Salles desiste do Senado em SP para socorrer chapa de Tarcísio
Isolado nas pesquisas após torrar verba pública e atacar aliados, deputado do Novo capitula e declara apoio a Derrite e André do Prado.

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Atualizado em 28 de setembro de 2026
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Em resumo
- Ricardo Salles retirou sua candidatura ao Senado por São Paulo e declarou apoio à chapa governista de Guilherme Derrite e André do Prado.
- Sem decolar nas pesquisas, ex-ministro vinha atacando André do Prado, a quem chamou de marionete antes de selar o acordo costurado por Tarcísio.
- A manobra da extrema direita tenta conter o avanço das candidaturas governistas de Marina Silva e Simone Tebet na reta final da disputa paulista.
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O deputado federal Ricardo Salles (Novo) anunciou nesta segunda-feira (28) a retirada de sua candidatura ao Senado por São Paulo. Sem qualquer viabilidade eleitoral e preso na lanterna das pesquisas, o ex-ministro do governo Jair Bolsonaro capitulou diante da própria fraqueza e declarou apoio à chapa montada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), composta por Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
O recuo foi oficializado em entrevista coletiva na capital paulista ao lado de Tarcísio e dos dois postulantes da coligação governista. A manobra ocorre a poucos dias do primeiro turno e tem como meta declarada tentar conter a dispersão de votos da base conservadora, diante do avanço das candidatas apoiadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marina Silva (Rede) e Simone Tebet.
Isolamento nas pesquisas e recuo estratégico
A saída de Salles ocorre após uma série de levantamentos apontarem que sua postulação permaneceu estagnada na lanterna da disputa pelas duas cadeiras paulistas. Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira (24) registrou Salles com apenas 4% das intenções de voto, enquanto o pelotão de frente apresentava empate técnico entre Marina Silva (15%), Simone Tebet (14%), Derrite (12%) e André do Prado (12%). Levantamento do instituto Quaest no dia 23 também mostrou o ex-ministro com 3%.
Para justificar o recuo, Salles recorreu ao discurso antipetista e alegou que divergências deveriam ser esquecidas diante de um pretenso objetivo maior contra o governo federal. Tarcísio reforçou o movimento apelando ao eleitor para casar os votos na dupla governista: “Onde o primeiro voto for Guilherme Derrite, o segundo tem que ser André do Prado. Onde o primeiro voto for André do Prado, o segundo tem que ser Guilherme Derrite”, declarou o governador.
De acusações de traição ao aperto de mãos
A capitulação de Salles diante de André do Prado sela um recuo desmoralizante para a empáfia do deputado do Novo. Durante debates e agendas públicas nas últimas semanas, Salles vinha desferindo ataques agressivos contra o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), questionando suas credenciais ideológicas e apontando incoerências em sua trajetória.
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“Qual credencial de direita você tem?” — Ricardo Salles, em confronto direto contra André do Prado durante debate eleitoral.
Além de acusar o adversário de ser “marionete” de Valdemar Costa Neto e de ter proximidade pretérita com partidos do campo popular na Alesp, o confronto descambou para a esfera jurídica. Em 15 de setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) multou Salles em R$ 5 mil e determinou a remoção de vídeos por desinformação difamatória contra Prado. Agora, o festival de acusações e a condenação por difamação foram cinicamente varridos para baixo do tapete pela cúpula bolsonarista na tentativa desesperada de salvar a própria pele.
Gastos milionários de dinheiro público
Apesar da aventura eleitoral naufragada na reta final, a candidatura natimorta de Ricardo Salles não se acanhou em drenar cifras milionárias dos cofres públicos. Levantamentos da prestação de contas apontam que o candidato recebeu R$ 3,1 milhões em verbas públicas — sendo R$ 2,3 milhões do Fundo Partidário e R$ 850 mil do Fundo Eleitoral repassados pelo Novo —, dos quais já havia liquidado ao menos R$ 1,76 milhão até o momento da desistência.
Entre as maiores despesas declaradas antes da renúncia estão R$ 894 mil em serviços gráficos, R$ 669 mil em impulsionamento digital e R$ 250 mil em advocacia. Pela legislação eleitoral em vigor, o candidato que renuncia não é punido nem obrigado a devolver o montante que já tenha sido regularmente despendido, precisando restituir ao erário apenas o saldo restante não utilizado.
O remendo operado pelo Palácio dos Bandeirantes expõe o cinismo de ocasião da extrema direita paulista, obrigada a engolir condenações e humilhações mútuas na aflição de tentar conter o avanço das forças progressistas rumo ao Congresso Nacional.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. brasil247.comRicardo Salles desiste de candidatura ao Senado e anuncia apoio a Derrite e André do Prado em São Paulo
- 2. cartacapital.com.brSalles desiste de concorrer ao Senado em SP e declara apoio a Derrite e André do Prado
- 3. iclnoticias.com.brSalles desiste de candidatura ao Senado de São Paulo e apoia Derrite e André do Prado
- 4. poder360.com.brSalles desiste do Senado em SP e anuncia apoio a Derrite e Do Prado
