PF encerra apuração preliminar sobre verba dos EUA ligada à extrema direita
A Polícia Federal concluiu não haver indícios mínimos imediatos de interferência eleitoral em projeto de US$ 1 milhão financiado pela gestão Trump, acionado pela AGU para proteger o pleito.

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Em resumo
- A PF arquivou a apuração preliminar provocada pela AGU sobre suposta interferência dos EUA nas eleições de 2026.
- A iniciativa da AGU buscou apurar repasse de R$ 5,2 milhões do governo Donald Trump revelado pelo jornal britânico The Guardian.
- A corporação constatou ausência de elementos mínimos de ilícitos eleitorais, encerrando procedimento sem abertura formal de inquérito.
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A Polícia Federal arquivou a apuração preliminar instaurada para verificar uma possível interferência dos Estados Unidos nas eleições presidenciais brasileiras de 2026. A corporação encerrou o procedimento prévio sem a formalização de um inquérito policial, após avaliar que faltavam elementos suficientes e indícios mínimos de ilícitos que comprovassem a ação direta do governo de Donald Trump no pleito nacional.
A verificação havia sido aberta pela corporação no domingo do primeiro turno, após provocação institucional da Advocacia-Geral da União (AGU). Conduzida pelo ministro Jorge Messias, a AGU acionou a Diretoria de Inteligência da PF e o Ministério Público Federal por meio da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia, cumprindo o papel de resguardar a integridade institucional do país contra tentativas de desestabilização externa.
Alerta sobre financiamento da gestão Trump contra o Judiciário
A representação do governo federal teve origem nas revelações publicadas em setembro pelo jornal britânico The Guardian. O periódico denunciou a liberação de US$ 176,9 milhões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos para causas conservadoras internacionais, poucas horas antes do fim do ano fiscal americano.
Desse montante global, cerca de US$ 1 milhão — o equivalente a R$ 5,2 milhões — foi carimbado para o projeto denominado "Combate à Litigância Deliberativa e à Censura no Brasil". Segundo o jornal britânico, a ação na Casa Branca contou com a articulação de figuras do círculo de Trump, como o vice-presidente JD Vance e o assessor Stephen Miller, com a meta de abastecer financeiramente grupos da sociedade civil alinhados a ataques contra decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
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Preocupação na campanha bolsonarista e desfecho técnico da PF
A rápida resposta da AGU gerou forte apreensão nos bastidores da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Integrantes da ala bolsonarista temiam que o avanço das investigações sobre a articulação internacional da extrema direita pudesse desencadear medidas cautelares no STF antes da disputa do segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No entanto, ao analisar o material remetido aos agentes federais, a PF concluiu que não havia suporte probatório demonstrando a chegada efetiva do dinheiro a grupos locais ou o emprego desses recursos nas urnas. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, explicou que a apuração seguiu os trâmites institucionais regulares:
“Recebemos uma representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”, declarou Rodrigues ao detalhar a resposta técnica do órgão.
A manifestação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, também apontou no domingo da votação que inexistem indicativos de alteração nas eleições. Com o encerramento do procedimento preliminar pela PF, o governo federal reafirma sua vigilância constante e preventiva sobre as pressões imperialistas, mantendo a blindagem da soberania e do processo democrático brasileiro diante das articulações da extrema direita internacional.
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