STF aperta o cerco contra Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Inquérito apura repasse de decisões do STJ e acha e-mails colocando o senador como usuário master em conta ligada a advogado.

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Em resumo
- PF deflagrou a Operação Linceu contra ex-chefe de TI do STJ suspeito de repassar minutas sigilosas ao advogado Willer Tomaz.
- Perícia localizou e-mails que apontam Flávio Bolsonaro como usuário master em conta bancária de empresa de Willer Tomaz.
- Inquérito sob relatoria de Alexandre de Moraes no STF apura lavagem de dinheiro, corrupção, peculato eletrônico e violação de sigilo.
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A rotina de complicações financeiras da família Bolsonaro ganhou mais um capítulo documentado no Supremo Tribunal Federal. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal deflagrou a Operação Linceu para cumprir mandado de busca e apreensão contra Humberto Fontoura Pradera, ex-secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação do Superior Tribunal de Justiça. Exonerado dias antes da ação, o ex-servidor é apontado pela PF como a ponte interna que abastecia com dados e decisões sigilosas o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro.

O caso tramita sob sigilo no STF após ter subido da primeira instância da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, em razão do foro por prerrogativa de função do parlamentar. A apuração investiga suposta lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e peculato eletrônico em torno de processos de forte impacto econômico.
Minutas antecipadas e registros na tela
A apuração da Polícia Federal identificou diálogos entre Willer Tomaz e o ex-secretário de TI. Em uma das trocas de mensagens analisadas pelos peritos, Pradera enviou ao advogado a fotografia de uma tela de computador exibindo uma minuta de decisão judicial de 17 páginas, quatro dias antes da assinatura e publicação oficial. Em outras mensagens, o servidor informava designações internas e apontava a perda de efeitos de tutelas recursais.
Além das trocas de informações ligadas ao tribunal, relatórios da PF indicam que pareceres do Ministério Público Federal também chegavam às mãos do advogado antes da divulgação pública. Segundo os investigadores, essas informações antecipadas subsidiavam a desistência estratégica de recursos e permitiam o envio de orientações e conteúdos para a confecção de manifestações no órgão ministerial.
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O usuário master em conta de empresa
Enquanto Willer Tomaz buscava atalhos em processos judiciais, as apurações financeiras revelaram vínculos diretos com o filho do ex-presidente. Ao periciar os arquivos do celular do advogado, a PF localizou mensagens de e-mail indicando que Flávio Bolsonaro constava como usuário master de uma conta bancária de uma das empresas de Tomaz.
O relatório policial também aponta o pagamento de viagens ao senador, registros de encontros e uma movimentação financeira considerada incompatível com os rendimentos do advogado. Entre os fluxos sob análise, constam repasses de R$ 12,3 milhões envolvendo a offshore Zunway Limited e a Difusora Comunicação, além de transações fracionadas que somaram cerca de R$ 130 milhões no Magnum Bank entre março e maio de 2025.
Nega categoricamente ter tido acesso irregular ou não autorizado a decisões judiciais ou a pareceres do Ministério Público Federal, bem como ter interferido em qualquer manifestação. — Defesa de Willer Tomaz, em nota à imprensa
A defesa de Flávio Bolsonaro declarou que o vínculo com Tomaz é unicamente de amizade, classificou as suspeitas como ilações sem fundamento e negou que o senador tenha sido usuário master de contas de empresas do advogado. O STJ informou que exonerou o servidor em cargo de confiança e instaurou procedimento administrativo interno para apurar as infrações.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. iclnoticias.com.brPF investiga ex-servidor do STJ por vazamento de decisões a advogado ligado a Flávio
- 2. g1.globo.comPF faz buscas contra Humberto Pradera, ex-secretário de TI do STJ, suspeito de repassar informações sigilosas a Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro | G1
- 3. www1.folha.uol.com.brBrasília Hoje: PF faz busca contra ex-servidor do STJ suspeito de vazar decisões a amigo de Flávio Bolsonaro
