Pedro Rousseff aciona MPF após Nikolas usar crianças contra Lula
Representação cobra investigação sobre desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente em gravação com ataques ao presidente e ao PT.

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Em resumo
- Pedro Rousseff acionou o Ministério Público Federal contra Nikolas Ferreira pelo uso de crianças em gravação com ataques políticos a Lula.
- A representação cobra apuração sobre respeito ao ECA, autoria do roteiro e fontes de financiamento da produção divulgada em 12 de outubro.
- A deputada federal Duda Salabert também acionou o Ministério Público de Minas Gerais para apurar a participação dos menores na gravação.
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O deputado federal eleito Pedro Rousseff (PT-MG) acionou o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) nesta terça-feira (13 de outubro de 2026) para pedir a abertura de investigação contra o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). A medida ocorre após o parlamentar bolsonarista publicar, no domingo (12), data em que se celebra o Dia das Crianças, um vídeo no qual menores de idade aparecem encenando acusações sem provas contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Partido dos Trabalhadores.
No material divulgado nas redes sociais de Nikolas, crianças aparecem em uma sequência editada com falas sobre desvios de recursos, aposentadorias, segurança pública e preços. Em um dos trechos, uma criança afirma: “Minha avó tinha me prometido me dar uma bicicleta, mas infelizmente não vai mais. Porque roubaram o dinheiro da vovó”. Em seguida, outros menores completam os diálogos preparados: “Eu ouvi dizer que foi o Lula”; “Lula? Não, foi o Lulinha”; “Tudo é a mesma coisa”. Ao fim, a gravação traz pedidos explícitos de voto contrário ao PT na disputa eleitoral.
Denúncia aponta violação ao ECA e roteiro direcionado
Na representação protocolada perante as autoridades federais, Pedro Rousseff sustenta que o vídeo ultrapassou os limites éticos e legais, exigindo a aplicação das normas de proteção à infância estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O documento ressalta que a sequência e a articulação das falas indicam um material minuciosamente roteirizado e dirigido para fins de propaganda eleitoral antecipada.
"Não é possível que neste país um deputado federal eleito e bem eleito possa se utilizar da figura de crianças para poder, primeiro, disseminar mentiras e, segundo, fazer propaganda política partidária. Até porque todo o mundo sabe que essas crianças não falaram isso de verdade, mas sim estavam a ler um texto que o próprio Nikolas montou." Pedro Rousseff (PT-MG), em anúncio da representação ao MPF
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A peça encaminhada ao Ministério Público solicita que sejam identificados os responsáveis por escrever o roteiro, escalar as crianças, coordenar as filmagens e custear a edição e a divulgação da peça. Também foi requisitada a checagem de autorizações formais dos responsáveis legais, existência de contratos e a expedição de eventual alvará judicial exigido para a participação de menores em produções dirigidas.
Mobilização jurídica e táticas eleitorais da oposição
A reação à gravação bolsonarista não partiu apenas de Rousseff. A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) também confirmou ter acionado o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para solicitar apuração formal das circunstâncias em que as crianças foram expostas na publicação partidária.
Segundo Rousseff, a investida reflete o desespero de setores da extrema direita na disputa nacional. Ao comentar o episódio, o parlamentar lembrou ainda outros episódios de exposição de menores, como a divulgação recente de uma criança empunhando armas durante manifestações bolsonaristas, e apontou o contraste entre o projeto popular de valorização social e a pauta da oposição, que prevê cortes profundos em áreas como saúde e educação. A mobilização jurídica busca responsabilizar os envolvidos e assegurar que as salvaguardas constitucionais e o ECA sejam plenamente respeitados frente a campanhas de difamação política.
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