Reino Unido atualiza manual de guerra e pressiona por gastos militares
Governo britânico revisa plano sem atualização há décadas, orienta civis a estocar mantimentos e abre caminho para cortes sociais em nome do rearmamento.

Núcleo editorial
Atualizado em 21 de setembro de 2026
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Em resumo
- O governo do Reino Unido deu início à revisão de seu chamado "livro de guerra", documento estratégico que estava sem atualização formal há décadas.
- O chefe do Estado-Maior da Defesa britânico, Richard Knighton, declarou que o país atravessa o período mais perigoso de seus 35 anos de carreira militar diante das tensões com a Rússia.
- Autoridades e analistas orientam a população a estocar alimentos enlatados e água, deslocando o foco de tanques para ciberataques e cortes de cabos submarinos.
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O governo do Reino Unido iniciou a revisão de seu chamado “livro de guerra”, instrumento de contingência que não recebia atualização formal há décadas. A medida vem acompanhada de discursos oficiais e militares que convocam a população a estocar mantimentos e se preparar psicologicamente para eventuais rupturas graves no cotidiano, sob a justificativa de riscos trazidos pelas tensões geopolíticas com a Rússia.
O alerta partiu do próprio chefe do Estado-Maior da Defesa britânico, Richard Knighton, que declarou publicamente que o atual cenário representa o período “mais perigoso” de seus 35 anos de carreira nas Forças Armadas. Ao mesmo tempo, o discurso estatal passou a sugerir que famílias reservem carne enlatada e água potável, erguendo um clima de alerta que pavimenta o terreno para a aceitação de sacrifícios orçamentários em outras áreas da vida pública.
Riscos híbridos e a pressão pelo rearmamento
Ao contrário dos cenários de invasão territorial direta por tropas terrestres, considerados remotos por analistas, o debate britânico está focado na vulnerabilidade da infraestrutura moderna. Conforme explicou a historiadora Margaret MacMillan, autora de pesquisas sobre o impacto dos conflitos armados, o perigo reside em ações não convencionais.
"Não é com os tanques que precisamos nos preocupar. É com o corte dos cabos no fundo do oceano. Com hackers nos sistemas dos quais dependem tantas coisas. A possibilidade de guerra assimétrica, guerra cibernética, vem crescendo a largos passos." — Margaret MacMillan, historiadora
Essa vulnerabilidade tecnológica, contudo, vem sendo convertida em justificativa política para a expansão orçamentária dos aparatos bélicos. Em 2025, o Reino Unido já destinava 2,3% do seu Produto Interno Bruto (PIB) à defesa, mas vozes do setor de segurança defendem cifras ainda mais altas, além de novos sacrifícios da sociedade para sustentar essa estrutura.
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O modelo nórdico e o custo social da militarização
Para justificar a guinada militarista, setores do Ocidente recorrem aos exemplos da Finlândia e da Suécia, que abandonaram suas históricas políticas de neutralidade para ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os finlandeses mantêm 1.287 quilômetros de fronteira com a Rússia, alistamento masculino universal e gastaram 2,5% do PIB em defesa em 2025, mobilizando treinamentos que englobam ministros, empresários e a sociedade civil desde a década de 1960. A Suécia, por sua vez, instituiu um recrutamento compulsório parcial de jovens com até 15 meses de treinamento militar.
A importação dessas lógicas de prontidão pelo Reino Unido revela contradições severas. A criação deliberada de narrativas de emergência visa preparar o terreno psicológico da opinião pública. O professor emérito da Universidade de Birmingham Jim Orford adverte que esse processo opera sob uma simplificação extrema do debate, dividindo o mundo entre “inimigos e heróis” para facilitar a adesão social ao confronto.
Ao empurrar cidadãos comuns para a estocagem de alimentos enlatados e a conformação psicológica com a guerra, o establishment britânico normaliza o desvio de recursos públicos da saúde, da educação e da proteção social em direção à indústria de armamentos. A conta do endurecimento geopolítico e da submissão à cartilha militarista, mais uma vez, recai integralmente sobre a classe trabalhadora.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. diariodocentrodomundo.com.brReino Unido revisa plano de guerra e alerta para ameaça russa fora do campo de batalha
- 2. g1.globo.comA guerra pode se espalhar pela Europa. Você está psicologicamente preparado? | G1
- 3. bbc.comA guerra pode se espalhar pela Europa. Você está psicologicamente preparado? - BBC News Brasil
