Tennessee suspende execuções após mulher sobreviver a injeção letal
Christa Pike recebeu duas doses de pentobarbital, sobreviveu em estado crítico e levou o estado norte-americano a paralisar o corredor da morte.

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Em resumo
- Christa Pike, de 50 anos, sobreviveu a duas doses de pentobarbital na penitenciária de segurança máxima Riverbend, em Nashville.
- O governador republicano Bill Lee suspendeu todas as execuções no Tennessee até o fim do ano e abriu investigação independente.
- Defensores e entidades denunciaram tortura e sigilo após sete agulhas serem usadas e a Suprema Corte dos EUA liberar a execução.
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O governador republicano do Tennessee, Bill Lee, anunciou a suspensão de todas as execuções no estado norte-americano até o fim do ano após Christa Pike, de 50 anos, sobreviver a duas doses de pentobarbital na noite de quarta-feira (30). A mulher foi retirada da câmara de execução da penitenciária de segurança máxima Riverbend, em Nashville, e levada de ambulância a um hospital, onde permanece internada em estado crítico sob cuidados médicos intensivos.
A tentativa de execução começou depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou uma liminar concedida por uma corte federal que suspendia o procedimento para avaliar históricos de abuso sexual e transtornos mentais sofridos por Pike na infância e juventude. Durante o procedimento, os funcionários prisionais utilizaram sete agulhas, sendo que uma delas entortou ao ser puxada do braço da condenada. Pike chegou a perguntar aos carcereiros se o braço deveria ficar daquela forma e foi ouvida roncando cerca de 40 minutos após a aplicação da droga letal.
Violação de direitos e ausência de protocolos
Diante do fracasso da primeira série de seringas, as autoridades prisionais aplicaram uma segunda dose de pentobarbital às 20h26. O protocolo oficial do estado prevê uma nova dosagem caso o condenado permaneça vivo, mas não estabelece qualquer medida a ser tomada se a pessoa continuar com vida após a segunda aplicação. Cerca de 40 minutos depois, jornalistas que atuavam como testemunhas foram retirados da sala enquanto Pike continuava respirando e roncando na maca.
A diretora-executiva do Death Penalty Information Center, Robin Maher, destacou que o caso não possui precedentes na história penal recente do país. Embora existam registros de execuções suspensas por perda de veias utilizáveis, Maher apontou que não há conhecimento de alguém que tenha sobrevivido após a absorção das substâncias químicas destinadas ao extermínio.
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"Esta tentativa fracassada é a pior que já vimos e diferente de qualquer outra execução malsucedida da era moderna", afirmou Maher, em tradução livre, apontando o sigilo estatal sobre os métodos de execução como fator determinante.
Histórico de falhas e punitivismo seletivo
Christa Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de dois séculos. Ela foi condenada pelo homicídio de Colleen Slemmer em janeiro de 1995, em Knoxville, quando tinha 18 anos. À época, o caso teve grande exploração da mídia sensacionalista em meio ao pânico moral daquele período. O namorado de Pike na ocasião, que tinha 17 anos, foi condenado à prisão perpétua com direito a liberdade condicional, enquanto apenas Pike recebeu a pena capital. Ela nunca negou a participação no ato e posteriormente recebeu diagnósticos de graves transtornos mentais, tendo seus pedidos de clemência sumariamente rejeitados pelas autoridades.
O episódio escancara o colapso logístico do maquinário carcerário do estado. Em maio, o governo do Tennessee já havia cancelado a execução de Tony Carruthers após técnicos passarem mais de uma hora tentando, sem sucesso, inserir uma linha intravenosa. Com a decisão anunciada por Bill Lee, a execução de Gary Wayne Sutton, que estava marcada para 3 de dezembro, também foi cancelada enquanto corre a apuração externa.
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Fontes desta notícia
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