PF aponta que Eduardo orientou recursos de “Dark Horse” nos EUA
Representação da PF cita mensagem atribuída ao ex-deputado e detalha a reativação de um fundo inerte para movimentar recursos destinados à cinebiografia de Jair Bolsonaro.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- A PF atribui a Eduardo Bolsonaro orientações sobre a gestão, nos Estados Unidos, do dinheiro destinado à cinebiografia de Jair Bolsonaro.
- O fundo Havengate ficou sem atividade pública registrada por quase quatro anos antes de receber uma primeira remessa de US$ 2 milhões.
- Um colaborador relatou sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões; o financiamento previsto chegaria a US$ 24 milhões.
4 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Documentos da Polícia Federal tornados públicos após a retirada parcial do sigilo do caso Master apontam que Eduardo Bolsonaro orientou a administração, nos Estados Unidos, de recursos destinados a “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A Procuradoria-Geral da República endossou o pedido de investigação e destacou uma mensagem atribuída ao ex-deputado sobre como viabilizar as remessas.
A estrutura indicada nas conversas envolvia o Havengate Development Fund, sediado no Texas e ligado a pessoas próximas de Eduardo. O fundo, originalmente criado para um empreendimento imobiliário, ficou sem atividade pública registrada por quase quatro anos antes de receber dinheiro relacionado ao filme.
Mensagem atribuída a Eduardo indica caminho para as remessas
Segundo a representação da PF, em março de 2025 o publicitário Thiago Miranda informou ao então banqueiro Daniel Vorcaro que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar uma reunião para tratar da produção. Depois, foi encaminhada uma captura de tela com orientações atribuídas a Eduardo sobre a gestão do dinheiro nos Estados Unidos.
“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo.”
— Mensagem atribuída a Eduardo Bolsonaro, citada pela PF e pela PGR
Na continuação, Eduardo teria alertado que remessas feitas por uma empresa brasileira poderiam levar cerca de seis meses e sugerido o envio do “máximo possível” pelo sistema que já estava sendo utilizado. Ele também colocou Altieris Santana, diretor de uma empresa ligada ao Havengate, à disposição para reuniões presenciais.
Ao analisar o material, a PGR afirmou que Eduardo colocou a estrutura do fundo “para operar o esquema”. O parecer assinado pelo procurador-geral Paulo Gonet em julho deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar o financiamento internacional do filme.
Fundo ficou inerte antes de receber US$ 2 milhões
O Havengate havia sido criado em 2020 para um empreendimento imobiliário estimado em US$ 21 milhões. De acordo com a PF, o fundo não possui propriedades registradas em seu nome e permaneceu operacionalmente inerte por quase quatro anos. Sua gestora ainda cancelou os registros como administradora regulada de investimentos no Texas e na Flórida em 2021.
A primeira remessa relacionada a “Dark Horse”, de US$ 2 milhões, chegou ao fundo em 13 de fevereiro de 2025. O dinheiro saiu da Entre Investimentos, empresa do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro.
Mineiro firmou acordo de colaboração premiada com a PGR. Segundo seu relato aos investigadores, foram realizadas sete transferências ao Havengate, entre fevereiro e setembro de 2025, que somaram US$ 12,3 milhões — cerca de R$ 69 milhões na cotação mencionada pela apuração.
A previsão apresentada a Daniel Vorcaro era ainda maior: US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 122 milhões, divididos em 14 parcelas para financiar a produção. Os repasses foram interrompidos depois da prisão do ex-banqueiro.
Investigação alcança origem, destino e beneficiários do dinheiro
A PF considera que os valores previstos destoam dos parâmetros do mercado audiovisual. A apuração investiga a origem dos recursos, seus beneficiários finais, a efetiva destinação do dinheiro e os papéis desempenhados por Eduardo e pelo senador Flávio Bolsonaro nas tratativas relacionadas ao projeto.
Os investigadores também analisam por que a Entre Investimentos foi utilizada como intermediária e como um fundo criado para o setor imobiliário passou a movimentar milhões de dólares destinados a uma cinebiografia. A escolha de uma estrutura internacional dormente, administrada por pessoas ligadas a Eduardo, transformou o financiamento de uma peça de propaganda bolsonarista em objeto de escrutínio policial.
“Dark Horse” tinha estreia anunciada para 11 de setembro de 2026, mas a produtora Go Up Entertainment adiou o lançamento para depois do período eleitoral. Em vez da vitrine cinematográfica planejada para exaltar Jair Bolsonaro, o projeto expôs um circuito milionário de transferências internacionais cuja estruturação, segundo a PF e a PGR, teve a participação de seus próprios filhos.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comPF aponta que Eduardo Bolsonaro orientou gestão de recursos de Dark Horse nos EUA
- 2. diariodocentrodomundo.com.brEduardo Bolsonaro orientou uso de recursos de “Dark Horse” nos EUA, diz PF
- 3. cartacapital.com.brPF aponta que Eduardo Bolsonaro orientou gestão nos EUA de dinheiro destinado a ‘Dark Horse’
- 4. iclnoticias.com.brEduardo Bolsonaro orientou envio de dinheiro de ‘Dark Horse’ aos EUA, aponta PGR - ICL Notícias
