Trump ameaça usar força militar na região e Lula rebate em defesa do Brasil
Na Assembleia Geral da ONU, líder norte-americano igualou cartéis ao Estado Islâmico; presidente brasileiro rechaçou tutela e afirmou que o país não é quintal de ninguém.

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Em resumo
- Trump declarou na ONU que pode acionar poder militar contra cartéis de drogas, comparados por ele ao grupo terrorista Estado Islâmico.
- Lula abriu a Assembleia Geral rejeitando intervenções armadas e afirmando que o Brasil não terceiriza o combate ao crime nem aceita tutela externa.
- Presidente brasileiro entregou proposta de cooperação internacional focada em asfixiar o fluxo financeiro e o contrabando de armas.
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Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta terça-feira que está disposto a acionar o aparato bélico de seu país no Hemisfério Ocidental para eliminar a influência de potências rivais e combater o crime organizado. Adotando um tom agressivo perante chefes de Estado de todo o mundo, o republicano comparou organizações do narcotráfico ao grupo terrorista Estado Islâmico e ameaçou intervir militarmente na região sob o pretexto de proteger os interesses nacionais de Washington.
A investida norte-americana encontrou firme resistência na tribuna das Nações Unidas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abriu a sessão diplomática horas antes. Em defesa contundente da soberania brasileira e do Sul Global, Lula rechaçou pressões externas e afirmou categoricamente que o país não aceitará tutela armada estrangeira.
Retórica intervencionista e ameaça bélica de Trump
Durante o pronunciamento no plenário da ONU, Trump afirmou que pretende extinguir o que classificou como interferência estrangeira no Hemisfério Ocidental, apontando diretamente para a presença de Rússia e China na região. O presidente norte-americano exaltou as ações de força executadas por seu governo na Venezuela e sustentou que os cartéis de drogas atuam como instrumentos terroristas contra a civilização, devendo sofrer ações militares drásticas.
"Lançamos o poder das Forças Armadas dos EUA para eliminar gangues e cartéis de drogas sangrentos. (...) Os cartéis são o Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental. São inimigos em guerra contra a civilização, usando assassinato, estupro, tortura e extorsão como instrumentos de terror, e por isso eles devem ser mortos, exilados ou detidos." Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na tribuna da ONU
A escalada retórica segue a linha de ações unilaterais promovidas pela Casa Branca, que designou organizações criminosas brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras, além de realizar bombardeios contra embarcações no Caribe e no Pacífico oriental. Trump também atacou o Tribunal Penal Internacional (TPI) e órgãos de direitos humanos da própria ONU, aprofundando o isolacionismo bélico de sua gestão.
Lula defende soberania e propõe cooperação sem tutela
Ao ocupar a tribuna de abertura da 81ª Assembleia Geral, o presidente Lula demarcou a posição firme do Estado brasileiro contra qualquer tentativa de ingerência ou agressão militar velada. Sem se curvar às pressões de Washington, o líder brasileiro salientou que o país assume com seriedade e autonomia a responsabilidade pelas suas fronteiras e pela segurança interna, sem admitir que potências estrangeiras utilizem a pauta da segurança como pretexto para violar fronteiras territoriais.
Lula frisou que a soberania brasileira e a autodeterminação dos povos não são negociáveis. Destacando que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", o mandatário entregou uma proposta concreta ao governo norte-americano para enfrentar as raízes econômicas do crime organizado, mirando o rastreamento financeiro e asfixiando os fornecedores de armamento pesado — medidas que atacam as estruturas do crime sem colocar em risco a paz continental.
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O distanciamento entre as abordagens ficou evidenciado também nos bastidores da cúpula. Logo após as manifestações públicas, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tentou abordar o presidente brasileiro no plenário, mas Lula não concedeu audiência. A postura do líder brasileiro consagra a posição histórica do país em favor do diálogo multilateral equitativo, reafirmando que a segurança regional é dever dos próprios povos soberanos e refutando intervenções coloniais travestidas de combate ao crime.
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Fontes desta notícia
Os links abaixo sustentam os fatos.
- 1. g1.globo.comTrump promete extinguir
- 2. www1.folha.uol.com.brNa ONU, Trump ameaça uso de força na América Latina e ressalta guerra do Irã
- 3. cnnbrasil.com.brTrump diz que pode usar poderio militar para garantir interesses dos EUA | CNN Brasil
- 4. veja.abril.com.brTrump defende operações militares e diz que ‘cartéis são o Estado Islâmico do hemisfério ocidental’
