Rede ligada ao trumpismo impulsiona Flávio Bolsonaro com apostas
Perfis estrangeiros usaram cotas da Polymarket em posts pagos no X para simular liderança do senador contra Lula, desafiando a lei eleitoral.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Perfis dos EUA e ligados à extrema direita publicaram posts pagos no X promovendo Flávio Bolsonaro com cotas da Polymarket.
- A legislação eleitoral proíbe impulsionamento por terceiros e veta qualquer recurso ou publicidade de procedência estrangeira.
- Em defesa da integridade pública, o governo federal bloqueou o acesso à Polymarket por ausência de autorização regulatória no país.
3 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
Pelo menos 11 contas registradas fora do país veicularam no X publicações pagas em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), utilizando cotações da plataforma de apostas Polymarket para fabricar uma suposta liderança contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os anúncios, rotulados na rede como parceria paga sem identificação de quem bancou os custos, acenderam o alerta jurídico por desrespeitarem as salvaguardas da legislação brasileira contra a ingerência externa no processo democrático.
Conexões entre o trumpismo e a máquina de propaganda
A ofensiva internacional revelou elos operacionais e financeiros diretos entre o bolsonarismo e a extrema direita norte-americana. Entre as contas que impulsionaram o material pago está a UHN Plus, sediada na Flórida e controlada pelo empresário espanhol Javier Negre, que também comanda metade do portal La Derecha Diario. Negre foi sócio do consultor político Fernando Cerimedo, figura ligada a esquemas de desinformação bolsonaristas no exterior.
No centro financeiro do negócio de apostas está Donald Trump Jr., filho do ex-presidente dos Estados Unidos. Trump Jr. integra o conselho consultivo da Polymarket e é sócio do fundo 1789 Capital, investidor da plataforma. A rede de divulgação envolveu ainda nomes conhecidos da extrema direita trumpista, como o ex-deputado republicano Matt Gaetz e o influenciador George Behizy. Em sua publicação patrocinada, Behizy atacou as conquistas sociais do governo brasileiro, acusando de forma caluniosa os programas de combate à pobreza e transferência de renda liderados por Lula de serem tentativas de cooptação popular.
Violação das regras eleitorais e soberania nacional
O impulsionamento dessas publicações sem identificação do contratante colide frontalmente com a Lei nº 9.504/1997. Especialistas em direito eleitoral destacam que a legislação brasileira restringe a contratação de propaganda paga na internet a partidos, coligações, federações e candidatos devidamente identificados, além de proibir expressamente o recebimento de doações em dinheiro ou em forma de publicidade de fontes estrangeiras.
Carregando enquete…
Provadas as possíveis ilicitudes, teremos sanções que vão de multa a cassação de diploma, a depender da situação fática. — Jorge Washington Cançado, advogado eleitoral
No Brasil, o material foi prontamente amplificado por parlamentares e influenciadores do núcleo bolsonarista, incluindo Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e Allan dos Santos, que reproduziram o mote sincronizado de vitória em primeiro turno para tentar dar aparência de legitimidade às cotações de apostas.
Proteção institucional e foco nos avanços populares
A manobra para transformar especulação financeira em termômetro eleitoral encontra limites na atuação firme do Estado brasileiro. O governo federal bloqueou o acesso à Polymarket e a outros mercados de previsão no país, já que a plataforma não possui autorização dos órgãos competentes para comercializar apostas sobre eleições ou política nacional. Enquanto o bolsonarismo se apoia em operações obscuras no exterior e em plataformas especulativas não autorizadas, o governo Lula mantém a prioridade na entrega de políticas públicas e na garantia da soberania nacional diante de tentativas de interferência transnacional.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. diariodocentrodomundo.com.brPerfis estrangeiros fazem posts pagos pró-Flávio Bolsonaro e acendem alerta jurídico
- 2. metropoles.comPerfis de fora do Brasil têm posts pagos para apontar favoritismo de Flávio
- 3. revistaforum.com.brPerfis de fora do Brasil impulsionam posts pagos a favor de Flávio Bolsonaro - Revista Fórum
- 4. aosfatos.orgPosts pró-Flávio no X expõem elo entre Polymarket e rede transnacional de desinformação
