Sem política de Lula, salário mínimo não chegaria a R$ 900 hoje
Cálculo revela que plano de Flávio Bolsonaro derrubaria renda básica para R$ 852; valorização retomada pelo governo Lula garante R$ 1.621 e injeta R$ 81 bi.

Núcleo editorial
Leitura rápida
Em resumo
- Sem a valorização iniciada por Lula, o salário mínimo e aposentadorias estariam em R$ 852 em janeiro de 2026, corrigidos apenas pela inflação oficial.
- Com a política de ganho real retomada pelo governo federal em 2023, o piso nacional alcançou R$ 1.621, valor cerca de 90% superior à correção simples.
- Estudo do Dieese aponta que a valorização beneficia 61,9 milhões de pessoas e injeta cerca de R$ 81 bilhões na economia brasileira somente em 2026.
4 min de leitura

Ouça esta leitura
Duração disponível ao iniciar
Tempo e progresso aproximados. Ao retomar, um trecho pode se repetir.
A política de valorização do salário mínimo conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegura uma diferença profunda no bolso do trabalhador brasileiro. Caso a proposta do senador Flávio Bolsonaro (PL) de extinguir o ganho real estivesse em vigor desde 2003, o piso nacional e as aposentadorias estariam hoje em aproximadamente R$ 852. Esse cálculo considera apenas a reposição da inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre janeiro de 2004 — quando a remuneração básica era de R$ 260 — e janeiro de 2026.
Na contramão do arrocho defendido pela extrema direita, o salário mínimo atual alcança R$ 1.621. O patamar é cerca de 90% maior graças à política de ganho real retomada por Lula em 2023, restabelecendo a proteção social desfeita durante a gestão de Jair Bolsonaro. A medida beneficia diretamente 61,9 milhões de brasileiros que possuem rendimentos referenciados no piso, segundo levantamento do Dieese.
Motor da economia popular versus arrocho neoliberal
Especialistas e lideranças sindicais alertam que restringir o ganho dos trabalhadores atinge o comércio popular e o mercado interno. Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores em São Paulo (CUT-SP), Raimundo Suzart, o piso fortalecido movimenta a cadeia produtiva:
O salário mínimo forte é a base da movimentação da economia, sobretudo para pequenos comércios. O aumento do mínimo impacta diretamente no crescimento da economia, porque o trabalhador consome, faz girar. Acabar com a valorização do salário mínimo é condenar o trabalhador à miséria, como faz o [presidente argentino Javier] Milei.
A economista Juliane Furno, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), ressalta que o aumento do piso sustenta a demanda das empresas. Segundo Furno, cada real a menos concedido no reajuste do piso, das aposentadorias ou do Benefício de Prestação Continuada (BPC) representa perda imediata para as pequenas empresas, serviços e comércio de bairro.
Carregando enquete…
Pressão do mercado financeiro e recuo eleitoral
A fórmula aplicada no governo Lula combina a reposição da inflação medida no ano anterior com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes, com teto de 2,5%. Essa mecânica assegura a transferência do progresso produtivo do país para aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC. O senador Paulo Paim (PT) enfatizou que retirar esse mecanismo provocaria perdas diretas na subsistência das famílias:
Acabar com o ganho real seria um enorme retrocesso. O impacto na vida do trabalhador seria cruel: menos dinheiro para comprar comida, pagar o aluguel, comprar remédios e sustentar a família. É um equívoco histórico e, acima de tudo, uma injustiça com o povo brasileiro.
Diante da reação popular, a campanha de Flávio Bolsonaro divulgou nota na sexta-feira (9) alegando que não pretende mexer no modelo nem cortar benefícios, prometendo manter reajustes acima da inflação. No entanto, propostas de desmonte foram apresentadas por interlocutores de sua campanha a empresários e operadores da Faria Lima ao longo do ano, conforme revelou a Folha de S. Paulo.
A própria assessora econômica do candidato do PL, Daniella Marques, confirmou publicamente à TV Folha, em agosto, a intenção de rever a política de valorização após cortes em estruturas administrativas. O professor José Luís Oreiro, da Universidade de Brasília (UnB), adverte que conter o piso sufoca o desenvolvimento: para haver crescimento real, é necessário ampliar o poder de compra da maioria trabalhadora.
Comentários
Sem comentários · Membros comentam com o @ do seu canal no YouTube.
Espaço dos membros
Comentar é um benefício de quem é membro da BEM10.TV.
A membresia é a assinatura do canal de Bemvindo no YouTube. Ela libera os comentários, os jogos diários, o Museu Digital e mais. Se você já é membro, entre na sua conta.
Carregando comentários…
Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
