Trump suspende sanções contra a Rússia às vésperas de entrarem em vigor
Alegando interesse nacional diante da disparada dos combustíveis por causa da guerra contra o Irã, presidente dos EUA trava punições aprovadas pelo Congresso.

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Em resumo
- Donald Trump emitiu ordem executiva suspendendo diversas sanções à Rússia dois dias antes do início de sua vigência.
- A Casa Branca busca conter os preços internos de energia e viabilizar a importação de diesel russo antes das eleições de meio de mandato.
- O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky criticou a medida, apontando que Washington decidiu ignorar punições econômicas a Moscou.
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Na noite de sexta-feira (16/10/2026), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva suspendendo a aplicação de uma série de sanções econômicas contra a Rússia. As medidas haviam sido aprovadas pelo Congresso norte-americano e sancionadas em setembro, com entrada em vigor prevista para este fim de semana. A Casa Branca justificou o recuo sob a alegação de defesa do "interesse nacional".
A reviravolta ocorre em um momento de atrito aberto entre a administração republicana e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. A Casa Branca vinha sendo pressionada pelo custo político e econômico da guerra contra o Irã, conflito que gerou uma disparada nos preços dos combustíveis e acelerou a inflação no mercado interno dos EUA às vésperas das eleições de meio de mandato.
Petróleo, inflação e conveniência eleitoral
A legislação aprovada pelo parlamento norte-americano previa penalidades pesadas contra o sistema financeiro russo, autoridades governamentais de alto escalão e a chamada "frota fantasma", utilizada para contornar embargos anteriores. O texto conferia ainda poderes para impor tarifas de até 100% sobre importações vindas dos maiores compradores de petróleo e gás da Rússia, como China e Índia.
No entanto, a necessidade imediata de abastecimento nos Estados Unidos atropelou as diretrizes legislativas. A tentativa da administração Trump de firmar acordos para a entrada de diesel russo em território norte-americano já havia provocado atritos diplomáticos com os aliados europeus e gerado duras reações de Kiev, que considerou o negócio um financiamento direto ao aparato militar de Moscou.
Enquanto o representante russo Kirill Dmitriev elogiou a suspensão, chamando-a na rede social X de "um momento importante e verdadeiramente histórico" e defendendo a cooperação econômica mútua, setores políticos em Washington manifestaram repúdio. O congressista democrata Don Beyer acusou Trump de trair compromissos com parceiros internacionais e desafiar a decisão expressa do parlamento.
O agravamento do atrito entre Washington e Kiev
A relação entre Trump e Zelensky atingiu o patamar mais desgastado desde o início do governo norte-americano, pontuada por trocas de declarações públicas hostis. Trump afirmou nos últimos dias que o líder ucraniano era "mais difícil de lidar" do que o presidente russo, Vladimir Putin, além de declarar que "chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente". Em resposta, durante reunião da União Europeia, Zelensky rebateu afirmando que era positivo estar entre "líderes de verdade".
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A mais recente rendição de Trump a Putin trai, mais uma vez, nossos parceiros ucranianos e desafia a clara intenção do Congresso, expressa em uma legislação concebida para punir a Rússia por sua guerra de agressão ilegal. — Don Beyer, congressista democrata pela Virgínia, em publicação na rede social X
No sábado (17/10/2026), Zelensky lamentou formalmente que Washington tenha optado por descartar a aplicação imediata do pacote legislativo:
A Rússia está tentando causar um apagão na Ucrânia, justamente antes do inverno. — Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, ao cobrar pressão sobre Moscou após ataques à rede de energia
O líder ucraniano informou que investidas russas atingiram 15 instalações de infraestrutura energética do país de sexta para sábado, provocando cortes generalizados de eletricidade. Nas últimas 24 horas registradas no balanço oficial, pelo menos nove pessoas morreram e cerca de 60 ficaram feridas em ataques na Ucrânia, incluindo um motorista de ambulância em Kherson. O Ministério da Defesa da Rússia declarou visar instalações industriais e de suporte militar, incluindo siderúrgicas e subestações.
Fricções no campo operacional
Além da divergência tarifária e comercial, surgiram tensões diretas sobre o suporte tecnológico às forças armadas ucranianas. A Ucrânia relatou dificuldades operacionais após a rede de satélites Starlink sofrer uma redução repentina na velocidade de conexão utilizada na navegação de drones, o que comprometeu missões de defesa.
Trump negou ter determinado qualquer corte no compartilhamento de inteligência militar ou lentidão voluntária na rede privada. Equipes de negociação de Washington e Kiev realizaram contatos na sexta-feira e articulam encontros técnicos para os próximos dias, sob o pano de fundo de um governo norte-americano que redesenha alianças bélicas quando o custo econômico das suas próprias intervenções globais bate à porta de seus eleitores.
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Fontes desta notícia
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