compra e repasse de frotas com sobrepreço e pagamento de comissões ilegais, como a negociação de 63 ônibus da Translider por R$ 1,26 milhão conduzida por pessoas interpostas para viabilizar transferências a operadores ligados ao grupo. O esquema contava com o uso sistemático de empresas de fachada e cooperados laranjas para blindar o patrimônio amealhado.

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Diante da magnitude do escândalo, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) declarou que já havia imposto intervenção e decretado caducidade sobre contratos de empresas como a Transwolff e a UPBus desde 2024, e informou a criação de uma força-tarefa com a Procuradoria-Geral do Município e a SPTrans para acompanhar o material compartilhado pelos investigadores. A infiltração documentada pelo Ministério Público evidencia a fragilidade dos mecanismos de controle das concessões e expõe a captura de serviços públicos essenciais para a população trabalhadora das periferias pela criminalidade organizada.

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Fontes desta notícia

Os links abaixo sustentam os fatos.

  1. 1. brasil247.comPCC controla 12 das 22 empresas de ônibus de São Paulo, aponta Ministério Público
  2. 2. diariodocentrodomundo.com.brPCC controla 12 das 22 empresas de ônibus em São Paulo, diz MP
  3. 3. iclnoticias.com.brPCC definia financiamento de campanhas políticas de São Paulo, aponta Justiça - ICL Notícias
  4. 4. g1.globo.com12 das 22 empresas de ônibus que operam em São Paulo são suspeitas de ligação com o PCC; veja quais são elas | G1