Protestos nos EUA mobilizam voto antecipado contra Trump
Atos do movimento No Kings tomam cidades americanas contra a ofensiva autoritária republicana antes das eleições legislativas de novembro.

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Em resumo
- Manifestações organizadas pelo grupo No Kings percorreram várias cidades dos EUA incentivando o eleitorado a votar antes do dia 3 de novembro.
- Enquanto a oposição ganha força nas ruas e pesquisas, o governo Trump aciona o Judiciário contra votos pelo correio na Califórnia.
- Em comício no Kentucky, Trump prometeu bônus de US$ 5 mil e atacou adversários, tentando conter o desgaste político de sua gestão.
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Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Neste sábado (17), manifestantes foram às ruas em diversas cidades dos Estados Unidos em uma mobilização coordenada pelo movimento No Kings ("Nada de reis"). Os atos tiveram como foco central convocar a população para exercer o voto antecipado antes das eleições legislativas de 3 de novembro, momento em que estarão em jogo todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 vagas no Senado.
Em Washington, manifestantes marcharam do norte do estado da Virgínia em direção ao Lincoln Memorial, empunhando cartazes com mensagens em defesa da participação democrática e contra as investidas do governo de Donald Trump. Outras capitais e cidades estratégicas, como Atlanta e Nova York, registraram protestos similares. Em Atlanta, o vereador Michael Julian Bond conclamou o público a transformar o poder cívico em barreira contra o autoritarismo.
A Constituição dá a vocês um poder, certo? É o poder do voto. Vocês vão usar esse poder? — Michael Julian Bond, vereador de Atlanta
Manobras da Casa Branca e ameaças ao processo eleitoral
A mobilização das ruas ganha contornos urgentes diante das ações promovidas pelo governo federal para restringir a contagem de cédulas. Na quinta-feira (15), o governo Trump abriu um processo contra autoridades eleitorais da Califórnia, exigindo o bloqueio da contabilização de votos por correspondência de pessoas classificadas preliminarmente pela gestão federal como "provavelmente" não cidadãs, até uma averiguação de status imigratório.
No dia seguinte, sexta-feira (16), o Departamento de Justiça emitiu alertas diretos a servidores locais sobre o risco de investigações criminais pelo processamento de tais votos. A manobra provocou reação no Congresso: os senadores democratas Alex Padilla, Sheldon Whitehouse e Dick Durbin enviaram ofício ao procurador-geral Todd Blanche cobrando a garantia expressa de que não haverá apreensão de cédulas eleitorais antes da certificação final das urnas.
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Retórica inflamada e promessas fiscais no Kentucky
No mesmo sábado das manifestações, Trump discursou em comício no Kentucky para tentar blindar a base republicana e estancar perdas eleitorais. Em tom triunfalista, exaltou a própria autoridade declarando ser capaz de fazer "coisas inacreditáveis". Diante de um cenário de desgaste econômico e militar decorrente do conflito com o Irã, o ex-mandatário prometeu que a guerra acabará em breve e prometeu pagar US$ 5 mil a cada adulto americano caso os republicanos preservem as maiorias no Congresso.
Especialistas apontam que a promessa de distribuição de renda custaria mais de US$ 1 trilhão aos cofres públicos, aprofundando o déficit orçamentário anual de cerca de US$ 1,8 trilhão e dependendo de uma aprovação legislativa incerta. Além disso, Trump voltou a recorrer a desinformação ao afirmar sem provas que os democratas planejam extinguir a Suprema Corte e o Senado, reforçando uma estratégia de intimidação política diante do avanço da mobilização popular.
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