Renan Santos aciona TSE para tentar forçar Globo a incluí-lo em debate
Sem bancada mínima exigida por lei, candidato do Missão alega 'expectativa legítima' para participar do último encontro na TV; Lula fala ao Flow.

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Em resumo
- Renan Santos (Missão) pediu liminar urgente ao TSE para ser incluído no debate da TV Globo desta quinta-feira (1º).
- A legislação exige ao menos cinco parlamentares no Congresso; o Missão conta com apenas um deputado, Kim Kataguiri.
- O presidente Lula não vai ao encontro da emissora e participa de entrevista no podcast Flow no mesmo horário.
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O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar forçar a TV Globo a incluí-lo no debate presidencial marcado para a noite desta quinta-feira (1º), o último confronto antes do primeiro turno das eleições. O pedido de liminar, distribuído ao presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, busca contornar as regras legais de representação política às vésperas da votação.
A legislação eleitoral em vigor assegura a presença obrigatória nos debates televisivos apenas aos concorrentes cujas legendas ou federações tenham representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Criado após o pleito de 2022, o partido Missão possui unicamente um representante na Câmara Federal, o deputado Kim Kataguiri (SP), e não dispõe de nenhuma vaga no Senado, ficando expressamente abaixo do patamar determinado por lei.
A tese jurídica de 'expectativa legítima'
Para tentar compensar a falta de bancada no Congresso, a defesa de Renan recorreu ao argumento de que a TV Globo teria criado uma “legítima expectativa de participação” ao convidá-lo, desde março deste ano, para agendas de cobertura do pleito, como entrevistas e sabatinas. O partido também alegou que sua ausência prejudicaria a pluralidade da disputa e apresentou números de pesquisa Quaest para tentar equiparar sua posição à de outros nomes da direita.
A própria campanha do Missão, no entanto, admitiu ao Projeto Comprova que Renan não constava na lista oficial de convidados apresentada pela Globo no dia 23 de setembro. Embora o candidato tenha propagado publicamente que teria sofrido um “desconvite”, sua equipe reconheceu se tratar de mera crítica política e admitiu não dispor de dados sobre negociações nem de qualquer prova de ingerência externa na formatação do programa.
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Precedente do Novo e o critério das emissoras
A ofensiva jurídica de Renan ocorre logo após Nunes Marques ter concedido liminar favorável a Romeu Zema (Novo) na última terça-feira (29). Naquele caso, contudo, a fundamentação do Novo foi estritamente numérica: a sigla comprovou contar com cinco deputados federais no exercício do mandato — Adriana Ventura, Gilson Marques, Luiz Lima, Marcel van Hattem e Ricardo Salles —, situação que o Missão não atinge.
Além de Zema, foram chamados Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Com a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de priorizar uma conversa aberta no podcast Flow no mesmo horário, o regulamento da emissora não transfere vagas de forma automática: a ata prevê expressamente que a inclusão de substitutos se dá a exclusivo critério da TV Globo.
Ao manter seu compromisso de prestar contas e dialogar francamente com os trabalhadores em formatos de grande alcance popular como o Flow, Lula se esquiva das armadilhas da direita no estúdio de televisão, deixando adversários fragmentados disputando espaço no tapetão judicial a poucas horas do primeiro turno.
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