Trump libera diesel russo por cálculo eleitoral e ataca Zelensky
De olho na inflação dos combustíveis antes das eleições legislativas, presidente dos EUA flexibiliza sanções contra Moscou e sugere troca de liderança na Ucrânia.

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Em resumo
- Trump flexibilizou sanções a Moscou para viabilizar a entrada de diesel russo nos EUA e conter a alta dos combustíveis.
- Zelensky criticou o pacto como fraqueza de Washington e ouviu de Trump a sugestão de que a Ucrânia escolha um novo governante.
- A Casa Branca anunciou cessar-fogo energético unilateral, mas ataques russos a redes elétricas ucranianas prosseguiram.
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu publicamente as críticas do líder ucraniano Volodymyr Zelensky e sugeriu abertamente que a Ucrânia deveria substituir seu comando. A reação de Washington ocorreu após o governo ucraniano condenar o acordo firmado pela Casa Branca com Moscou para aliviar sanções e viabilizar a compra de centenas de milhares de toneladas de diesel russo pelos mercados norte-americano e global.
Zelensky classificou o pacto energético entre Washington e Moscou como uma demonstração de "fraqueza evidente" e um mecanismo que injeta recursos nas finanças do Kremlin para prolongar as operações militares. Irritado com a postura de Kiev e com os ataques ucranianos contra refinarias em solo russo, Trump declarou a jornalistas que Zelensky precisa cessar as investidas contra o parque petrolífero russo e insinuou a conveniência de um novo mandatário no país aliado.
É melhor ele parar imediatamente. Donald Trump, sobre os ataques ucranianos a refinarias russas
Petróleo, inflação e interesse eleitoral em Washington
A manobra da Casa Branca em direção ao combustível russo responde a pressões domésticas urgentes. Desde o início da guerra no Irã, no fim de fevereiro, os preços da gasolina e do diesel dispararam nos Estados Unidos, ameaçando diretamente as pretensões do Partido Republicano antes das eleições legislativas de novembro, nas quais a legenda corre o risco de perder a maioria no Congresso.
Para liberar as cargas russas, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos formalizou uma isenção extraordinária de sanções com validade até abril de 2027. Em resposta ao gesto norte-americano, o governo russo suspendeu temporariamente a restrição sobre suas próprias exportações de derivados de petróleo. No entanto, analistas do setor de energia ressaltam que a liberação apenas redistribui fluxos no comércio global, sem efeito real de alívio duradouro nos preços ao consumidor final.
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Trégua unilateral e bombardeios contínuos
No domingo, Trump utilizou a rede Truth Social para proclamar com "efeito imediato" um suposto cessar-fogo energético entre Moscou e Kiev, advertindo ambas as partes a não descumprirem a medida. O anúncio, contudo, pegou a liderança ucraniana de surpresa, sem que Moscou sequer confirmasse oficialmente a pactuação.
Na prática, os bombardeios prosseguiram. Horas após as declarações norte-americanas, ataques aéreos da Rússia atingiram instalações de fornecimento elétrico em Kiev e na região de Kharkiv, provocando cortes massivos de energia e a paralisação do metrô na capital. Na véspera, um ataque russo à cidade de Zaporizhzhia havia deixado vinte mortos, incluindo três crianças.
Em resposta à exigência de Trump por eleições imediatas em meio ao conflito militar, Zelensky frisou em entrevista à televisão que a escolha do governo compete exclusivamente à sociedade ucraniana, pontuando que um processo eleitoral exigiria ao menos 60 dias de cessar-fogo integral aceito por Moscou.
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