Prefeitura de Limoges é incendiada durante protestos na França
Atos contra a carestia mobilizam cerca de 550 mil pessoas no país e culminam na queima da sede municipal histórica de 143 anos.

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Em resumo
- O prédio histórico da prefeitura de Limoges teve o telhado desabado e dois terços da fachada destruídos durante as manifestações.
- Cerca de 550 mil pessoas marcharam em cidades francesas contra o aumento do custo de vida e o sucateamento da educação pública.
- Confrontos urbanos deixaram cerca de 400 detidos e 60 policiais feridos, enquanto 24 denúncias apuram violência cometida por agentes.
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Uma jornada nacional de protestos contra o aumento do custo de vida e as condições precárias dos serviços públicos mobilizou cerca de 550 mil pessoas na França neste sábado (17). As manifestações, impulsionadas inicialmente pela juventude escolar e reforçadas por categorias trabalhadoras e integrantes dos "coletes amarelos", registraram momentos de tensão severa, incluindo o incêndio da histórica sede da prefeitura de Limoges, na região central do país.
O edifício municipal de Limoges, erguido há 143 anos, foi tomado pelas chamas após distúrbios na cidade. Segundo relatou a autoridade administrativa local, Maurice Barate, o teto desabou sobre os pisos inferiores, com exceção da ala oeste, e cerca de dois terços das fachadas da construção histórica foram destruídos pelo fogo.
Mobilização nacional e estopim na educação pública
De acordo com o balanço divulgado pelo ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, as passeatas reuniram cerca de 550 mil pessoas pelo território francês, sendo 110 mil apenas em Paris. A mobilização começou a partir de reivindicações de estudantes secundaristas e universitários diante da falta de professores e da contratação de docentes temporários. Em seguida, os atos incorporaram bandeiras sindicais contra a perda do poder de compra, o aumento dos combustíveis e a desigualdade social.
Além de Limoges, outras instalações estatais foram atingidas durante as manifestações. Em Angers, manifestantes entraram na prefeitura e na sede administrativa regional de Maine-et-Loire, onde um foco de fogo na sala de correspondência precisou ser contido por um funcionário com extintor. Em Marselha, a sede municipal também sofreu danos materiais, levando o governo a deslocar reforços policiais para a região.
Intervenção policial e contestação de sindicatos em Toulouse
Os confrontos pelo país resultaram em cerca de 400 detenções e deixaram 60 policiais feridos. Em contrapartida, organizações sindicais contestaram publicamente o emprego da força pelas autoridades durante as passeatas, enquanto a polícia fez uso de gás lacrimogêneo em várias cidades.
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Em Toulouse, onde a Confederação Geral do Trabalho (CGT) estimou a presença de cerca de 80 mil manifestantes — ante 32 mil contabilizados pelo governo regional —, a tentativa das forças de segurança de conter a marcha terminou com quatro dirigentes sindicais feridos. Em declaração repercutida pela imprensa, o secretário-geral da CGT no Alto Garona, Cédric Caubère, responsabilizou diretamente o prefeito regional, o chefe de gabinete e o primeiro-ministro pelas instruções dadas ao policiamento.
O órgão de fiscalização da atividade policial apura pelo menos 24 denúncias formais sobre a conduta de agentes de segurança em protestos recentes. Entre os episódios sob investigação está o caso de um adolescente que perdeu a mão ao apanhar uma granada de efeito moral lançada durante protestos estudantis.
Pressão da dívida pública e desgaste do Palácio do Eliseu
O presidente francês, Emmanuel Macron, usou as redes sociais para condenar os ataques a edifícios públicos e comércios, prometendo responsabilização judicial rigorosa contra o que classificou como "semeadores do caos". O presidente defendeu que a expressão pacífica não pode ser sufocada pela violência.
A onda de revolta ocorre em uma conjuntura fiscal desfavorável para a administração de Macron. O governo busca enxugar gastos orçamentários para conter o endividamento, mas os custos para financiar a dívida pública soberana da França atingiram os patamares mais elevados em mais de 20 anos. O conflito nas ruas expressa a incompatibilidade entre a insistência no aperto financeiro exigido pelos credores e o clamor das classes trabalhadoras por subsistência e investimentos públicos essenciais.
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