PF é acionada contra trama de Vorcaro e bolsonaristas na revista Veja para atingir Lula
Advogados acionam a Polícia Federal para apurar circulação de gravação clandestina que tenta desviar foco de escândalo financeiro e interferir na disputa presidencial.

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Em resumo
- Prerrogativas pede investigação sobre gravação atribuída a Daniel Vorcaro para interferir no segundo turno contra Lula.
- Suspeita aponta tentativa de desviar foco de inquérito sobre repasses milionários do ex-dono do Banco Master a Flávio Bolsonaro.
- Advogados solicitam apuração sobre intermediários e registros de visitas ao presídio onde Vorcaro está detido desde março.
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Uma representação formal apresentada à Polícia Federal nesta quinta-feira (8) pede apuração urgente sobre uma articulação entre o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e aliados da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). A denúncia, protocolada pelos advogados Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida, do grupo Prerrogativas, aponta indícios de uma manobra política para divulgar acusações sem sustentação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo federal às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro.
Segundo o documento, um dispositivo de armazenamento contendo um depoimento atribuído a Vorcaro teria sido entregue a terceiros com ataques a ministros de Estado e adversários de Flávio, numa tentativa de interferir no processo eleitoral sem possibilitar tempo hábil de resposta. A peça jurídica sustenta que as acusações buscam criar um factoide para enfraquecer o projeto progressista liderado por Lula e, simultaneamente, blindar os investigados no escândalo de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
Articulação financeira e promessas de impunidade
A ofensiva ocorre no momento em que a relação entre o banqueiro e o clã Bolsonaro já está sob a mira do Supremo Tribunal Federal (STF). Em julho, o ministro André Mendonça autorizou inquérito para investigar repasses financeiros de Vorcaro voltados à produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Naquele processo, Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro figuram como investigados após mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil registrarem negociações de até US$ 24 milhões, dos quais cerca de R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos.
Vorcaro, que se encontra detido preventivamente desde março, teve propostas de delação premiada rejeitadas pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal por ausência de consistência. Conforme relatos recolhidos pela coordenação jurídica da campanha de Lula, o banqueiro estaria sendo incentivado a forjar acusações sobre o financiamento do documentário Lula, dirigido em 2024 pelo cineasta Oliver Stone. Em troca da armação, teria recebido a promessa de soltura imediata de seu pai, Henrique Vorcaro, e a concessão de prisão domiciliar caso a oposição vencesse o pleito.
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"A suposta acusação buscaria estabelecer uma comparação com os repasses destinados ao filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro." Marco Aurélio de Carvalho, advogado e coordenador do grupo Prerrogativas
Pedidos de perícia e responsabilização na PF
A notícia de fato enviada à PF requer diligências para identificar a cadeia de custódia da suposta mídia, averiguar quem ordenou sua produção e fiscalizar a entrada de aparelhos eletrônicos e o livro de visitas da unidade prisional nos últimos 90 dias. A medida visa comprovar se houve facilitação ilegal no cárcere e mapear a atuação de intermediários que negociaram materiais com veículos de comunicação.
O documento também sugere o encaminhamento das apurações ao STF e à Procuradoria-Geral Eleitoral para verificar a ocorrência de crimes de obstrução de Justiça, denunciação caluniosa e divulgação de notícias falsas. Ao cobrar respostas técnicas da polícia judiciária, a iniciativa busca resguardar a soberania do voto e impedir que acordos espusos do sistema financeiro com a extrema direita manipulem a decisão da população brasileira.
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Fontes desta notícia
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